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As exportações de café pelo Espírito Santo tiveram um pico expressivo em 2024. Segundo dados do Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV), sistematizados pela Conexão Safra, o volume total exportado chegou a 8,4 milhões de sacas, o maior da série analisada.
O resultado foi puxado principalmente pelo conilon. Em 2024, os embarques da espécie alcançaram 7,06 milhões de sacas e responderam por cerca de 84% das exportações de café do estado naquele ano. O dado reforça a centralidade do conilon na pauta capixaba e sua importância para o comércio exterior do café brasileiro.
Em comparação com 2023, o crescimento foi de 61,4%. O volume total exportado passou de 5,21 milhões para 8,4 milhões de sacas, em um movimento que combinou oferta, demanda internacional e forte presença do Espírito Santo na cadeia do conilon.
Em 2025, as exportações recuaram para 4,28 milhões de sacas. A queda foi explicada principalmente pela redução dos embarques de conilon em relação ao pico observado no ano anterior. Ainda assim, o volume manteve o café como uma das principais forças da pauta exportadora capixaba.
A série também mostra a participação de outros segmentos. O café solúvel teve trajetória de crescimento até 2024, indicando espaço para produtos com maior processamento e valor agregado. Já o arábica aparece com participação menor, mas segue relevante, especialmente pela conexão com regiões de montanha, qualidade e cafés especiais.
O desempenho confirma que a cafeicultura capixaba tem dupla importância: movimenta a produção no interior e sustenta uma presença estratégica no comércio exterior. Mesmo com oscilações anuais, o café segue como uma das bases econômicas mais consistentes do agro estadual.

Volume e diversidade
Em um cenário global liderado por grandes produtores como Brasil e Vietnã, o Espírito Santo se destaca como uma origem estratégica, com forte presença tanto em volume quanto em diversidade produtiva.
No contexto mundial, segundo levantamento da Gerência de Dados e Análises da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), a partir de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) referentes à safra 2025/26, o Brasil lidera a produção total de café com 36,4% da produção mundial, seguido pelo Vietnã, com 17,3%, e pela Colômbia, com 7%. A diferença entre o primeiro e o segundo colocado evidencia a ampla participação brasileira no mercado global.
No café arábica, a concentração é ainda maior. O Brasil responde por 42,2% da produção mundial, enquanto que Colômbia (12,9%) e Etiópia (11,9%) aparecem logo depois, com participações significativamente inferiores.
No segmento de robusta/conilon, a distribuição é mais equilibrada entre os principais produtores. O Vietnã lidera com 36,7% da produção mundial, seguido pelo Brasil (29,5%) e pela Indonésia (12,0%). Nesse recorte, observa-se maior concorrência entre os países líderes, com o Brasil ocupando posição próxima à liderança.
No âmbito nacional, o protagonismo capixaba é ainda mais evidente. O Espírito Santo é o maior produtor e exportador de café conilon do Brasil, responsável por 68,9% da produção nacional e cerca de 75% das exportações dessa variedade. Considerando o café total (arábica + conilon), o Espírito Santo é o segundo maior produtor do país, com 30,9% da produção nacional, além de ocupar a terceira posição no arábica.
Esse desempenho é resultado de uma trajetória consistente de crescimento. Em pouco mais de uma década, a produção estadual saltou de cerca de 12,8 milhões de sacas em 2014 para mais de 17,4 milhões de sacas em 2025, um avanço superior a 33%.
Cafezinho em vários idiomas
A presença global do café capixaba também chama atenção. O produto alcança 92 países, considerando todas as formas (grão e solúvel), com destaque para mercados como Turquia, México e Bélgica, no café cru, e Estados Unidos e Indonésia, no café solúvel.
Além dos números, a cafeicultura tem forte impacto social no Espírito Santo. São mais de 75 mil propriedades com cultivo de café, representando quase 70% das propriedades rurais capixabas. Trata-se de uma atividade amplamente distribuída, com forte presença da agricultura familiar, gerando renda, emprego e dinamizando as economias locais.
Regionalmente, o Espírito Santo apresenta uma estrutura produtiva complementar: o conilon domina as regiões mais quentes e de menor altitude, com destaque para municípios como Rio Bananal, Linhares e Vila Valério; enquanto o arábica se concentra nas regiões montanhosas, com polos como Brejetuba, Iúna e Irupi. Essa diversidade produtiva amplia a resiliência do setor e fortalece a identidade do café capixaba.
A gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Santos Silva, reforçou o papel do Estado na promoção de qualidade e inovação no setor. “O Espírito Santo tem se destacado não apenas pelo volume produzido, mas pela evolução constante na qualidade e na sustentabilidade da cafeicultura. Esse avanço é fruto de políticas públicas, assistência técnica e do empenho dos produtores, que têm investido cada vez mais em tecnologia e boas práticas”, afirmou.
A busca por qualidade e diferenciação no mercado de cafés levou uma propriedade de Jaguaré a alcançar um feito inédito no município: a obtenção do selo de Indicação Geográfica do Café Conilon do Espírito Santo para café torrado. O reconhecimento agrega valor ao produto ao atestar procedência, rastreabilidade e o cumprimento de boas práticas de produção.





