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As práticas de correção de solos conhecidas como calagem e gessagem podem fazer com que a produtividade das lavouras de grãos e outros produtos agrícolas aumentem em até cinco ou seis vezes, a depender do estado nutricional inicial do solo, se já corrigido alguma vez ou não. A estimativa é do pesquisador da Embrapa, Alexandre Agiova, lembrando que essa elevação da produtividade depende de muitas variáveis como por exemplo a cultura e a fertilidade atual do solo a ser cultivado.
De acordo com o pesquisador, em áreas de produção de grãos, como soja e milho, por exemplo, pelo menos a cada três a quatro anos é necessário refazer a correção de solo, em aplicação de corretivo em cobertura. “Se não fizer nada no solo, a produtividade cai tanto que a colheita não paga nem o investimento do plantio ”, conta o Agiova.
A correção do solo é superficial, numa camada geralmente de 0 a 20 centímetros de profundidade, sendo feita neste caso a calagem. Se detectado pela análise do solo, acidez subsuperficial a correção é feita com gesso, em camadas abaixo de 35 a 40 cm.
Calagem é a aplicação de corretivo, com colocação de calcários no solo e tem o objetivo de neutralizar o alumínio, que é tóxico para as plantas. A calagem pode disponibilizar cálcio e magnésio também, nutrientes essenciais às plantas, se utilizado calcário magnesiano.
Já a gessagem consiste em empregar gesso para corrigir o perfil do solo em camadas mais profundas, entre 35 e 60 cm de profundidade, e suprir a necessidade das plantas de cálcio e enxofre.
“Isso possibilita que as raízes cresçam e busquem água e nutrientes mais profundamente e resistam melhor aos períodos de estiagem ”, explica o pesquisador da Embrapa.
Agiova diz que a necessidade de correção acontece em qualquer região brasileira. “Isso vale para solo tropical ou subtropical, do Rio Grande do Sul ao Pará ”, acrescenta.
O pesquisador afirma que, por terem objetivos diferentes, as duas práticas são complementares. Ambas requerem a gradagem pesada do solo para a incorporação dos nutrientes e, posteriormente, gradagens intermediárias e niveladoras antes da semeadura.
As quantidades de corretivo adequadas devem ser indicadas por um técnico, após o exame de análise do solo, que também define melhor momento da aplicação. As doses do corretivo são prescritas considerando o grau de exigência da cultura que será introduzida, além da situação do solo. Depois de corrigido deve-se adotar o plantio direto, não movimentando mais o solo.


