Tecnologia capixaba impulsiona produção e exportação do nosso mamão
A busca por mudas híbridas, que já vêm com sexagem, é o destaque na produção do fruto no Espírito Santo. produção é mais rápida e reduz-se o uso de mudas por cova
por Fernanda Zandonadi
em 23/02/2023 às 11h21
4 min de leitura

*Foto: Rachel Claire/Pexels
A produção de mamão no Espírito Santo foi, em 2021, de quase 500 mil toneladas, superando o ano anterior e muito acima de 2016, pior ano da série, quando saíram dos pomares apenas 251 mil toneladas. O rendimento médio permanece estável, com 58,6 mil quilos por hectare, assim como a área colhida, de 7,2 mil hectares. Atualmente, os municípios principais produtores são Pinheiros, que responde por 23,89% da safra, seguido por Pedro Canário (13,91%), Linhares (13,65%) e Montanha (13,15%).
O pesquisador do Incaper, Renan Batista Queiroz, explica que os produtores têm trabalhado com novos materiais, daí o aumento na colheita. “A busca é especialmente pelos híbridos, para uniformizar a produção. São estudos de melhoramento que estão em andamento. O mamão tem alguns desafios, entre eles as viroses. Há ainda a questão do preço, que varia muito ao longo do ano, e os custos de produção. Aqueles que exportam têm um retorno maior, por causa do dólar”.
Há dois grupos de mamão, explica o pesquisador. O solo e o formosa. O solo, mais conhecido como o papaya, é uma das cultivares mais utilizadas no mundo. O sabor é mais doce e a produção, precoce. Já o formosa (tainung) tem as sementes importadas e, por conta da pandemia de coronavírus, ainda é mais difícil encontrar o produto para compra, o que tem reduzido as áreas de plantio no Estado. “Os produtores têm usado agora mudas selecionadas que saem do laboratório já com sexagem”, explica Queiroz.
A sexagem é um passo importante na produção. O mamão tem três tipos de flores: a feminina, a masculina e a hermafrodita. A flor hermafrodita é a que gera um mamão em formato de pera, mais bonito e mais procurado pelo consumidor. “Normalmente, para ter a garantia de que a planta será hermafrodita, plantam-se três mudas em cada cova. Mas, com mudas selecionadas, isso muda de figura, já que existe a garantia de ter essa planta hermafrodita sem precisar plantar três em cada local. Na prática, há uma redução de mudas utilizadas. Mesmo sendo mais caras, vale a pena. Esse tipo de muda é recente e está sendo usada há uns três ou quatro anos no Espírito Santo, mas alguns produtores já colheram a partir dela e esse investimento vem dando bons resultados”.
Os bons números resultantes do trabalho com mudas híbridas, continua o pesquisador, vem também com a rapidez de produção. “A planta começa a produzir antes das demais. Como é uma só muda por cova, não há competição entre elas. Lembrando que, com a técnica antiga, os pés de mamão só eram cortados depois de dar flor e identificar qual era a hermafrodita. Então, na produção antiga, com três pés por cova, a produção começava em sete ou oito meses. Com as mudas selecionadas, em seis meses já tem colheita. Ainda não temos um número de produtores que estão aderindo a esse sistema, mas já há um movimento nesse sentido no Espírito Santo, especialmente entre os grandes produtores”, finaliza.
Mais Conexão Safra
Tecnologia tipo exportação
Pesquisador do Incaper, José Aires Ventura diz que a tecnologia em prol do mamão e que é produzida no Espírito Santo é uma das mais avançadas do mundo. Ele cita, como exemplo, o sistema Approach. Estabelecido principalmente em função da barreira quarentenária referente à mosca da fruta, que impedia a exportação do mamão brasileiro, esse sistema engloba várias combinações de métodos de mitigação de risco.
“Ele viabilizou a exportação do mamão capixaba para os Estados Unidos. O sistema foi desenvolvido no Espírito Santo, que ficou um tempo exportando sozinho para os Estados Unidos, e depois foi absorvido por outros Estados, como Rio Grande do Norte e Bahia”, explica o pesquisador, acrescentando que os Estados Unidos avaliaram a tecnologia produzida aqui e viram que ela garantia a não existência da mosca da fruta, uma praga quarentenária no país.
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