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A cafeicultura do Caparaó perdeu um de seus jovens talentos. Lucas Souza Alves morreu neste domingo (23), aos 24 anos. Morador do Sítio Campo Azul, Patrimônio da Penha, Divino de São Lourenço, Lucas foi prestar serviço em um concurso de qualidade de café, em Santa Rita do Ituêto, em Minas Gerais. O acidente aconteceu quando ele retornava para casa.
Com base no relato do prefeito de Divino de São Lourenço, Dudu Queiroz, o acidente ocorreu na manhã deste domingo (23), no trajeto entre Ipanema e Aimorés, em Minas Gerais. Um caminhão teria entrado em um cruzamento e colidido de frente com a Fiat Strada conduzida por Lucas. O jovem não resistiu aos ferimentos. As circunstâncias do acidente ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades.
Lucas deixa uma trajetória marcada pelo conhecimento técnico, pela dedicação ao trabalho com a família e pela disposição em ajudar produtores e amigos. Filho de Paulo Roberto e Cristiana, Lucas participou ativamente da rotina do Sítio Campo Azul, em Divino de São Lourenço, onde a família se dedica à produção de cafés especiais e também mantém uma cafeteria. Ele era considerado o braço direito dos pais, tanto no cultivo quanto nas diferentes etapas necessárias para garantir a qualidade do produto.
A atuação de Lucas foi importante também na conquista que projetou o nome da família nacionalmente. Em 2024, Paulo Roberto Souza foi campeão do Coffee of the Year, com um café arábica produzido no Sítio Campo Azul. O reconhecimento colocou o café da propriedade entre os melhores do país e evidenciou a força da produção familiar no Caparaó.
Lucas esteve diretamente envolvido na construção desse resultado. Atuante, dedicado e atento aos detalhes, acompanhava o trabalho no campo e contribuía para a excelência dos cafés produzidos pela família.
O jovem estudou Cafeicultura no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Campus de Alegre, onde também integrou a Caparaó Jr., projeto de extensão universitária voltado à formação e à prestação de serviços na área.
O professor João Batista Pavesi Simão, docente, idealizador e orientador da Caparaó Jr., foi orientador de Lucas e seu parceiro em atividades acadêmicas e profissionais. Segundo Pavesi, o jovem estava retornando de um concurso de qualidade de café realizado em Santa Rita do Ituêto, em Minas Gerais, onde havia ajudado amigos.
“O Lucas estava em um concurso de qualidade de café, se não me engano, o 5º Concurso de Qualidade de Café da Prefeitura de Santa Rita do Ituêto. Ele foi prestar um serviço a amigos, gratuitamente, como sempre fazia por estar muito presente nesses eventos. Ele estava voltando desse concurso fazendo o que mais adorava, ajudar os amigos e colaborar com a qualidade do produto, principalmente dos pequenos produtores”, relatou Pavesi.
Homenagem da Caparaó Jr.
Em nota, a Caparaó Jr. lamentou a morte do ex-integrante e destacou que Lucas continuou próximo do projeto mesmo depois de concluir sua passagem pela instituição.
“Hoje, a Caparaó Jr. se despede de um amigo, parceiro e profissional que deixou sua marca em nossa trajetória”, afirmou a entidade.
A nota lembra que Lucas, além de ter sido membro da Caparaó Jr., continuou colaborando como prestador de serviços e produtor de cafés especiais no Sítio Campo Azul.
“Sua história conosco foi construída com dedicação, conhecimento e, acima de tudo, paixão pelo café. Lucas acreditava no potencial da cafeicultura e colocava cuidado em cada etapa do trabalho, buscando transformar o fruto do campo em cafés de qualidade e identidade”, diz outro trecho.
A Caparaó Jr. também ressaltou a contribuição deixada pelo jovem para colegas, produtores e pessoas que tiveram a oportunidade de trabalhar e conviver com ele.
“Que seu legado permaneça vivo nos cafés que produziu, nas pessoas que ajudou e nas histórias que construiu ao longo do caminho. Lucas Alves, do Sítio Campo Azul, sua história permanecerá entre nós”, concluiu a homenagem.
Uma perda para o Caparaó
A morte de Lucas provocou consternação entre familiares, amigos, colegas de formação e integrantes da cadeia produtiva do café. Sua presença frequente em concursos, eventos e atividades de assistência aos produtores fez com que ele construísse vínculos em diferentes comunidades cafeeiras.
A jornalista e editora da Conexão Safra, Kátia Quedevez, também destacou a personalidade do jovem e a marca que ele deixou nas pessoas.
“Lucas era uma luz para todo mundo por onde passava. Uma pessoa generosa, extremamente dedicada e alegre. Ele vai fazer muita falta para toda a família do Caparaó.”
As circunstâncias do acidente ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis. Informações que não tenham sido oficialmente confirmadas devem ser tratadas com cautela e respeito à família.
A Conexão Safra manifesta solidariedade a Paulo Roberto, Cristiana, aos demais familiares, amigos, professores, colegas e produtores que conviveram com Lucas.
Aos 24 anos, ele deixa uma história profundamente ligada à família, ao trabalho, à amizade e ao amor pelos cafés do Caparaó.






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