Governo retoma plano para manter jovens no campo e fortalecer sucessão rural

Política nacional articula 15 ministérios e busca enfrentar a saída de cerca de 1 milhão de jovens das áreas rurais entre 2013 e 2022

Foto: João Alberes/MDA

O governo federal retomou uma política estratégica para o campo com a instituição do novo Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural (PNJSR), previsto na Lei nº 15.178/2025. A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios da agricultura familiar brasileira: a saída de jovens das áreas rurais e a dificuldade de garantir sucessão produtiva nas propriedades.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), cerca de 1 milhão de jovens deixaram o meio rural entre 2013 e 2022. O cenário acende um alerta para a permanência das novas gerações no campo, especialmente em um contexto de envelhecimento da população rural, necessidade de renovação da produção familiar e fortalecimento da segurança alimentar.

Coordenado pelo MDA, por meio da Coordenação-Geral de Juventude Rural, o plano articula ações de 15 ministérios e tem como foco as juventudes do campo, das águas e das florestas. A proposta é integrar políticas públicas de acesso à terra, crédito, assistência técnica, educação, trabalho, renda, conectividade, participação social e qualidade de vida.

A política tem como público-alvo jovens de 15 a 29 anos que vivem em áreas rurais e participam de unidades de produção da agricultura familiar. Com a nova legislação, o tema deixa de depender apenas de programas pontuais e passa a compor uma estratégia de Estado voltada à sucessão rural e à garantia de direitos.

O primeiro relatório anual do PNJSR aponta que o plano está organizado em seis eixos estratégicos: Acesso à Terra; Inclusão Produtiva; Trabalho e Renda; Educação do Campo; Qualidade de Vida; e Participação, Comunicação e Democracia. Esses eixos orientam ações voltadas à redução de desigualdades históricas e à criação de condições para que os jovens permaneçam em seus territórios com renda, formação e dignidade.

Entre os resultados apresentados pelo MDA estão 203 mil operações de crédito destinadas a jovens agricultores, com 15% dos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) direcionados a esse público. O Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) também registrou 1.176.354 jovens cadastrados em todo o país, ampliando o acesso às políticas públicas voltadas ao setor.

Na educação, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) ofertou mais de 38 mil vagas, incluindo cursos em áreas como Agronomia, Medicina Veterinária, Psicologia, Agroecologia e pós-graduação. Já o Pronaf Jovem teve expansão expressiva, com aumento de 1.917% nos valores contratados, passando de R$ 747,2 mil para R$ 15 milhões.

Para Mateus Quevedo, coordenador-geral de Juventude Rural do MDA, o desafio agora é fazer com que as ações cheguem aos territórios. Segundo ele, o objetivo é garantir que as “políticas públicas cheguem até a juventude que vive nos territórios”, fortalecendo a permanência no campo e contribuindo para a soberania alimentar do país.

Além do crédito e da educação, a política prevê ações relacionadas ao planejamento sucessório, à regularização fundiária, ao cooperativismo, à comercialização agrícola, à assistência técnica e à ampliação de serviços públicos no meio rural. A proposta é tratar a sucessão rural não apenas como transferência de propriedade entre gerações, mas como um processo de desenvolvimento social, produtivo e territorial.

A retomada do plano também reposiciona a juventude rural como protagonista da construção de novos modelos de desenvolvimento. Ao ampliar o acesso a políticas públicas e fortalecer a agricultura familiar, o PNJSR busca criar condições para que permanecer no campo seja uma escolha viável, com renda, tecnologia, formação e qualidade de vida.

Com a medida, o governo federal afirma o compromisso de enfrentar o êxodo rural, valorizar os saberes tradicionais e estimular a renovação da agricultura familiar. A consolidação do plano, no entanto, dependerá da adesão de estados, municípios e demais entes federados, além da capacidade de transformar as diretrizes nacionais em ações concretas nos territórios.