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Guerra, dificuldades logísticas por conta da pandemia, incertezas na geopolítica mundial, dúvidas climáticas e, claro, oferta e demanda. Os produtores sentiram na pele o sobe e desce do preço do arábica em 2022. Para dar uma ideia, em 11 de fevereiro, a cotação da commodity chegou aos US$ 290,74 por saca. Entre altos e baixos, fechou o ano em US$ 196,57 (preço em 29 de dezembro), uma queda de 32,39%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Aliado a isso, o aumento de custos dos insumos, o que deixou a margem de lucro ainda mais apertada para o produtor e as dúvidas em torno do tamanho da safra de 2023, avalia Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). “O cafeicultor tem que conhecer o custo da produção para entender o melhor momento de venda. Essa gestão observa não só o preço, mas o custo e as margens de lucro”, avalia.
O robusta tem uma dinâmica de preços um pouco diferente. O Vietnã, maior produtor do mundo, é o grande termômetro do mercado. E alguns fatores deram vantagem ao país asiático em relação ao Brasil. Na crise dos contêineres, que começou no início da pandemia e persiste, mesmo de forma mais branda, produtores brasileiros tiveram que desembolsar mais para mandar seus produtos mundo afora.
“No Vietnã, ao contrário, eles tiveram mais acesso. Como é um país próximo à China, os contêineres que sobraram no país chinês por conta da queda na produção foram usados pelos vietnamitas e a queda dos fretes foi mais acentuada do que para nós. Além disso, somos o segundo maior produtor de conilon do mundo, mas esses grãos também foram muito disputados na indústria interna, já que o blend do conilon cresceu. Na prática, valorizamos o conilon no parque industrial interno e perdemos essa competitividade”.
Descarbonização e futuro da cafeicultura
O mundo está de olho nas produções ambientalmente corretas. E esse processo passa pela descarbonização, que é a redução de emissões de carbono na atmosfera. Na prática, é a busca global por emissões reduzidas para conseguir a neutralidade climática. E pesquisas mostram que os cafezais, além de não emitirem carbono na atmosfera, ainda são excelentes aliados para a descarbonização.
Segundo Marcos Matos, foi feito um estudo inovador com o café arábica e, nos próximos meses, o mesmo será feito com o conilon. Ainda em registro de metodologia, segundo Matos, a pesquisa representa regiões, sistemas e produção.
“O balanço de carbono significa emissões menos sequestro. Se o número é negativo, ou seja, sequestra mais do que emite, é bom. Fizemos uma análise específica com nossos solos tropicais e descobrimos que ele armazena carbono. Mas não sabemos como é esse armazenamento, se já estava lá, se foi por conta do café. Daí pegamos sistemas tradicionais de produção de cafés e também os mais conservacionistas. E, nas práticas conservacionistas, notamos o aumento de carbono no solo. Esse valor sim entrou no balanço. Na prática, nos sistemas tradicionais, a emissão já é negativa, o que é uma ótima notícia. Mas nas conservacionistas, há aumento de carbono no solo e na planta, o que significa que a produção está tirando carbono do ambiente. Chamamos isso de índice regenerativo”.
Essa agricultura regenerativa, continua Matos, gera reconhecimento da produção por ser sustentável social, ambiental e economicamente. “É o grande cartão de visitas do Brasil. O mercado de carbono é uma grande promessa e o estudo que fizemos, agora, tem que ser aceito internacionalmente. Estamos trabalhando para registrar a metodologia e o Cecafé seria responsável pelos créditos e repasse para agricultores e cooperativas”, afirmou.
Mas o que significa isso, do ponto de vista econômico, para o cafeicultor brasileiro? “Demonstrar ações sustentáveis flexibiliza e abre portas na União Europeia, que representa 53% das nossas exportações. Os Estados Unidos já discutem também a importação de commodities não ligadas ao desmatamento. Quer dizer, é algo que o mundo inteiro está discutindo. No social, temos dados que mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano sobe duas escalas quando há café no agronegócio de uma região. É progresso social, ambiental e econômico. E um café que mitiga as mudanças climáticas e gera progresso social, educação e aumento de expectativa de vida para as populações será extremamente bem aceito”.





