Stefany Sampaio Silveira

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O novo Vale do Silício

por Stefany Sampaio Silveira

em 18/04/2022 às 11h50

10 min de leitura

O novo Vale do Silício

Foto: divulgação Olho do Dono

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira. Seguindo esse fluxo, as startups dedicadas ao setor também se destacam. O objetivo delas é melhorar os processos e otimizar o trabalho no campo. Assim, um termo que está sendo utilizado para caracterizá-las é o AgriTech ou ainda Agtech.

As AgriTechs desenvolvem soluções agrícolas e fornecem informações essenciais com um alto nível de precisão ao produtor, auxiliando na tomada de decisão com grande assertividade e confiança.

Tudo isso se dá pela utilização de tecnologia e de inovações que levam em conta as necessidades dos negócios do campo e, além disso, trazem informações baseadas em estudos científicos. 

 

Mercado crescente

Espera-se que até 2050, as tecnologias ligadas à agricultura elevem a produção da agricultura mundial em pelo menos 70%. Isso significa nada menos do que R$ 240 bilhões aplicado ao mercado do agronegócio. 

Segundo a ABStartups (Associação Brasileira de Startups), atualmente existem 72 empreendimentos agrícolas no país que exercem suas atividades com abrangência para tecnologia e agricultura. Com um crescimento de 70% em relação ao último ano, a expectativa é que o número triplique em pouquíssimo tempo. Para se ter uma ideia da importância, atualmente, o setor de agritech recebe cerca de US$ 2,36 bilhões em investimentos por ano. 

Hoje existe até um “Vale do Silício” brasileiro para AgriTechs, situado em Piracicaba. Ele conta com 38% das startups agro do Brasil. E nosso dever, como capixabas, é transformar nossa terra, referência em tecnologias e soluções voltadas para o agronegócio brasileiro. 

Conheça 10 exemplos  de Agritechs capixabas:

 Conta Café

O produtor linharense de café Eduardo Bortolini enfrentou durante sua trajetória todas as dores de um produtor rural. Após anos no mercado, ele decidiu sair apenas da plantação, ir para a tecnologia e fundar uma startup para solucionar um problema constante dos produtores de café: trocar os grãos por insumos, em uma operação conhecida como barter. 

Hoje, a empresa de tecnologia otimiza as transações de barter, simplificando a gestão para o lojista e ligando o comprador ao café de maneira prática e ágil.

Recentemente, a Conta Café venceu o Espírito Startups, primeiro reality show de negócios do Espírito Santo, promovido pela Apex Partners e Rede Vitória, e ganhou aporte de R$ 400 mil.

 

Agrai

Fundada por José Eduardo Scardua, a empresa desenvolveu um marketplace com a tomada de decisão baseada em dados e tecnologia, com o objetivo de desenvolver o mercado de frutas, legumes e verduras e reduzir os desperdícios nesse mercado, aumentando a eficiência no atendimento às redes de varejistas e restaurantes.

A história da startup se iniciou em 2018 quando ainda eram chamados de Raiz Capixaba. Começando como uma empresa de delivery de frutas, legumes e verduras orgânicas, com o propósito de comercializar e atuar diretamente com os produtores capixabas. 

Olho do Dono

Um problema comum na pecuária é a necessidade do gado percorrer distâncias consideráveis até chegar aos currais para realização da pesagem. Essas condições geram estresse nos animais, além de interferir na alimentação e hidratação ideal deles.

Esses fatores podem interferir no peso do animal, e, consequentemente, no valor de venda. Nesse sentido, a Olho do Dono é uma Agtech que usa da tecnologia de câmeras 3D para estimar o peso do gado, sem a necessidade de balanças, reduzindo os problemas de logísticas enfrentados pelo setor. 

A startup tem feito sucesso no mundo todo e já conquistou vários prêmios: vencedora como melhor Agtech do Brasil no Embrapa Siagro, vencedora do 1º TechCrunch Startup Battlefield da América Latina, vencedora como melhor Startup Agro do Brasil (Intercorte), uma das vencedoras do 1º Fineup Startup e vencedora como melhor startup no Fórum Lide de Agronegócios.

 

Farmly

Fundada em 2019 pelos sócios Adriano Salvi, Lucas Faria e Telmo Baldo, a startup surgiu com o objetivo de conectar diretamente o produtor de café especial aos torrefadores no exterior por meio de uma plataforma digital que permite a compra direta. Foi em meio a esse cenário que, há 2 anos, após conhecer mais sobre o mercado de cafés especiais, a equipe viu que o café com altas pontuações era um produto completamente diferente e que não poderia seguir a mesma lógica de mercado dos cafés commodities.

Hoje a plataforma conta com mais de 500 produtores de café arábica do país cadastrados. Sendo uma ponte para melhoria das chances de venda dos cafés de qualidade, pois faz as ofertas de amostras de acordo com a necessidade do torrefador estrangeiro.

A tecnologia da startup, garante maior transparência nas negociações, estabelece parcerias comerciais de longo prazo, diminui o número de intermediários e assegura a identidade dos produtores, que têm seu café descrito de maneira a valorizar a origem e as notas sensoriais.

 

Mwova

A gestão profissional é um grande desafio nas empresas urbanas e estabelecimentos rurais. Na maioria dos casos em pequenas propriedades, os mecanismos empregados no gerenciamento da propriedade são principalmente as anotações em cadernos ou cadernetas. Dessa forma, dados podem ser perdidos e não se consolidam em informações úteis na hora da tomada de decisão junto a fornecedores, investidores e clientes.

