Anuário do Agronegócio Capixaba 2025

Tomate: estabilidade, alta produtividade e força nas montanhas

Produção cresce 5,4% em 2024 e avanço das estufas reduz perdas, eleva a produtividade e ganha espaço nas regiões de montanha

Tomate
Foto: Freepik

A produção de tomate no Espírito Santo voltou a crescer em 2024, mantendo o padrão de estabilidade que caracteriza a cadeia na última década. O estado colheu 159,8 mil toneladas, alta de 5,4% em relação ao ano anterior, impulsionada pelo aumento da área colhida — de 2.352 para 2.457 hectares — e pelo bom nível tecnológico adotado pelos produtores.

O rendimento médio de 65.072 kg/ha permaneceu dentro da faixa elevada que marca a série histórica. Nos últimos dez anos, a produtividade oscilou entre 57 mil e 72 mil kg/ha, indicando que o setor opera em um patamar tecnificado e estável, sustentado por manejo criterioso, irrigação eficiente e crescente modernização das lavouras.

Cultivo protegido ganha força

Um dos movimentos mais importantes da cadeia vem sendo a rápida expansão do cultivo protegido, especialmente nas regiões de montanha. Segundo o extensionista do Incaper, Élcio Costa, a adoção das estufas está mudando o perfil produtivo do tomate capixaba.

“Antes, havia muito tomate a céu aberto, mas cada vez mais produtores estão migrando para as estufas. A produtividade aumenta, o custo de produção reduz e praticamente não há incidência de pragas. Broca e minadora-da-folha não aparecem mais”, explica.

A broca-do-tomateiro é uma praga causada por mariposas da espécie Neoleucinodes elegantalis (broca-pequena) ou Helicoverpa zea (broca-grande) que causa danos sérios aos frutos, levando a perdas significativas na produção. Já a minadora-da-folha do tomateiro é uma praga cujas larvas abrem “minas” (túneis) dentro das folhas, alimentando-se do tecido vegetal.

Segundo Élcio, o sistema protegido traz ainda maior segurança ao produtor, reduz perdas e permite planejamento mais preciso da colheita. “As estufas estão aumentando muito no estado. O custo cai e a produtividade sobe de forma significativa”, ressalta.

Produção que vem do alto

A base do tomate capixaba segue concentrada nas Montanhas, região que reúne clima ameno, tradição e forte tecnificação. Em 2024, Afonso Cláudio liderou o ranking estadual, com 23.400 toneladas (14,64%), seguido por Domingos Martins (22.800 t), Santa Maria de Jetibá (19.250 t), Alfredo Chaves (14.593 t) e Venda Nova do Imigrante (13.200 t). Esses cinco municípios responderam por quase 60% de todo o tomate produzido no Espírito Santo.

A série histórica mostra que, após o pico de 188 mil toneladas em 2014 e a forte queda em 2015, a cadeia se reorganizou e passou a operar em patamar sólido, com produção anual na casa de 150 a 170 mil toneladas. O avanço recente do cultivo protegido reforça essa estabilidade e abre caminho para novos ganhos de eficiência.

A vulnerabilidade do campo aberto

O avanço do cultivo protegido ganha ainda mais sentido diante de episódios recentes que expõem a vulnerabilidade das lavouras conduzidas a céu aberto. Em fevereiro de 2025, a família Brambilla, produtora de tomate em Forno Grande, Castelo, enfrentou um dos maiores prejuízos de sua história.

Com mais de 30 anos de experiência, a família sempre conviveu com oscilações naturais da cultura, mas nada comparável ao que ocorreu neste ciclo. A broca-do-tomateiro, favorecida pelo calor extremo que atingiu a região naquele período, comprometeu 95% da produção. 

“Estamos colhendo apenas para tentar cobrir o custo das sementes, pois os frutos estão todos furados. A vontade é de arrancar tudo e limpar a área”, desabafou na ocasião Jamila Brambilla, que trabalha ao lado do pai na propriedade. Ela conta que, mesmo em décadas de dedicação ao tomate, a família nunca vivenciou algo tão severo. “Há 15 anos tivemos um problema semelhante, mas nada comparado a isso”, relembra, salientando que o prejuízo, em 2025, ultrapassou R$ 200 mil.

O que é a broca-do-tomateiro?

Segundo José Salazar Zanuncio Junior, zootecnista, doutor em Entomologia e pesquisador do Incaper, a broca-do-tomateiro aumenta sua ocorrência em períodos mais quentes. O manejo deve ser feito preventivamente, ainda no florescimento e no início da frutificação. Ensacar os frutos caídos também ajuda a interromper o ciclo da praga.

“No caso da família Brambilla, porém, o controle já não era mais viável. A recomendação foi encerrar o ciclo, iniciar um novo e fazer o manejo no momento adequado”, reforça Salazar.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos

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