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A inovação no agro capixaba vem deixando de ser apenas sinônimo de máquinas, produtividade e conectividade. No Espírito Santo, a tecnologia também passou a ocupar um papel estratégico na sustentabilidade, especialmente no uso da água, na assistência técnica e na avaliação das práticas adotadas dentro das propriedades rurais.
Um dos dados mais importantes aparece na irrigação. Segundo os Censos Agropecuários, em 2006 apenas 20% dos estabelecimentos irrigados no Espírito Santo utilizavam métodos localizados, como gotejamento e microaspersão. Em 2017, essa participação chegou a 80%, indicando uma forte transição para sistemas mais eficientes no uso da água.
Essa mudança ocorreu em um contexto marcado por períodos de seca no estado, que exigiram adaptação dos produtores e maior racionalidade no uso dos recursos hídricos. Na prática, a irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta para aumentar a produção e passou a ser também uma estratégia de sustentabilidade, permitindo produzir com menos desperdício e maior controle.
Na pecuária leiteira, a inovação ganhou uma ferramenta específica. Em março de 2026, foi lançado o Currículo Mínimo de Sustentabilidade da Pecuária Leiteira Capixaba, desenvolvido pelo Incaper em parceria com a Seag e apoio do Ifes Campus Santa Teresa. A iniciativa reúne indicadores e diretrizes para orientar a evolução dos sistemas produtivos, com foco em eficiência, competitividade e sustentabilidade.
O currículo funciona como uma ferramenta prática de avaliação das propriedades leiteiras. A metodologia considera três eixos (econômico, social e ambiental) e permite diagnosticar pontos fortes, fragilidades e oportunidades de melhoria. A proposta é padronizar a análise das unidades de produção e apoiar decisões mais estratégicas no campo.
A importância da iniciativa está em aproximar pesquisa, extensão rural e produtor. Quando indicadores de sustentabilidade entram na rotina da assistência técnica, o produtor passa a ter mais clareza sobre custos, produtividade, manejo ambiental, bem-estar das famílias e futuro da atividade. É uma agenda que conecta tecnologia com permanência no campo.
O desafio, agora, é ampliar a escala dessas ferramentas. A sustentabilidade só ganha força quando deixa de ser discurso e passa a orientar o manejo, o crédito, a assistência técnica, a irrigação, a energia, a logística e a comercialização. No Espírito Santo, os dados mostram que essa transição já começou.





