Mais lidas 🔥

Investigação
Operação prende suspeitos de fraude na comercialização de café no sul do ES

Mudança de vida
Do concreto ao cafezal: uma história de transformação no interior capixaba

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 20 de julho

Atenção no campo
Cooabriel alerta produtores para gestão da água diante do El Niño

Piscicultura capixaba
Tilápia vira destaque na mesa dos capixabas e aquece o setor

O excesso de garantias exigidas na contratação do crédito rural dominou as discussões da reunião promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para debater as propostas da região Sudeste ao Plano Safra 2026/2027. O encontro foi realizado na terça-feira (7), em Linhares, no Espírito Santo, e reuniu produtores, federações e sindicatos rurais da região.
A proposta da reunião foi levantar demandas e particularidades do setor agropecuário em temas como crédito rural, políticas de apoio à comercialização e gestão de risco. Na avaliação dos participantes, porém, a principal preocupação hoje está no endurecimento das condições de financiamento, especialmente em relação às garantias exigidas pelas instituições financeiras.
Na abertura do encontro, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Júlio da Silva Rocha, afirmou que a construção coletiva de sugestões para o Plano Safra é essencial para fortalecer o setor. Segundo ele, o atual cenário preocupa os produtores.
“Temos vivenciado um Plano Agrícola e Pecuário que não tem sido muito positivo, especialmente no que diz respeito às garantias, o que tem gerado preocupação entre os produtores”, destacou.
O assessor técnico da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, Guilherme Rios, explicou que a entidade realiza anualmente encontros regionais com o setor produtivo para consolidar uma proposta técnica a ser encaminhada ao governo federal. Durante a reunião, ele apresentou dados que mostram queda nas contratações do Plano Safra.
De acordo com Rios, na safra 2025/2026 houve redução de 13% nas contratações em relação ao ciclo anterior, sem considerar as Cédulas de Produto Rural (CPR). Para ele, o recuo reflete a dificuldade crescente dos produtores em acessar os recursos.
“Não temos visto o crédito chegando na mão do produtor, pois não há recurso disponível. Aqueles que conseguem acessar, relatam redução de limites e exigência maior de garantias, evidenciando um endurecimento do mercado de crédito”, afirmou.
Entre os principais entraves apontados pelos produtores está a alienação fiduciária, considerada um dos fatores que mais dificultam o acesso ao crédito rural. Segundo os relatos apresentados no encontro, arrendatários enfrentam barreiras ainda maiores para conseguir financiamento, uma vez que a exigência desse tipo de garantia tem se intensificado.
Os participantes também relataram que os bancos vêm ampliando as exigências em meio ao avanço do endividamento rural. A preocupação do setor é que muitas propriedades já estejam comprometidas em operações anteriores, o que reduz a capacidade de contratação de novos financiamentos e restringe ainda mais o acesso ao crédito.
Com o debate, a CNA reúne contribuições do Sudeste para a formulação das propostas que serão encaminhadas ao governo no âmbito do Plano Safra 2026/2027. A expectativa do setor é que o próximo ciclo enfrente os gargalos do financiamento e amplie, de fato, o acesso dos produtores aos recursos oficiais.

Custeio – Outra demanda da região Sudeste é em relação às linhas de custeio agropecuário. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi apontado o aumento do limite da renda bruta anual de R$ 250 mil para R$ 300 mil e redução das taxas de contratação que variam de 0,5% a 8,0% ao ano.
Investimento – Em relação aos programas de investimento, foram mencionados o Renovagro, Proirriga e Construção e Ampliação de Armazenagem (PCA). No caso do PCA, a justificativa é o aumento da produção de grãos e a necessidade de fomentar condições para que o produtor tenha mais autonomia e possa escolher o melhor momento para comercializar seus produtos.




