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Sustentabilidade

Metaverso, home office e profissões digitais: qual o futuro do mercado de trabalho?

por Fernanda Zandonadi

em 21/06/2022 às 16h09

4 min de leitura

Metaverso, home office e profissões digitais: qual o futuro do mercado de trabalho?

“O que faz você feliz?” Foi com essa pergunta que a ex-secretária de Meio Ambiente do Espírito Santo, Diane Rangel, se dirigiu à plateia que acompanhou atenta sua palestra durante o Sustentabilidade Capixaba, evento que aconteceu em Linhares em 13 e 14 de junho. Se o questionamento parece simples num primeiro momento, traz consigo análises profundas do que cada um de nós busca na vida pessoal e no trabalho. 

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Na palestra, Diane falou das tantas mudanças que o mercado e o mundo passam. As novas tecnologias fecham vagas e abrem outras tantas, carentes de mão de obra especializada. Ela falou, ainda, do metaverso, home office e da necessidade de que a sustentabilidade ambiental, social e econômica seja implantada de forma regular em todas as áreas da vida e como a tecnologia pode ajudar nesse processo, se aliada à educação de qualidade.

Confira alguns pontos abordados durante a palestra:

Home Office

  • A tendência é termos mais home office. Isso veio para ficar. Não acho que a quantidade de trabalho vai diminuir. Mas acredito que, cada vez mais, vamos precisar desenvolver uma visão sistêmica e multitarefa. O trabalhador terá de compreender o todo, não apenas o pedaço. A partir do fordismo, nos especializamos muito. Isso vai mudar um pouco. Mesmo na medicina, que é tão especializada, existe uma nova modalidade: a medicina integrativa. Hoje, estamos numa esquina civilizatória muito forte. A mudança que vivemos é muito grande. 

Metaverso

  • O metaverso terá muita função na parte de educação, na minha opinião. Tem um livro de ficção chamado O Dono do Tempo. Era uma pessoa muito rica que não queria morrer. O legado dele não seria suficiente para ele resistir ao tempo. Ele investiu pesado em tecnologia, voltada para a longevidade, inclusive na criogenia.
  • Passados muitos anos, ele achava que estava vivo, mas um dia viu no teto que, na verdade, ele era uma peça de museu e as pessoas se aproximavam dele para sentir. Pois ele ainda tinha sentimentos. Hoje vivemos num mundo muito focado no ter. O metaverso é onde pode-se ter tudo, desde que se pague. Então é uma sociedade alternativa num universo paralelo. No futuro, teremos o papel do metaverso muito mais claro.

Mudanças no mundo

  • O mundo mudou. A internet, a crise de 2008 e a Covid trouxeram mudanças profundas, seja no trabalho ou na economia, seja no universo pessoal. Discutir isso é fundamental. As habilidades necessárias hoje para se ter empregabilidade nesse novo mundo são diferentes das habilidades de há cinco anos. Se hoje a pessoa não tem o mínimo de habilidade tecnológica, está fora do mercado de trabalho. E isso desde os empregos mais simples aos mais especializados. 

Metaverso e profissões que somem, profissões que nascem

  • As profissões não vão sumir completamente, mas vão mudar. Se falamos de motoristas. Não temos muitos motoristas mais. Em algum tempo, teremos carros que não precisam de pessoas para dirigir. No entanto, esse motorista pode migrar para fazer a gestão dessa frota. Fazer a gestão das vias, para ter carro disponível para todos. É possível migrar  esse motorista para profissões que exijam as habilidades de alguém que pegue o volante, como atenção e paciência.
  • Todos achavam que os alfaiates iriam sumir do mercado. É uma profissão que não acabou e não vai acabar no futuro. Mas ela se modificou. Teremos alfaiates digitais. Hoje, se você quiser comprar uma roupa numa loja muito famosa, você faz seu avatar com suas medidas. A loja mostra a roupa em seu avatar, faz as correções e manda a roupa para você. Quando imaginamos ter um alfaiate ou uma costureira digital? E isso já é realidade.

Desenvolvimento das nações

  • Observamos que o mundo virou três grandes players. Poucas nações que estão na ponta e vendem tecnologia. Depois vem as nações fornecedoras de produtos. Na base da pirâmide, vende commodity. O Brasil está nessa categoria. Pegar o PIB brasileiro ou do Espírito Santo é muito vocacionado a vender commodity. Converter isso, só investindo em educação. E ideologicamente. Precisamos ter uma educação fundamental e média de altíssima qualidade. Essas pessoas estarão incluídas, assim, nesse novo mundo, um mundo líquido, onde as coisas se movem com muita rapidez.

Tripé sustentável

  • A sustentabilidade é mais do que o ambiental. É um tripé com meio ambiente, social e econômico. Dessa forma, eles precisam estar equilibrados. Quando há crises de qualquer natureza, a parte ambiental é a primeira a ser flexibilizada. A parte econômica é mais difícil de flexibilizar, já que ela geralmente foi a que fragilizou a sustentabilidade. Por isso temos de pensar na sustentabilidade como sistêmica.