Café orgânico

Vídeo: veja as cultivares de café arábica resistentes à ferrugem para cultivo orgânico no Espírito Santo

Pesquisadores apresentam cultivares de café arábica adaptadas ao cultivo orgânico no Espírito Santo, com foco em ampliar alternativas para produtores capixabas

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Foto: divulgação

O cultivo orgânico de café arábica no Espírito Santo pode ganhar novo fôlego com a validação de cultivares mais produtivas, resistentes à ferrugem e adaptadas às condições das regiões produtoras do estado. A pesquisa integra o projeto “Novas cultivares de café arábica para o Espírito Santo”, iniciado em 2018 pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com o objetivo de avaliar o desempenho de dez cultivares nas regiões do Caparaó, das Montanhas do Espírito Santo e do Noroeste capixaba.

Além das unidades conduzidas com boas práticas agrícolas e adubação convencional, o projeto incluiu duas áreas voltadas ao cultivo orgânico, instaladas em Santa Maria de Jetibá e no distrito de Paraju, em Domingos Martins. Segundo os pesquisadores Maurício José Fornazier e Cesar Abel Krohling, os primeiros resultados mostram que a adubação orgânica, associada a materiais genéticos adequados, pode sustentar lavouras produtivas e economicamente viáveis.

Na unidade de Domingos Martins, localizada em área de maior altitude, a pesquisa está na quarta safra. Em Santa Maria de Jetibá, os dados já somam cinco safras. De acordo com os pesquisadores, a altitude interfere no ciclo da lavoura. Em Paraju, com cerca de 1.000 metros de altitude, o café orgânico tem maturação mais tardia em comparação à unidade de Santa Maria de Jetibá, situada em torno de 800 metros.

Os resultados indicam que o cultivo orgânico pode alcançar produtividades competitivas. Na área de Domingos Martins, a média registrada chegou a 32,7 sacas por hectare, acima da média estadual de 26,1 sacas por hectare em um período de 12 anos. Considerando as duas unidades experimentais, os pesquisadores apontam que os principais materiais avaliados alcançam média próxima de 40 sacas por hectare.

Entre as cultivares citadas como destaque estão IPR 103, Acauãnovo, Arara, Catucaí 785-15, Catucaí Amarelo 2SL, Catucaiam 24137, Japy e Tupi IAC 1669-33. Na cartilha técnica lançada pelo Incaper, o instituto também aponta que as cultivares IPR 103, Arara e Acauãnovo se destacaram na média geral das três regiões estudadas, com produtividades de 53,9, 52,8 e 51,7 sacas por hectare, respectivamente, em avaliações conduzidas em 12 experimentos.

A resistência à ferrugem do cafeeiro é um dos principais pontos da pesquisa. A doença é considerada uma das mais importantes da cafeicultura e está associada à desfolha das plantas, à redução de vigor e ao aumento da bienalidade, fenômeno em que a lavoura produz bem em um ano e reduz a produção no ano seguinte. Para os pesquisadores, o uso de materiais resistentes diminui esse impacto, especialmente no sistema orgânico, em que a liberação de nutrientes ocorre de forma mais lenta e gradual.

A pesquisa também aponta ganhos ambientais associados ao sistema orgânico, como conservação do solo, aumento do aporte de resíduos, melhoria da fertilidade e preservação do ecossistema nas áreas cultivadas. Segundo o Incaper, o projeto conta com recursos do Banco de Projetos da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), além de apoio da iniciativa privada. O trabalho também tem participação do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Venda Nova do Imigrante, e do Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo (Cecafes/Incaper).

Para os pesquisadores, a validação das cultivares pode ampliar a segurança técnica para produtores interessados em renovar lavouras ou ingressar na produção orgânica. A agricultura orgânica é apontada como uma alternativa compatível com a estrutura fundiária capixaba, marcada pela presença de pequenas propriedades rurais.

No campo, a expectativa é que os novos materiais ajudem a reduzir riscos produtivos e ampliem a oferta de café orgânico. Um produtor participante do projeto relatou que a introdução das cultivares tem contribuído para melhorar produtividade e qualidade, além de facilitar o manejo em um sistema que impõe mais restrições ao controle de pragas e doenças.

A recomendação técnica das cultivares para o sistema orgânico deve fortalecer um mercado em expansão e abrir novas possibilidades para a cafeicultura de montanha no Espírito Santo. Para o Incaper, o avanço do melhoramento genético, aliado à adaptação regional das cultivares, pode contribuir para elevar renda, qualidade e sustentabilidade nas propriedades produtoras de café arábica.