Mais lidas 🔥

Previsão do tempo
Primeiras ondas de frio do outono devem chegar entre maio e junho

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 09 de março

Anuário do Agronegócio Capixaba 2025
Entre moquecas e balões: o Espírito Santo que inspira

Alerta de chuva
Espírito Santo inteiro entra em alerta de perigo para chuvas intensas

Mercado do café
Conflito no Oriente Médio volta a elevar preço do café

A produção de mamão no Espírito Santo foi, em 2021, de quase 500 mil toneladas, superando o ano anterior e muito acima de 2016, pior ano da série, quando saíram dos pomares apenas 251 mil toneladas. O rendimento médio permanece estável, com 58,6 mil quilos por hectare, assim como a área colhida, de 7,2 mil hectares. Atualmente, os municípios principais produtores são Pinheiros, que responde por 23,89% da safra, seguido por Pedro Canário (13,91%), Linhares (13,65%) e Montanha (13,15%).
O pesquisador do Incaper, Renan Batista Queiroz, explica que os produtores têm trabalhado com novos materiais, daí o aumento na colheita. “A busca é especialmente pelos híbridos, para uniformizar a produção. São estudos de melhoramento que estão em andamento. O mamão tem alguns desafios, entre eles as viroses. Há ainda a questão do preço, que varia muito ao longo do ano, e os custos de produção. Aqueles que exportam têm um retorno maior, por causa do dólar”.
Há dois grupos de mamão, explica o pesquisador. O solo e o formosa. O solo, mais conhecido como o papaya, é uma das cultivares mais utilizadas no mundo. O sabor é mais doce e a produção, precoce. Já o formosa (tainung) tem as sementes importadas e, por conta da pandemia de coronavírus, ainda é mais difícil encontrar o produto para compra, o que tem reduzido as áreas de plantio no Estado. “Os produtores têm usado agora mudas selecionadas que saem do laboratório já com sexagem”, explica Queiroz.
A sexagem é um passo importante na produção. O mamão tem três tipos de flores: a feminina, a masculina e a hermafrodita. A flor hermafrodita é a que gera um mamão em formato de pera, mais bonito e mais procurado pelo consumidor. “Normalmente, para ter a garantia de que a planta será hermafrodita, plantam-se três mudas em cada cova. Mas, com mudas selecionadas, isso muda de figura, já que existe a garantia de ter essa planta hermafrodita sem precisar plantar três em cada local. Na prática, há uma redução de mudas utilizadas. Mesmo sendo mais caras, vale a pena. Esse tipo de muda é recente e está sendo usada há uns três ou quatro anos no Espírito Santo, mas alguns produtores já colheram a partir dela e esse investimento vem dando bons resultados”.
Os bons números resultantes do trabalho com mudas híbridas, continua o pesquisador, vem também com a rapidez de produção. “A planta começa a produzir antes das demais. Como é uma só muda por cova, não há competição entre elas. Lembrando que, com a técnica antiga, os pés de mamão só eram cortados depois de dar flor e identificar qual era a hermafrodita. Então, na produção antiga, com três pés por cova, a produção começava em sete ou oito meses. Com as mudas selecionadas, em seis meses já tem colheita. Ainda não temos um número de produtores que estão aderindo a esse sistema, mas já há um movimento nesse sentido no Espírito Santo, especialmente entre os grandes produtores”, finaliza.
Tecnologia tipo exportação
Pesquisador do Incaper, José Aires Ventura diz que a tecnologia em prol do mamão e que é produzida no Espírito Santo é uma das mais avançadas do mundo. Ele cita, como exemplo, o sistema Approach. Estabelecido principalmente em função da barreira quarentenária referente à mosca da fruta, que impedia a exportação do mamão brasileiro, esse sistema engloba várias combinações de métodos de mitigação de risco.
“Ele viabilizou a exportação do mamão capixaba para os Estados Unidos. O sistema foi desenvolvido no Espírito Santo, que ficou um tempo exportando sozinho para os Estados Unidos, e depois foi absorvido por outros Estados, como Rio Grande do Norte e Bahia”, explica o pesquisador, acrescentando que os Estados Unidos avaliaram a tecnologia produzida aqui e viram que ela garantia a não existência da mosca da fruta, uma praga quarentenária no país.




