Mais lidas 🔥

Produção de peixes
Gigante da tilápia: cooperativa finaliza unidade com capacidade para 20 toneladas diárias

Reconhecimento Internacional
Azeite do Espírito Santo ganha medalha de ouro em concurso internacional

Chuva atípica pode superar média de junho no Sudeste e Centro-Oeste antes do inverno

Alerta para produtores
Como agir após o granizo? Veja as orientações para produtores de café

Infraestrutura Hídrica
Barragem é inaugurada e reforça segurança hídrica em Aracruz

O Espírito Santo ocupa posição de liderança nas exportações brasileiras de pimenta-do-reino, gengibre e mamão. Os dados de 2025, sistematizados pela Conexão Safra a partir do Agrostat/Mapa, mostram que o estado não apenas produz em escala, mas também tem forte inserção no comércio exterior de cadeias agrícolas estratégicas.
A pimenta-do-reino é um dos principais destaques. O Espírito Santo liderou as exportações nacionais do produto, com 56,2 milhões de quilos embarcados em 2025. O volume representou 67,7% de toda a pimenta-do-reino exportada pelo Brasil, o que significa que mais de dois terços dos embarques nacionais tiveram origem no estado.
“A pimenta-do-reino capixaba é um exemplo claro de como o Espírito Santo transforma vocação em resultado. Essa especiaria que tempera o mundo, chegou a 59 países de janeiro a outubro. É uma cadeia que gera emprego, renda e tem potencial para crescer ainda mais. Vamos continuar investindo em assistência técnica, inovação e sustentabilidade para que o Espírito Santo siga sendo referência no campo e na mesa do brasileiro”, comentou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.
No gengibre, a liderança também foi expressiva. O Espírito Santo exportou 28,6 milhões de quilos, o equivalente a 60,2% do volume nacional. A cadeia tem forte concentração territorial, especialmente em municípios de tradição agrícola, e mostra como produtos de nicho podem ganhar escala internacional quando combinam organização produtiva, qualidade e acesso a mercados.
O mamão manteve a força da fruticultura capixaba no exterior. O estado exportou 22,1 milhões de quilos em 2025, alcançando 40,1% do volume nacional e o 1º lugar no país. A liderança reforça a capacidade capixaba de inserir produtos frescos em mercados externos, segmento que exige logística, padrão de qualidade e regularidade no fornecimento.
O café também aparece com relevância na pauta exportadora. O Espírito Santo foi o 2º maior exportador brasileiro de café verde, com 325,2 milhões de quilos e 14,3% do volume nacional. No café solúvel, ocupou a 3ª posição, com 18,3 milhões de quilos e 21,6% das exportações brasileiras.
O desempenho mostra que o agro capixaba combina duas dimensões importantes: liderança produtiva e capacidade de acesso ao mercado internacional. Essa combinação amplia a geração de renda no campo, fortalece cadeias regionais e aumenta a presença do Espírito Santo em segmentos de maior competitividade.
Protagonismo capixaba nas exportações de pimenta-do-reino avança com pesquisa e inovação
A liderança do Espírito Santo na produção nacional de pimenta-do-reino também passa pela pesquisa, pela inovação e pela capacidade de transformar conhecimento científico em soluções para o campo. Um novo estudo desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) reforça esse papel ao trazer resultados inéditos sobre a interação entre nematoides-das-galhas e a cultura da pimenta-do-reino.

A pesquisa é considerada o levantamento mais recente e abrangente já realizado no Brasil sobre a presença desses vermes do solo em lavouras de pimenta-do-reino. O trabalho analisou a relação entre espécies do gênero Meloidogyne e a cultura da pimenta-do-reino no Espírito Santo, principal estado produtor nacional da especiaria.
Resultado de cinco anos de investigação, o estudo deu origem ao artigo científico “Species dynamics, host associations, and black pepper resistance assessment of root-knot nematodes in Espírito Santo, Brazil”, publicado na revista internacional Plant Disease, uma das principais publicações da área de fitopatologia.
A pesquisa reforça a importância da inovação para a sustentabilidade da pipericultura capixaba. As doenças causadas por fitonematoides estão entre os principais fatores que limitam a produtividade e a longevidade dos pimentais, especialmente em regiões tropicais, onde as condições de solo e clima favorecem o desenvolvimento desses organismos.
Para compreender a dinâmica desses patógenos, a equipe coletou e analisou mais de 230 amostras de solo e raízes em diferentes municípios e regiões produtoras do Espírito Santo. O volume de amostras deu ao estudo uma base estatística e geográfica considerada inédita, permitindo identificar as espécies predominantes por meio de análises morfológicas, moleculares e bioquímicas.
Segundo o pesquisador do Incaper Inorbert Melo, lotado no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Norte (CPDI Norte), uma das principais contribuições do estudo foi confirmar a alta suscetibilidade de materiais genéticos amplamente utilizados no estado, como as cultivares ‘Bragantina BR-124’ e ‘Kottanadan’, a espécies de nematoides comuns nas lavouras, como Meloidogyne arenaria, M. incognita e M. javanica.
Ao mesmo tempo, essas cultivares demonstraram resistência ou imunidade a espécies altamente agressivas em outras culturas agrícolas, como M. enterolobii, associada a danos severos na goiabeira, e M. paranaensis, importante nematoide do cafeeiro. Os resultados indicam a necessidade de ampliar a busca por novas fontes de resistência genética para fortalecer a cadeia produtiva.
A publicação na revista oficial da American Phytopathological Society (APS) amplia a visibilidade internacional da pesquisa desenvolvida no Espírito Santo. Para Melo, o reconhecimento em um periódico de alta exigência científica projeta o trabalho capixaba para a comunidade científica internacional e reforça a relevância metodológica dos resultados.
Outro avanço do estudo foi a identificação de relações entre o histórico de uso do solo e a presença de espécies específicas de nematóides. A pesquisa apontou associações entre M. javanica e áreas anteriormente cultivadas com mamão e cana-de-açúcar, além de relação entre M. incognita e áreas com histórico de café conilon.
Essas informações têm aplicação direta no manejo das lavouras. Com base nos dados, a extensão rural pode orientar práticas como rotação ou sucessão de culturas com espécies não hospedeiras, contribuindo para quebrar o ciclo dos patógenos no solo e reduzir riscos para os produtores.
O estudo mostra que a competitividade da pimenta-do-reino capixaba não depende apenas da expansão da produção, mas também da capacidade de antecipar problemas sanitários, gerar tecnologias e orientar decisões no campo. Nesse sentido, a pesquisa fortalece sistemas produtivos mais resilientes, sustentáveis e alinhados aos desafios atuais da agricultura.
Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), um órgão de fomento à pesquisa do Governo do Espírito Santo, e parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o trabalho reforça o papel do Incaper como instituição estratégica para a agricultura capixaba. Desde o fim dos anos 1970, o instituto atua no desenvolvimento da pimenta-do-reino no estado, aproximando pesquisa, assistência técnica e inovação da realidade dos produtores.





