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A mudança na forma de produzir morangos no Espírito Santo, substituindo o plantio convencional em terra para o atual cultivo semi-hidropônico, trouxe avanços para os produtores e, também, para a qualidade dos alimentos cultivados. É um processo que veio para ficar.
A semi-hidroponia é uma forma de produção que combina elementos da hidroponia (na qual os alimentos são cultivados apenas com água e nutrientes e sem solo) com o uso de um chamado substrato inerte (como resíduos orgânicos, argila expandida e areia). Nesse substrato as raízes das plantas se expandem e absorvem os elementos nutritivos do cultivo.
A produção capixaba do morango que utiliza o sistema semi-hidropônico traz, entre outros benefícios, a redução de fungos que são mais típicos nas plantações em solo, a melhor ergonomia de trabalho para os produtores – já que as bases das plantas são elevadas – e também oferece melhor qualidade do alimento, resultante dos nutrientes e água absorvidos de forma equilibrada e com menos uso de defensivos agrícolas.
Em agosto, palestrantes convidados pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) foram convidados para falar sobre os desafios para o fortalecimento da cadeia produtiva do morango no estado.
O técnico de desenvolvimento rural do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Alexandre Neves Mendonça, detalhou o processo de mudança do cultivo do chão para o feito nas bancadas suspensas (slabs) da semi-hidroponia.
Ele abordou a importância de levar o conhecimento até o produtor para facilitar o trabalho, melhorar as lavouras e a qualidade do produto.
“Quando o produtor consegue aplicar todos os recursos com maestria, ele alcança ótimos resultados, inclusive com tamanho diferenciado do produto. Nossos produtores conseguem alcançar a qualidade no cultivo e produzir morangos maiores, muito saborosos e crocantes”, afirmou Mendonça.
Para aumentar a produtividade, Mendonça citou os desafios com a quantidade e a qualidade da mão de obra e com a carência de orientação técnica. Para ele, apesar de todo o trabalho desenvolvido pelo Incaper, ainda é necessário aumentar o número de pessoas para levar assistência a todos os agricultores do estado, e não apenas na produção do morango.
Na ocasião, o diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Rodrigo Varejão Andreão, relatou o trabalho desenvolvido pela autarquia para a cadeia produtiva do morango. Segundo o diretor, a Fapes disponibilizou, nos últimos 11 anos, R$ 1,24 milhão para o setor, em 11 projetos distintos.
Os recursos envolveram projetos de pesquisa e extensão sobre temas como análise econômica da cultura, aproveitamento de resíduos para a produção de substratos, controle de pragas, desenvolvimento de bebidas funcionais, estudo da cadeia produtiva e melhoramento na produção de mudas.
Qualidade das mudas
O empresário Edson Cozer, do ramo de insumos agrícolas e mudas de morango, atua no município de Santa Maria de Jetibá. Para ele, além das vantagens implementadas na produção, com a mudança do convencional plantio no chão para o sistema semi-hidropônico coberto, a qualidade das mudas influenciou de maneira expressiva a produção capixaba.
O empresário lembrou que as mudas importadas de países como Argentina, Espanha e Chile ajudaram muito a garantir a produção que o Espírito Santo tem hoje, sobretudo na região Serrana do estado.
Álvaro Brandt, produtor de morango em São João do Garrafão, no município de Santa Maria de Jetibá, relatou a importância do cultivo para sua família. “Tudo que tenho e preciso na minha propriedade, eu dependo da nossa produção de morango”. O agricultor, no entanto, lembrou que é preciso mais assistência e tecnologia para que os produtores consigam avanços, principalmente em áreas como o controle de pragas.
Turismo
Outro tema abordado durante a reunião foi a importância de eventos como a Festa do Morango em Pedra Azul, tanto para os produtores como também para o turismo e a economia das regiões produtoras.
A presidente da Associação Festa do Morango (Afemor), em Pedra Azul, Lair da Penha Cebin, avaliou que o turista que vai à região para a festa consome não apenas a tradicional torta de morango, oferecida durante o evento. Para ela, “o turista vai nas propriedades colher o morango, compra os derivados, enche os hotéis e restaurantes”, divulgando a cultura do morango e movimentando a economia local.
Lair contou que a festa, já em sua 35ª edição, conta com cerca de 700 a 800 voluntários trabalhando, e tem entre os destaques as tortas gigantes servidas no sábado (com 300 quilos) e no domingo (com 500 quilos).
Já Weliton de Oliveira, representante de empresa na região Serrana que compra os morangos de produtores e os distribui para vários estados brasileiros, falou sobre o escoamento do produto, tanto com a fruta in natura como congelada. A empresa, com cerca de 1.300 colaboradores, tem mais de 600 produtores parceiros cadastrados e escoa a produção para todo o país, mantendo a qualidade das frutas.






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