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Renato Casagrande, Governador do estado do Espírito Santo

Após a Audiência Pública do Caparaó realizada em Alegre, no final do mês de março, o governador Renato Casagrande concedeu uma entrevista exclusiva para a Revista SAFRA ES.

por Redação Conexão Safra

em 23/05/2014 às 0h00

9 min de leitura

Após a Audiência Pública do Caparaó realizada em Alegre, no final do mês de março, o governador Renato Casagrande concedeu uma entrevista exclusiva para a Revista SAFRA ES. Determinado e otimista, o governador fala dos desafios e do futuro da agricultura capixaba. Confira.


Direção do governo na agricultura

Revista SAFRA ES &ndash, Assistência técnica aos produtores e o incentivo ao uso de novas tecnologias tem sido o principal discurso quando o assunto é aumentar a produtividade da agricultura capixaba. Está sendo a principal direção do seu governo?

Governador Renato Casagrande – Estamos trabalhando em diversas frentes, em diversas ações, com objetivos que estão sendo atingidos especialmente quando tratamos da aplicação de novas tecnologias, da transferência destas tecnologias, da assistência técnica.

Estamos fortalecendo o Incaper. Agora mesmo autorizamos a contratação de mais 24 técnicos para a entidade. Entregamos diversos veículos para apoiar o trabalho dos técnicos do Incaper, contratamos diversos profissionais para o IDAF, adotamos diversas políticas de fortalecimento do Incaper, do IDAF e da Ceasa, neste último caso descentralizando o trabalho.

Estamos orientando, de fato, o agricultor na adoção de novas tecnologias, de novas variedades, para que ele tenha mais produtividade, mais qualidade, com respeito ao meio ambiente, porque quem não tiver essa preocupação, não consegue e não conseguirá sobreviver na agricultura.

Então uma frente de serviço é essa: apoio técnico, científico, tecnológico ao agricultor para que ele possa adotar novas práticas para que tenha mais produtividade e, consequentemente, dar a ele mais renda que é o que ele precisa ter para sustentar suas famílias, seus funcionários, seus meeiros. E é isso que estamos fazendo.


Infraestrutura Rural

SAFRA
– E os programas ligados à Infraestutura no Campo?

Governador &ndash, É a outra vertente do nosso trabalho, com excelentes programas, porque temos que dar ao agricultor boas condições de trafegar nas rodovias municipais, de chão, de estrada, de terra, por isso o nosso grande apoio aos municípios, entregando equipamentos para a produção da agricultura e para associações. São muitos equipamentos como escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras, caminhões, pás mecânicas, motoniveladoras, descascadores de café, secadores de café, e microtratores, por exemplo. Em programas como Caminhos do Campo, estamos chegando nestes quatro anos de governo a 565 quilômetros.

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Telefonia Móvel e Internet

SAFRA – A Comunicação no Campo também tem recebido investimentos contínuos do governo, com inaugurações em todo o estado.

Governador – Adotamos e estamos levando telefonia móvel e internet para o campo. Se o agricultor tem condições de ter uma boa estrada, telefone celular e internet e ele não tem, o filho dele pode não ficar na propriedade, ele também pode não ficar na propriedade, se esses benefícios estão disponíveis apenas nas cidades.
As pessoas querem buscar sempre uma coisa melhor. E isso é um trabalho que tem dado um grande ânimo ao interior do estado. Outro exemplo importante é o programa Energia Mais Produtiva. Neste caso, trocamos energia monofásica para trifásica.

Essas são apenas algumas ações de investimento que o governo do estado está fazendo na infraestrutura coletiva e também junto às propriedades que tem dado um dinamismo muito grande e também orientando para que as políticas do governo estadual e federal possam chegar através de crédito aos nossos agricultores.




Juventude e Educação no Campo

SAFRA – Como o senhor vê a expectativa dos jovens permanecerem no campo?

Governador – Se foi difícil até aqui convencer os jovens a ficar no campo, porque não tinham as mesmas condições que encontram na cidade, agora estamos fazendo um mutirão para levarmos mais desenvolvimento também para o interior dos municípios.

Recentemente entregamos em São Pedro de Rates, distrito de Guaçuí,
uma unidade beneficiadora de polpa de fruta e cerca de 40 unidades ainda serão entregues para grupos de jovens em todo o estado.

Não adianta um governo pensar apenas nas cidades do interior, precisamos pensar nas comunidades destes municípios, nos distritos, que muitas vezes nunca viram o governador, e que agora está vendo. Estamos
levando até lá muitos benefícios, por vezes telefonia, internet, equipamentos, máquinas, crédito, Caminhos do Campo, veículo para atender a assistência técnica. Isso é necessário e estamos atuando nestas frentes.

Temos um trabalho nas escolas com a pedagogia de alternância nas Escolas Famílias Agrícolas. Nosso compromisso é o de contratar essas escolas para que elas possam formar profissionais, jovens que estão na agricultura, para que fiquem no campo. Hoje já não se pode mais trabalhar apenas com esforço físico. É um trabalho pesado, mas os agricultores têm que ter microtrator, ou trator,
roçadeira,
não podem mais pegar a foice, a enxada, ou o enxadão e achar que vai resolver tudo só no braço, ninguém quer fazer só isso, apenas para um ajustamento, um detalhe, e para isso precisam de equipamentos.

