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O café é a principal base econômica do agro capixaba, mas o Espírito Santo não depende apenas dele. Em 2024, o café conilon respondeu por 38,56% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA) estadual, enquanto o arábica representou 13,72%. Juntas, as duas espécies somaram 52,28% do valor gerado no campo.
A outra metade da produção mostra a diversidade do estado. Na sequência aparecem cadeias como pimenta-do-reino, com 6,97% do VBPA; ovos de galinha, com 5,80%; banana, com 3,02%; leite, com 2,61%; abate de aves, também com 2,61%; mamão, com 2,51%; cacau, com 1,70%; e tomate, com 1,43%.
Esse conjunto revela uma base produtiva espalhada por diferentes regiões e perfis de propriedade. Além do café, o Espírito Santo reúne culturas estratégicas como gengibre, mamão, banana, cacau, pimenta-do-reino e olericultura, além de atividades importantes na produção animal, como leite, ovos, aves, pescado e aquicultura.
A diversidade reduz a dependência de uma única cultura e fortalece a capacidade do estado de responder a oscilações de clima, preços e mercado. Quando diferentes cadeias avançam, a renda circula de forma mais distribuída, alcançando municípios com perfis produtivos distintos.
Produtos com nome e sobrenome
As indicações geográficas entram nesse contexto como uma estratégia de valorização da origem. O Espírito Santo possui registros associados a produtos e territórios tradicionais, como Cacau em Amêndoas de Linhares, Inhame de São Bento de Urânia, Socol de Venda Nova do Imigrante, Café Conilon do Espírito Santo e cafés arábica das regiões das Montanhas do Espírito Santo e do Caparaó.
Em 2023, o estado também conquistou a indicação geográfica da pimenta-rosa de São Mateus, reconhecida pelo INPI como Indicação de Procedência. Com isso, o produto passou a integrar a lista de ativos territoriais que associam qualidade, tradição, reputação e origem.
Na prática, as indicações geográficas ajudam a transformar produtos agropecuários em marcas territoriais. Elas valorizam o produtor, fortalecem a identidade local, ampliam a diferenciação no mercado e abrem caminho para estratégias ligadas ao turismo, à agroindústria e à agregação de valor.
No Brasil, as IGs podem ser de dois tipos. A Indicação de Procedência (IP) identifica locais que se tornaram conhecidos por determinado produto ou serviço. Já a Denominação de Origem (DO) reconhece produtos cujas características dependem diretamente do ambiente geográfico, como clima, solo, relevo e saberes humanos acumulados ao longo do tempo.
Conheça as Indicações Geográficas do Espírito Santo
Panelas de Barro de Goiabeiras (IP)
Produzidas em Vitória, as panelas de barro de Goiabeiras estão entre os bens mais conhecidos da cultura capixaba. O trabalho das paneleiras envolve técnicas tradicionais de coleta, modelagem, queima e acabamento, preservando um ofício associado à culinária, à memória e à identidade do Espírito Santo.
Mármore de Cachoeiro de Itapemirim (IP)
Cachoeiro de Itapemirim é referência nacional na produção de mármore e no beneficiamento de rochas ornamentais. O reconhecimento por Indicação de Procedência destaca a tradição produtiva do município e a importância da atividade para a economia capixaba.
Cacau em Amêndoas de Linhares (IP)
Linhares tem trajetória consolidada na produção de cacau em amêndoas. A IG reforça a reputação da região e contribui para valorizar a cadeia do cacau, especialmente em um contexto de maior interesse por produtos de origem rastreável, qualidade diferenciada e práticas sustentáveis.
Inhame da Região São Bento de Urânia (IP)
A produção de inhame em São Bento de Urânia, distrito de Alfredo Chaves, é associada ao cultivo familiar e às condições naturais da região serrana. O reconhecimento fortalece um produto tradicional da agricultura local e amplia sua identificação com o território de origem.
Socol de Venda Nova do Imigrante (IP)
O socol é um produto típico de Venda Nova do Imigrante e representa a influência da imigração italiana na gastronomia das Montanhas Capixabas. Feito a partir de carne suína curada, o produto se tornou símbolo cultural e turístico do município.
Café Conilon do Espírito Santo (IP)
A IG do café conilon reconhece o papel do Espírito Santo como principal produtor nacional da variedade. O selo valoriza a organização da cadeia produtiva, a evolução tecnológica no campo e a experiência acumulada por produtores capixabas ao longo de décadas.
Pimenta-do-reino do Espírito Santo (IP)
A pimenta-do-reino é uma das culturas de destaque no norte capixaba. A Indicação de Procedência reconhece a reputação da produção estadual e contribui para fortalecer a origem, a qualidade e a inserção do produto em mercados mais exigentes.
Pimenta-rosa de São Mateus (IP)
São Mateus é reconhecido pela produção de pimenta-rosa, especiaria extraída da aroeira-vermelha. A IG valoriza o vínculo entre o produto, o território e os modos tradicionais de coleta e beneficiamento presentes na região.
Beiju do Sapê do Norte (IP)
O beiju do Sapê do Norte está ligado às comunidades quilombolas de São Mateus e Conceição da Barra. Produzido a partir da mandioca, o alimento carrega conhecimentos tradicionais, práticas comunitárias e elementos da ancestralidade quilombola no norte do estado.
Cafés Arábica das Montanhas do Espírito Santo (DO)
A Denominação de Origem dos cafés arábica das Montanhas do Espírito Santo reconhece a influência da altitude, do clima ameno, do relevo e do manejo dos produtores na qualidade da bebida. A região se destaca pela produção de cafés especiais com identidade sensorial própria.
Cafés Arábica da Região do Caparaó (DO)
Na região do Caparaó, a produção de cafés arábica é marcada por lavouras em áreas de montanha, práticas cuidadosas de colheita e pós-colheita e forte presença em concursos de qualidade. A Denominação de Origem reconhece a ligação direta entre o território e as características dos grãos.





