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Após mais de duas décadas de negociações, os países da União Europeia confirmaram apoio majoritário ao acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a formalização do maior tratado de livre comércio já firmado entre os dois blocos. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (9).
O texto ainda precisa ser analisado e aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, mas a expectativa é de que o Mercosul assine o acordo no dia 17 de janeiro.
Para o Brasil, principal economia do bloco sul-americano, o avanço representa uma mudança no acesso ao mercado europeu, que reúne cerca de 451 milhões de consumidores e alto poder de compra. No centro desse movimento está o agronegócio brasileiro, um dos setores mais diretamente impactados pelo acordo.
Agro brasileiro ganha protagonismo
O tratado prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, além da harmonização de regras sanitárias, ambientais e regulatórias. No caso do agro brasileiro, o acordo amplia a competitividade de cadeias estratégicas como carnes, grãos, açúcar, etanol, café e suco de laranja, ao mesmo tempo em que exige maior rastreabilidade, conformidade ambiental e transparência produtiva.
Resistência de agricultores europeus
Apesar do apoio majoritário, o acordo segue enfrentando forte oposição de setores agrícolas da Europa, especialmente na França. Produtores rurais franceses argumentam que a entrada de produtos do Mercosul pode gerar concorrência considerada desleal, devido a diferenças nos custos de produção e nos padrões ambientais.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou publicamente a posição contrária de Paris, afirmando que os ganhos econômicos do acordo seriam limitados para a economia europeia. A Irlanda, além de Hungria e Polônia, também se posicionou contra o texto, alegando riscos ao setor agropecuário local.
Itália destrava consenso
A virada decisiva ocorreu com a sinalização favorável da Itália. O apoio italiano foi condicionado à inclusão de salvaguardas para os agricultores do país e ao reforço de recursos financeiros destinados ao setor. A Comissão Europeia anunciou a intenção de acelerar a liberação de até 45 bilhões de euros em apoio à agricultura, medida classificada pela primeira-ministra Giorgia Meloni como um avanço relevante.





