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Famosa na culinária brasileira, mandioca também é conhecida, de acordo com a região do país, como aipim, castelinha, uaipi e macaxeira. Foto: DivulgaçãoMandioca, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira. Essa raiz, cujo nome varia de acordo coma região do Brasil, surgiu em território nacional muito antes da colonização portuguesa, conformerelatos de historiadores.
Elescontam quea primeira vez que os europeus tiveram acesso à farinha de mandioca, base da alimentação humana daquele tempo, foi em terras tupiniquins. E não é à toa que, até hoje, ela é considerada por muitoscomo o “Pão do Brasil ”.
Originária na América do Sul, a mandioca(Manihot esculenta Crantz)é um dos principais alimentos energéticos para mais de 700 milhões de pessoas em todo o planeta, especialmente nos países em desenvolvimento e notadamente em áreas mais pobres do Nordeste brasileiro.
Por aqui, os primeiros relatos de plantio vêm da Amazônia, mas já era conhecida emoutras localidades da América do Sul, além da América Central. Fora o Brasil, que ocupa a segunda posição de maior produtor do mundo, atrás da Nigéria, com 10% do cultivo global, atualmente essa raizé bastante cultivada em outros continentes, como África e Ásia.
CONSUMO
Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), Carlos Estevão Leite Cardoso cita dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO/ONU), que indicam: pouco mais de 50% da produção de mandioca vai para a alimentação animal, o restante (33,4%) édestinado à alimentação humana. Já as perdas respondem por 10%, e 6,4% de toda a produção são utilizadas para outras finalidades.
Designados ao consumo das pessoas, seus principais produtos derivados são a farinha de mandioca, fécula (ou amido) de mandioca e mandioca de mesa (macaxeira ou aipim).
“Estima-se que 22,1% da produção nacional de mandioca sejam destinadas à fabricação de farinha, 10% à produção de fécula e 2% ao consumoin natura, como mandioca de mesa (macaxeira ou aipim) ”, destaca Cardoso.
Segundoo pesquisador, os melhores preços da mandioca e derivados ocorrem entre os meses de dezembro e abril, podendo ocorrer variações regionais. Já os piores são observados de julho a outubro (na Bahia e no Paraná, dois importantes Estados produtores dessa raiz), período em que se concentra a oferta.
PRODUÇÃO NO BRASIL
Como se adapta facilmente, a mandioca é produzida emtodos os Estados brasileiros, o que lhe confere a oitava colocação entre os principais produtos agrícolas do país, em termos de área cultivada, e o sexto lugar em valor de produção, de acordo cominformações da EmbrapaMandioca e Fruticultura.
Outraunidade da estatal, localizada em Amapá (AP), estima que 65% da produção são utilizadas para o consumo humano, 25% para uso industrial, principalmente como amido, e 19% vai para a alimentação animal. As regiões brasileiras que mais produzem mandioca são Sudeste, com destaque para São Paulo, Sul, especialmente em Paraná e Santa Catarina, e Nordeste, além dos Estados de Alagoas, Bahia e Sergipe.
VARIABILIDADE
Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, a engenheira agrônoma Wania Maria Gonçalves relata, na publicação “O produtor pergunta, a Embrapa responde: Mandioca ”(link encurtado: ow.ly/Q0ta305Qxwj), que a cultura dessa raiz apresenta ampla variabilidade genética, representada pelo grande número de variedades disponíveis em todo o País.
Até 2006, ano de veiculação do documento da estatal, já haviam sido catalogadas, somente no Brasil, mais de quatro mil variedades, mantidas em coleções e bancos de germoplasmas de inúmeras instituições de pesquisa. “A maioria dessas variedades é fruto do trabalho de seleção e conservação dos agricultores em suas lavouras, durante anos seguidos ”, comenta Wania.
A especialista informa que a mandioca caracteriza-se por adaptação ampla, sendo cultivada em todas as regiões tropicais, adaptando-se, assim, às mais diferentes condições edafoclimáticas. Mas “o comportamento de uma variedade pode variar mesmo entre lavouras de agricultores da mesma região, em decorrência de diferenças de solo ou mesmo de manejo do cultivo ”, pondera.
Por ser uma planta rústica, possui ampla capacidade de adaptação às condições mais variadas de clima e do solo. “Independentemente de sua ampla variabilidade genética e de sua interação com o ambiente, os principais parâmetros ecológicos da mandioca são constituídos pela temperatura, pela radiação solar e foto-período, pelo regime hídrico e pelo solo ”, relata a pesquisadora.
CONDIÇÕES PARA CULTIVO
Apesar de existir em praticamente todos os cantos do país, o cultivo de mandioca exige alguns critérios, conforme orientam os pesquisadores Laercio Duarte Souza e Luciano da Silva Souza, da Embrapa Mandioca e Fruticultura.
As condições ideais para essa cultura são:
* Localização entre as latitudes 20° ao Norte e 20° ao Sul,
* Altitude de até 800 metros,
* Média anual de temperatura entre 20°C e 27°C,
* Precipitação pluvial média anual entre 1.000 milímetros e 1.500 mm, distribuídos entre oito e nove meses,
* Período de luz solar próximo de 12 horas por dia,
* Declividade máxima da topografia de 8% para cultivos mecanizados e de 15% para cultivos manuais,
* Solo de textura média, ou seja, não pode ser excessivamente arenoso ou argiloso,
* Ausência de impedimentos ao desenvolvimento das raízes até a profundidade de dois metros,
* A área não pode estar sujeita a encharcamento,
* Os solos não podem ser salinos, sódicos ou salino-sódicos.
SISTEMAS DE PRODUÇÃO
Os sistemas de produção da mandiocultura no Brasil podem variar conforme a região. Daí ser difícil haver uma padronização. Portanto, a sugestão da SNA é que o interessado acesse o Sistema de Produção de Mandioca da Embrapa pelo link encurtado:ow.ly/Aodo305QKiR(link encurtado).
Lá, é possível encontrar informações sobre cultivo de mandioca nas regiões do Amapá (link encurtado:ow.ly/5pWr305QJN1), Cerrado (ow.ly/CXvJ305QJTg), Pará (ow.ly/i92s305QJX2) e Tabuleiros Costeiros (ow.ly/CeqQ305QJGG).
Em outra biblioteca da Embrapa (ow.ly/f3Vt305QJx1), é possível ter acesso aos dados sobre o cultivo em Roraima (ow.ly/UiwI305QK8K) e na região do Semiárida do Brasil (ow.ly/oCaf305QKda).
Fonte: SNA/RJ





