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Perdas no conilon do Espírito Santo na safra 2016 começam a ser colhidas

por Redação Conexão Safra

em 29/04/2016 às 0h00

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Perdas no conilon do Espírito Santo na safra 2016 começam a ser colhidas

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Agrônomo mostra fruto de café conilon, cultivado na região da Cooabriel, no Espírito Santo // Foto: Café Editora

A expectativa para a safra brasileira de café conilon já se baseava em uma quebra desde o segundo semestre de 2015, quando a seca se intensificou no Estado do Espírito Santo, maior produtor da espécie no Brasil. Neste mês de abril os cafeicultores iniciaram suas colheitas da safra 2016, mas o clima não é de comemoração. A Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel) acompanha as dificuldades enfrentadas por seus mais de 5 mil associados. “Aqueles produtores que ano passado estavam com dificuldade por conta da restrição no uso da água, não estão mais irrigando mesmo. Não tem mais água ”, explica o engenheiro agrônomo e gerente de Assistência Técnica da Cooabriel, Wander Ramos Gomes.
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A restrição trouxe atraso no crescimento e desenvolvimento dos cafeeiros, mas é agora, com o início da colheita, que a quebra em produção se confirma e, aos poucos, traz números específicos. Na área de atuação da Cooabriel, técnicos acreditam que entre esta semana e a primeira semana de maio os trabalhos vão se intensificar. “A partir de agora a Cooperativa espera conseguir contabilizar o impacto da seca. O café precoce esse ano sofreu muito. O tardio e o médio começou a encher mesmo em janeiro, mas ainda assim não foi muito diferente ”, avalia Wander.

A Cooperativa trabalha com a situação de granação em três fases:
1ª fase – café precoce: os frutos começaram a encher em novembro/dezembro de 2015 e terminaram em janeiro de 2016. Nesse período, as plantas estiveram sem água e em altas temperaturas. Resultado, a Cooabriel acredita que cafés dessa fase renderão em 170 sacos maduros &ndash, sendo entre 18 a 20 sacas beneficiadas/hectare.

2ª fase – café médio: o grão encheu mais em janeiro e fevereiro de 2016, o que deve resultar em um café mais pesado, mais próximo da normalidade. Rendimento esperado de 170 sacos maduros equivalendo de 38 a 40 sacas de café beneficiado.

3ª fase – café tardio: este café teve granação e desenvolvimento só em janeiro de 2016, já que os meses de fevereiro e março foram de pouca chuva e, segundo Wander, deve encher um pouco mais neste mês de abril. O grão será, portanto, de café leve: não tanto quanto o da 1ª fase, mas ainda assim, distante do que seria normal. “Eu acredito que em torno de 30 a 33 sacas de café beneficiado, em um total de 170 sacos maduros ”, completa o agrônomo.

O que se considera normal, explica Wander, é que o café rendesse de 40 a 44 sacas de café beneficiado. “O café acabou ficando miúdo. Temos trabalhado com uma redução no tamanho do grão de 20 a 30% ”, conta sobre o efeito, que já tem sido notado de forma visual nos frutos que ainda não foram colhidos. Para efeito de comparação, o café avaliado pela Cooabriel do ano passado nesta mesma época tinha cerca de 85% de peneira 12 acima. “Já o café deste ano, os primeiros que estamos vendo, está dando muita diferença. Peneira alta não está dando praticamente nada ”, alerta o gerente.
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O mesmo problema e impacto tem sido notado pela Cooperativa em suas áreas de atendimento no estado da Bahia. O estado é, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o segundo no País em produção de café conilon. A Cooabriel atende a região Sul da Bahia, onde produtores têm relatado sérios problemas em decorrência da seca. “Na região sul da Bahia, de forma geral, choveu também em janeiro, um pouco mais do que no ES, entre 250 e 350 mm ”, informou Alexandre, meteorologista da Climatempo, esclarecendo que nos meses de fevereiro e março, entretanto, a chuva voltou a ser escassa na região baiana. A expectativa da Climatempo é de que as temperaturas sigam elevadas, com média acima de 30°C nos próximos dias.

Recuperação de nascentes
A seca impossibilitou a captação de água de reservatórios que os produtores construíram em suas propriedades e viram, agora, secar. “As lavouras não cresceram no ritmo correto e como os reservatórios estão baixos, algumas possibilidades são trocar sistemas irrigação de aspersão por gotejamento, aumentar o reservatório, ou mesmo reduzir a lavoura ”.

Buscando soluções de longo prazo, a Cooabriel trabalha com uma equipe que prepara o reflorestamento de uma microbacia local. “O objetivo é a recuperação de nascentes e para isso vamos fazer reunião com os produtores e envolve-los no projeto ”, afirma Wander. O início do trabalho está previsto para o segundo semestre deste ano, quando a Cooperativa pretende começar a recuperação 30 nascentes que formam uma micro bacia na área do município de Nova Venécia (ES).

Coopeavi
Em outra importante cooperativa capixaba, a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), a vivência no campo também vem confirmando quebra. “Produtores da região Serrana do ES falam em quebra mínima de 20%, já na região Norte e Sul do ES, a previsão está menos otimista, estima-se uma queda superior aos 30% ”, destacou a Cooperativa ao CaféPoint.

“Em algumas regiões, do conilon principalmente, já há produtores iniciando a colheita do café. Nos cafezais arábica, por serem geralmente plantados em regiões mais frias, o começo da colheita demora um pouco mais a começar ”, esclarece a Coopeavi, que atua em diversas regiões do Estado do Espírito Santo.

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