Foi pensando nesse problema dos produtores rurais que a Inflor, que já é líder em gestão de ativos florestais e agrícolas há 20 anos e presente em quatro continentes, criou uma spin off chamada Mwova. A solução integra a facilidade de utilizar um aplicativo que o produtor já conhece, Whatsapp, com um software de gestão que recebe e processa os lançamentos por mensagem.

 

 Brota 

Entendendo que o jeito tradicional de plantar hortas não combinam com o dia a dia corrido na sociedade moderna, um grupo de empreendedores, dentre eles um capixaba, alinhou tecnologia e sustentabilidade para criar um novo produto: hortas urbanas e frescas, desenhadas para que cada pessoa possa cultivar sua própria horta em casa – e sem dificuldades.

A horta inteligente e autônoma permite que pessoas do meio urbano possam desfrutar da experiência de cultivar pequenas hortinhas em sua casa, de maneira rápida, com pouco espaço e sem conhecimento prévio.

 

Capixaba Drones

A startup Capixaba Drone é pioneira no ramo de pulverização aérea e mapeamento via drone na agricultura no Estado. A empresa foi criada em 2019 com o objetivo de atender à demanda dos produtores rurais que não tinham uma solução para a falta de mão de obra em suas propriedades.

Hoje, o diferencial da startup consiste no custo baixo para suprir a falta de mão de obra em algumas regiões, diminuir o tempo gasto nas aplicações, minimizar o contato humano com os defensivos e ter melhor uniformidade na aplicação. Até mesmo os pecuaristas passaram a ser atendidos na área de pastagens, com limpeza e dessecação para plantio.

 

Smartirriga

Entre 2015 e 2017, o Espírito Santo sofreu a pior crise hídrica de sua história, que impactou significativamente o setor do agronegócio. O período de estiagens e chuvas abaixo do previsto fez alguns municípios apresentarem restrições na coleta e no uso da água. Diante disso, a Smartirriga surgiu com soluções para melhor gestão de recursos para se proteger em caso de eventual escassez.

A startup oferece ao agricultor um serviço de manejo de irrigação inteligente e autônoma e controle de eletroeletrônicos, via celular e web, minimizando desperdícios hídricos, reduzindo custos e aumentando a produtividade da lavoura com sustentabilidade. A Smartirriga foi premiada em 2019 pelo Desafio Empreendedor, evento realizado pelo Núcleo Incubador do Ifes Campus Itapina. A empresa também foi selecionada na edição de 2020 do Programa Centelha, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). 

Conecta Farm

Com o objetivo de criar uma plataforma que conecta toda a cadeia da cafeicultura, melhorando a gestão dos produtores rurais e comercialização do café, os empresários Wagner Araújo e Eduardo Schulte da Sensora, startup capixaba especializada em desenvolvimento de software e hardware para coleta de dados e controle de dispositivos, criaram um novo produto voltado para o agronegócio, o Conecta Farm.

A plataforma foi criada em 2020, durante a pandemia, quando os sócios perceberam a dificuldade do produtor em gerenciar suas propriedades e produção nos aspectos financeiros, de estoque e também na comercialização do café verde.

 

Atlas Brasil

Com a utilização de menos insumos, menos água, aplicação pontual sem atingir outras áreas, com a criação de produtos específicos para aplicação por drones e menos contaminação humana na hora da aplicação, a utilização dos drones na agricultura vem modificando a forma de entendimento, sobre aplicação de produtos, em relação a necessidade de que a sustentabilidade é possível e necessária nessa área.

A startup que conta com a experiência e know how adquiridos ao longo do tempo, estudos realizados pela empresa, agora passa a transferir conhecimento e gestão para novos empreendedores no ramo de drones pulverizadores para o agronegócio através de franquia.

Esses são ótimos exemplos e indicadores de tendências tecnológicas que virão no campo. O mercado está aquecido para essas empresas, e à medida que os entraves para o crescimento forem superados, tal como conectividade por exemplo, as AgriTechs poderão ser realidade na maioria das propriedades.

 

Quais as perspectivas futuras?

Como diziam os filósofos, não se pode prever o futuro, mas tudo indica que o número de AgriTechs só tende a crescer. E isso é um ótimo sinal, demonstrando que o potencial de evolução dentro do nosso setor ainda é grande.

Permitindo ainda um investimento muito mais centrado em inovações que fazem sentido para o aumento de eficiência e de produtividade no campo. Sendo importante que você, seja produtor rural ou investidor, fique atendo as seguintes áreas nos próximos meses:

# Aplicações que disponibilizam 

e utilizam internet 4G.

# Aplicações de IoT (Internet das Coisas).

# Integração com uma comunicação sem fio.

# Aplicações de Cloud Computing 

(Computação em nuvem).

# Aplicações de Big data, analytics e outros.

# Blockchain.

# Máquinas agrícolas autônomas. 

# Imageamento via Satélite. 

# Análises avançadas

# Algoritmos inteligentes

# Inteligência artificial (IA)

Como vimos, os atuais modelos de produção agrícola por aqui já se encontram em estado avançado e o brasil precisa estar atento a essas tecnologias para continuar sendo um dos maiores exportadores de alimentos provenientes do setor agrícola no mundo. 

E mesmo que os produtores ainda estejam em processo de adaptação, as Agritechs tem muito para contribuir tanto na agricultura familiar quanto na produção sustentável de larga escala. Tendo ainda muito o que ser explorado nesse nicho e aperfeiçoado para a melhoria do empreendedorismo agro.