Mais lidas 🔥

Cafeicultura
Conab inicia 2º levantamento da safra 2026 de café em dez estados

Histórias do campo
Um curso, uma escolha e um café que atravessou fronteiras

Meio ambiente e agronegócio
Fungicidas podem eliminar microrganismos essenciais a abelhas sem ferrão

Clima global
Os sinais que colocam 2026 na trilha do Super El Niño histórico de 1876

Indicação Geográfica
Propriedade de Jaguaré conquista selo inédito de IG para café conilon torrado

Em São Roque do Canaã, o poder público tem avançado. A secretária municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Eliane Renata Cimero Calci, afirma que o município tem grande potencial e crescimento visível no setor. “O agroturismo e o turismo rural são vetores estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável do meio rural. Não é apenas lazer; agrega valor à produção tradicional e melhora a qualidade de vida dos moradores.”
A Secretaria buscou apoio do Sebrae para acompanhar 15 empreendimentos, entre cachaçarias, espaços de lazer, agroindústrias e serviços gastronômicos. “A ideia é criar uma rota estruturada, mas para isso é preciso organização, diagnóstico e planejamento turístico. E estamos avançando”. O Sebrae já apresentou o diagnóstico e os planos de ação para adequação dos empreendimentos.
Em 2023, o Consórcio Intermunicipal do Noroeste do Espírito Santo (CIM Noroeste), que reúne 15 municípios, criou a Câmara de Turismo e deu início a uma série de ações para alavancar o setor, em suas mais variadas vertentes — especialmente o agroturismo — na área de abrangência do Consórcio. Um dos projetos desenvolvidos foi o “Decola Turismo”, realizado por uma empresa terceirizada, com apoio financeiro do Sebrae.
Ao longo de um ano, o programa formatou experiências turísticas, qualificou mais de 180 empreendedores e organizou roteiros do território, além de fortalecer a presença digital e as estratégias de visibilidade. Ao final, os empreendedores receberam um portfólio turístico como resultado do trabalho desenvolvido na região.
O diretor da Câmara de Turismo do CIM Noroeste, Aldecir Bassetti, destacou que o primeiro e mais importante passo para a criação da Câmara foi o convencimento dos gestores. “Vimos a necessidade de criação da Câmara e partimos para o convencimento, a sensibilização dos prefeitos sobre a importância de olhar e trabalhar esse setor nos municípios. Essa não foi uma tarefa fácil, mas, com o tempo, eles entenderam a relevância e abraçaram a causa.”
Bassetti lembra que, antes da criação da Câmara, as secretarias municipais de Turismo funcionavam como uma pasta única, sempre vinculadas a outras áreas, como Esporte e Lazer, Cultura e até Educação. Aos poucos, esse cenário vem mudando. “Já temos prefeituras com a Secretaria de Turismo separada, com um secretário dedicado exclusivamente ao tema.”
Em 2024, o Sebrae inaugurou um escritório em Pancas para atender empreendedores de toda a região e fomentar o agroturismo e o turismo de aventura, muito presentes no território. “Muitos empreendedores não percebem o valor do turismo rural para o negócio. Nosso trabalho é estruturar e ampliar a visibilidade desses empreendimentos. Atuamos na roteirização, na articulação com agências e guias e no fortalecimento da oferta turística local”, explica Carla Bortolozzo, gerente Regional Central.

De mãos dadas
O associativismo, ferramenta antiga e eficaz, também tem impulsionado o agroturismo e o turismo rural. Em 2023, uma lei estadual criou a Rota do Agroturismo de Linhares e Região, abrangendo o Distrito de São Rafael e seu entorno, além de Rio Bananal, Marilândia e Governador Lindenberg. A rota reúne mais de 30 empreendedores — de uva, cafés especiais, vinhos, mel, licores, vinagre artesanal, doces caseiros, flores e hortaliças. Também inclui cachoeiras, rampa de voo livre e o Cruzeiro de Alto Liberdade.
Para organizar e fortalecer o grupo, foi criada a Associação da Rota de Agroturismo das Montanhas. “Nosso papel é formar uma rede de apoio para incentivar, capacitar e fortalecer os empreendedores”, diz a presidente, Kelly Cristina Ramos. Ela lembra que unir o grupo foi o primeiro desafio. “Foi preciso mostrar a importância de trabalhar juntos e do impacto do agroturismo no desenvolvimento regional.” Uma das conquistas foi a parceria com a Prefeitura de Linhares para criar o Festival de Inverno, que acontece em junho. A associação também luta por melhorias nas estradas de acesso aos pontos da rota.
Pancas também conta com entidade própria: a Associação de Turismo de Pancas (Aturp), criada há dois anos, é formada por 33 associados. O município já é destaque em turismo de aventura e atrativos naturais, como os Pontões Capixabas, a Pedra do Camelo, a Pedra Agulha e a Pedra do Leitão. “Estar associado significa união, representatividade e capacidade de transformar demandas em resultados concretos”, afirma a presidente, Audiceia Chiaato, que é produtora rural e proprietária do Recanto da Prata.
Apesar dos desafios, como a necessidade de capacitar melhor os empreendedores, a Aturp já articula a criação do Centro de Atendimento ao Turista.
Rotas que movem o interior
Em 2023, João Neiva ganhou a Rota dos Queijos, criada pela Lei 11.802/2023. Localizada às margens da rodovia 259, a rota tem 9,5 km e contempla cinco queijarias: Giacomin, Trevo, Bergantini, Del Caro e Vila Veneto. O presidente da Associação, Pedro Henrique Borline, explica o impacto após a criação da rota. “As queijarias já existiam há algum tempo, mas com a criação da rota, esse roteiro se tornou mais forte, mais visível, mais divulgado e visto, não só pelos capixabas, mas também para turistas de todo o país. A rota fez toda diferença e incentivou novos empreendedores”, frisa Borline.

Na rota, o visitante pode também conhecer a arquitetura dos casarões históricos de imigração italiana e adquirir uma variedade de produtos artesanais, como capeletti, macarrão, biscoitos, chocolates, goiabada, embutidos, cachaça, cerveja e até instrumentos musicais.
Movimento semelhante ocorre em São Mateus, onde a Associação Agricultura Forte solicitou à Assembleia Legislativa a criação da Rota das Especiarias, aproveitando o forte potencial local de pimenta-do-reino, pimenta-rosa, macadâmia, beiju, café, cacau e coco. O município tem Indicação Geográfica para as pimentas. “O turismo rural pode agregar muito valor às produções. Com apoio técnico, vamos organizar e capacitar os produtores para receber visitantes”, afirma a diretora executiva da associação, Fernanda Marin Permanhane.
A rota foi sancionada em junho de 2025 e já está em fase de diagnóstico e capacitação. Sete famílias participam inicialmente, com possibilidade de ampliar o grupo. A denominação da rota não foi escolhida por acaso, e não restringe a participação apenas aos produtores deste segmento. O nome, segundo Fernanda, “carrega um valor simbólico e histórico importante: as especiarias tiveram papel fundamental nas grandes navegações e no desenvolvimento econômico mundial. São Mateus possui um porto histórico que fez parte desse processo e pode ser mais bem explorado como atrativo”, enfatiza. O lançamento oficial está previsto para o primeiro semestre de 2026. Participam da gestão Sebrae, Sindicato Patronal Rural, Incaper, Prefeitura de São Mateus e Senar.




