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A Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau-ES) anunciou, na noite desta terça-feira (30), durante o lançamento da 4ª edição do Cacau Fest, um dos maiores investimentos voltados ao fortalecimento da cacauicultura capixaba. O projeto prevê a implantação de uma Biofábrica integrada a uma Unidade de Beneficiamento (Packing House) para o fornecimento de mudas de cacau, seleção, armazenamento e processamento de amêndoas.
Com investimento previsto de R$ 2,9 milhões, a estrutura será implantada em Linhares, em um terreno cedido pela Prefeitura Municipal de Linhares, onde funcionava o projeto Meninos da Terra, no bairro Nova Esperança. O projeto será financiado com recursos da Repactuação de Mariana, por meio da Secretaria do Rio Doce (SERD), em parceria com a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes).
A biofábrica contará com um laboratório de cultura de tecidos para multiplicação de clones de alto desempenho genético e quatro estufas climatizadas destinadas ao desenvolvimento das mudas. A capacidade será de produzir até um milhão de mudas de cacau por ano, com materiais genéticos mais resistentes a doenças como a vassoura-de-bruxa e a podridão-parda.
Já o Packing House será equipado para realizar fermentação controlada, secagem solar monitorada, classificação das amêndoas por qualidade, armazenamento e beneficiamento do cacau. A capacidade prevista é de processar até 2.500 toneladas de frutos por ano, permitindo que os produtores comercializem amêndoas com maior valor agregado.
O diretor executivo da Acau-ES, André Carvalho Scampini, explica que a iniciativa é resultado de um planejamento desenvolvido há vários anos e representa a realização de um antigo sonho da associação.
“O projeto reúne, em um único local, toda a cadeia inicial da produção, desde a multiplicação de mudas clonais de alta qualidade até o beneficiamento das amêndoas, agregando valor ao produto antes da comercialização.”
Segundo Scampini, o projeto reforça o protagonismo de Linhares na cacauicultura nacional.
“Linhares é o maior produtor de cacau do Espírito Santo e já é referência para produtores do sul da Bahia, norte do Rio de Janeiro e leste de Minas Gerais, que trazem sua produção para negociar aqui. Precisamos assumir esse protagonismo e estar preparados para as transformações que o mercado mundial do cacau está vivendo”, afirmou.
O cronograma de execução será dividido em quatro fases: 1ª fase (1 a 6 meses): licenciamento e construção da biofábrica e do Packing House; 2ª fase (6 a 12 meses): aquisição, instalação e testes dos equipamentos e sistemas; 3ª fase: contratação e capacitação da equipe, além da produção experimental; 4ª fase: início da produção comercial, distribuição das mudas e capacitação dos produtores.
De acordo com a Acau-ES, se tudo ocorrer conforme o previsto, as obras terão início ainda este ano. O empreendimento terá prazo de 24 meses, a partir do início das obras, para entrar em operação.
Benefícios para os produtores
De acordo com a Acau-ES, o empreendimento deve transformar a cadeia produtiva do cacau na região. A expectativa é atender diretamente cerca de 500 produtores, promover um aumento médio de 35% nas vendas das propriedades participantes e gerar entre 25 e 100 empregos diretos e indiretos.
Do investimento total, 61% serão destinados às obras e à aquisição de equipamentos, enquanto 38,2% serão aplicados no custeio das atividades durante os 24 meses de implantação. Todo o recurso será proveniente da Repactuação de Mariana, sem custos para os associados da entidade.
A Acau-ES é uma entidade de utilidade pública estadual e foi fundada há 25 anos. Atualmente, é responsável pela gestão da Indicação Geográfica do Cacau de Linhares e reúne aproximadamente 340 associados no Espírito Santo e nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pará.