É importante dar à juventude a noção clara de que ela pode aprender com a agricultura, sendo um profissional capacitado, reconhecido e com renda. Isso é tarefa nossa, da administração pública, junto com as escolas e os municípios.


Tecnologia e Produtividade

SAFRA – Qual é a mensagem que o senhor deixa para os agricultores capixabas e suas famílias?

Governador – Me orgulho em poder trabalhar hoje com nossos produtores e agricultores que vivem da atividade do campo, porque vejo todo o seu esforço e resultado. O estado do Espírito Santo é um estado valente na agricultura. Um estado que ocupa apenas 0,5% (meio por cento) do território brasileiro e que produz, por exemplo, 25% (vinte e cinco por cento) do café do Brasil.

E é um estado que além do café tem a fruticultura, a pecuária, a seringueira, o eucalipto. Que possui diversas atividades que sustentam a agricultura, como o turismo rural, a agroindústria e diversas ações que hoje sustentam as famílias. Então me orgulho de reconhecer o esforço e o trabalho dessas famílias.

Ao mesmo tempo deixo um alerta: não tem nenhuma condição de a pessoa sobreviver da agricultura se não tiver tecnologia e produtividade. Por exemplo, a região sul tem menor produtividade do café do que a região norte. Então é necessário que façamos investimentos em produtividade, em variedades novas, para que tenhamos a condição de ter renda na agricultura.

Ninguém vive se ele não tiver um resultado do seu trabalho, o esforço de quem trabalha é muito grande, então vamos aliar esse esforço às novas tecnologias para que possamos ter cada vez mais um estado equilibrado. E a agricultura é o caminho do equilíbrio do nosso desenvolvimento. Mais de 60 municípios do estado dependem basicamente da agricultura para sobreviver. Então é muita responsabilidade do estado, mas também muita responsabilidade das famílias capixabas que trabalham com a agricultura.


José Renato Casagrande

Governador do estado do Espírito Santo



Renato Casagrande nasceu
em Castelo,
em 3 de dezembro
de
1960. É

engenheiro
florestal e bacharel
em
Direito.

Ingressou na política como dirigente do Centro Acadêmico, no
movimento estudantil
na
Universidade Federal de Viçosa
onde se graduou. No mesmo período, Casagrande militava no
Partido Comunista do Brasil.

Após a conclusão do curso de Engenharia Florestal, Renato Casagrande retornou para
Castelo, onde integrou um grupo de jovens militantes interessados em renovar a política do município. Também foi um dos colaboradores na fundação da Associação Castelense de Proteção Ambiental &ndash, ACAPA. Foi presidente da Associação Acadêmico Castelense (AAC), além de organizador da primeira associação de moradores do município de Castelo.

Exerceu o cargo de Secretário de Desenvolvimento Rural da Prefeitura Municipal de Castelo de 1984 a 1987, quando iniciou o curso de Direito pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim.

Casa-se com Maria Virgínia, com quem tem dois filhos, Victor e Milla. Filiado ao
Partido Socialista Brasileiro, elegeu-se
deputado estadual
(1991-1994). Em 1994, foi indicado pelo partido para compor a chapa do Governo do Estado tornando-se
vice-governador
(1995-1999). Em janeiro de 1995, ainda como vice-governador, assumiu o cargo de Secretário de Estado da Agricultura, tendo se desincompatibilizado em abril de 1998 para disputar o Governo do Espírito Santo. Em
1998
candidatou-se a governador
do
Espírito Santo, ficando em terceiro lugar. De abril de 1999 a outubro de 2001, Renato Casagrande exerceu o cargo de secretário de Meio Ambiente do município da
Serra,
Região Metropolitana da Grande Vitória. No mesmo ano, integrou o Conselho Estadual de Meio Ambiente e presidiu a Associação Nacional de Municípios de Meio Ambiente (ANAMMA), Seção Espírito Santo.

Secretário Geral da Comissão Executiva Nacional do PSB desde 2000, elegeu-se
Deputado Federal
em 2002 e foi o primeiro líder da bancada do partido a ser reeleito na
Câmara Federal
nos exercícios de 2005 e 2006. Assim, destacou-se na autoria do projeto que acabou com a remuneração aos parlamentares pelas sessões extraordinárias jetons no
Congresso Nacional
.

No ano de 2006 foi eleito
senador, com 62% dos votos válidos, o mais votado até então.

Logo no primeiro ano de mandato como senador, Casagrande assumiu a tarefa de relatar o processo de investigação do senador Renan Calheiros
como membro da comissão de Ética e Decoro Parlamentar, quando sugeriu a cassação do presidente no Congresso. Foi também vice-presidente da
CPI do Apagão Aéreo
do Senado.

No pleito de
pleito de 2010
elegeu-se governador do Espírito Santo, vencendo já no primeiro turno com 82,30% dos votos válidos. Renuncia ao mandato de senador e sua suplente,
Ana Rita, assume o cargo.

Fonte: Wikipedia.

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