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O abacate faz parte da infância de muita gente. O velho pé de árvore, no quintal de casa, proporcionou sombra, alimento e diversão. Quantas crianças em balanços os galhos do abacate já embalaram? Mas tecnologia e profissionalização do cultivo trouxeram uma nova variedade ao Espírito Santo, além de novas formas de manejo. A velha árvore diminuiu de tamanho, mas aumentou em rentabilidade.
Hoje, os maiores produtores estaduais são Venda Nova do Imigrante, que responde por 34,61% da produção, Vargem Alta (14,98%), Marechal Floriano (10,97%), Domingos Martins (8,23%), Conceição do Castelo (5,48%), Santa Leopoldina (5,48%) e Santa Maria de Jetibá (4,94%). Na comparação entre Estados, o Espírito Santo está na quarta colocação em área plantada, com 864 hectares, atrás de São Paulo (6 mil hectares), Minas Gerais (5 mil) e Paraná (1,1 mil).
Desde 2014, época em que os capixabas produziram 3.474 toneladas da fruta, até 2020, quando saíram dos campos do Estado 9.117 toneladas, foi preciso muito trabalho e inovação. Mas a história do produto começou bem antes, ainda na década de 1980, e teve seu auge de plantio em 1998, quando alcançou 1.548 hectares de área plantada no Espírito Santo.
Esse aumento no cultivo na década de 1990 ocorreu por conta do preço do café, que estava baixo. “Os produtores encontraram, no abacate, uma alternativa à renda do café. Inclusive, alguns agricultores, principalmente em Venda Nova do Imigrante, começaram a trazer novas variedades para o Espírito Santo”, explica Ederaldo Panceri Flegler, extensionista do Incaper e, atualmente, coordenador de Fruticultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Mas, com a melhora no preço do café, a área plantada começou a decrescer. “Nessa época, o abacate era comercializado a granel. As frutas iam em carrocerias de caminhões para o Nordeste. Por conta da viagem, chegavam ao destino em péssimas condições. E isso gerou, infelizmente, uma fama negativa para o abacate capixaba”.
O mercado nordestino, maior comprador da fruta capixaba, retraiu-se. “Com isso, em 2009, o abacate chegou a 198 hectares plantados no Espírito Santo. Foi a menor área que temos registro. Mas, agora, a área cultivada está num crescente. Em 2020, foram 864 hectares plantados de abacate”.
A demanda aumentou, conta Flegler, mas a qualidade precisou acompanhar o mercado. E conseguiu. Hoje em dia, as mudas usadas precisam ser de alta qualidade. Não há mais o uso de sementes no processo, somente enxertia. E a variedade Margarida é a que domina os pomares capixabas. Se antigamente, as plantas eram altas e o fruto era colhido com vara e caía no chão, hoje, elas são baixas e o abacate é retirado com as mãos. Os mercados se abriram e Minas Gerais e o Nordeste voltaram a comprar nossos abacates.
“Além disso, a produtividade também aumentou muito em função de mudas de alta qualidade. Os produtores aprenderam os tratos culturais, como podas, daí a planta fica no formato correto. Hoje em dia, a produção envolve 450 famílias em 110 comunidades”.
A tendência se mantém para os próximos anos, avalia o coordenador. Ele enfatiza que, para permanecer no mercado, o produtor precisa se qualificar e entregar produtos de excelente qualidade. E isso já é perceptível no Espírito Santo. “Todos os processos, desde tratos culturais, a variedade escolhida e até mesmo o transporte dos frutos é bem pensado, profissionalizado. O abacate é o exemplo claro de como tecnologia e profissionalização podem ser usados a favor do campo”, conclui.





