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A tendência atual de diversas empresas multinacionais como Nestlé, Danone, Unilever, entre outras, que adotam os orgânicos como opção comercial, poderá abrir uma perspectiva para que esse tipo de alimento também possa suprir a demanda global.
A constatação é de Fábio Ramos, diretor da Agrosuisse e especialista em orgânicos. Segundo ele, “é fácil avaliar pela preocupação desses grandes grupos que apoiam os orgânicos a possibilidade de ampliar a oferta ”.
Em declaração no podcast da revista Animal Business Brasil, o consultor afirma que “é preciso vontade política por parte dos empresários para o desenvolvimento de tecnologias baseadas nos princípios da agroecologia ”. Dessa forma, conclui Ramos, “seria possível atender à demanda de alimentos no mundo com os produtos orgânicos ”.
“É perfeitamente factível tecnicamente e comercialmente. Em termos de mercado, é o que o consumidor deseja ”, acrescenta o especialista, lembrando que hoje em dia há uma tendência de consumo focada nos alimentos mais saudáveis e sustentáveis, e com maior qualidade.
Ramos também chama a atenção para a “falta direcionamento estratégico nas políticas públicas e a falta de ética sócio-ambiental e de saúde pública nas empresas privadas que muitas vezes conduzem o modelo de produção de alimentos ”.
“Tudo vai depender da escolha do modelo tecnológico a ser seguido ”, afirma o consultor. “Mas se continuarmos a ter uma filosofia de vida pautada apenas nos grandes lucros e uma linha de pensamento em as grandes empresas precisam se tornar verdadeiros impérios concentradores de riqueza, neste caso o caminho vai ser muito árduo para que o alimento orgânico atenda à demanda global ”.
Agroecologia
Segundo Ramos, a agroecologia é uma resposta científica para um novo modelo de produção. “Assim como eu, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) também direciona toda a sua produção de alimento para modelos sustentáveis ”.
Nesse cenário, o especialista explica que há diversos centros no mundo que discutem agroecologia, “chegando a ser adotada por políticas públicas em alguns países que trabalham o conceito de biorregião como direcionamento para a produção de alimentos ”.
“Gostaria que houvesse mais esforços nessa direção por parte dos responsáveis por políticas públicas e privadas no Brasil ”, finaliza Ramos.




