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O uso de drones para aprimorar a aplicação de produtos químicos, físicos ou biológicos nas plantações está no centro de uma série de estudos desenvolvidos por pesquisadores do Laboratório de Mecanização e Defensivos Agrícolas, localizado no campus de São Mateus. Realizados na Fazenda Experimental da Ufes, as pesquisas utilizam parâmetros matemáticos e operacionais para entender como a tecnologia pode diminuir custos, otimizar o tempo no campo e evitar perdas provocadas pelo desvio do vento.
Os estudos são conduzidos por estudantes e pesquisadores da Ufes, sob orientação do professor do Departamento de Ciências Agrárias e Biológicas Edney Vitoria, segundo o qual o uso de aeronaves remotamente pilotadas, como os drones, tem se consolidado como uma alternativa promissora em plantações de grande porte.
Os pesquisadores estão detalhando dois conceitos fundamentais: a “faixa total” (toda a extensão atingida pelas gotas) e a “faixa efetiva”, que consiste na porção central ideal da aplicação, capaz de garantir o controle biológico desejado por meio da sobreposição correta nas passagens do drone.
Vitoria explica que o foco dos experimentos é mapear desde a eficiência do espectro de gotas até a capacidade de resposta do equipamento em relevos irregulares e declivosos, como as lavouras de café em regiões montanhosas. O drone utilizado é o EAVision EA-60X, que realiza passadas variando entre três alturas e três velocidades de deslocamento, gerando um banco de 450 amostras.
Experimentos
Um dos estudos práticos do laboratório analisa o comportamento do equipamento na cultura dos citros, como laranjas e limões, cujas árvores possuem copas densas e cheias que dificultam a chegada dos produtos ao interior da planta. A pesquisa utiliza plantas com altura média de 3,20 metros como unidades de teste e pretende comparar os resultados obtidos com drones aos métodos tradicionais de pulverização hidropneumática utilizados nesse tipo de cultivo.
Além dos citros, o grupo prevê avaliações em culturas perenes (como mamão e bananeira, florestas comerciais de eucalipto, cana-de-açúcar), pastagens e cultivos considerados mais complexos para aplicação, como a pimenta-do-reino. O objetivo, segundo o professor, é analisar como diferentes arquiteturas vegetais influenciam a deposição, a cobertura e a penetração das gotas.
O planejamento estratégico dos pesquisadores com o equipamento vai além dos líquidos. Outra pesquisa em desenvolvimento avalia o sistema dispersor do drone para o lançamento de insumos sólidos, rastreando como a velocidade e a altura influenciam a distribuição de sementes, fertilizantes e iscas formicidas.
Em uma das análises percebeu-se que, quando o voo é realizado em maior altura, o produto pulverizado se espalha por uma área maior. No entanto, isso também aumenta o risco de o produto ser levado pelo vento e reduz a quantidade de gotas concentradas no centro da área aplicada. Já o aumento da velocidade de voo faz com que a distribuição das gotas fique menos uniforme, resultando em uma aplicação mais espalhada e menos equilibrada ao longo da área tratada.
Outros estudos
Em outra frente de trabalho, a equipe investiga o desempenho do drone em áreas de relevo irregular e regiões declivosas. O estudo pretende avaliar a estabilidade de voo, a capacidade de manter altura constante em relação ao dossel das culturas e a precisão da aplicação em topografias variáveis, utilizando como referência lavouras de café em regiões montanhosas.
A viabilidade econômica completa também está sendo calculada. O grupo monitora o tempo de operação efetiva, os minutos gastos no preparo da calda, o deslocamento, o consumo de energia e o tempo exato de recarga das baterias do drone, do controle remoto e do sistema de localização. Com esses dados é possível fixar o custo real por hectare.
Os trabalhos visam gerar dados técnicos consistentes capazes de subsidiar recomendações práticas para o setor agrícola. De acordo com Vitoria, esses resultados serão reunidos em um manual de boas práticas para aplicações de defensivos e fertilizantes agrícolas por meio de drones, que será disponibilizado aos produtores rurais até o fim deste ano.





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