Empreendedorismo no café

Casal enfrenta desafios e consolida cafeteria em cidade sem tradição cafeeira

Em Ecoporanga, casal aposta em cafeteria para criar um novo espaço de convivência e valorizar o consumo de cafés especiais no noroeste capixaba

Valquíria e Sérgio inauguraram a Cafeteria há dois anos.
Valquíria e Sérgio inauguraram a Cafeteria há dois anos. Foto: Ruan Klen

Abrir uma cafeteria em uma cidade onde a produção de café ainda está dando os primeiros passos exigiu coragem, persistência e muita dedicação do casal Valquíria e Sérgio Ramos. Moradores de Ecoporanga, no noroeste do Espírito Santo, eles decidiram investir no negócio há pouco mais de dois anos, após identificarem a falta de um espaço acolhedor na cidade, onde as pessoas pudessem desacelerar a rotina, conversar e desfrutar de momentos em família.

Após realizarem pesquisas, visitarem cafeterias em diferentes municípios e participarem de cursos de capacitação em Vitória, o casal tirou o sonho do papel com a Café com Leite Lanchonete. “Fizemos esse curso para adquirir conhecimento sobre toda a cadeia produtiva do café, desde o plantio até os diferentes tipos de torra e métodos de preparo. Todo esse aprendizado foi fundamental para apresentar aos clientes uma nova forma de consumir a bebida”, conta Valquíria.

Mas os desafios começaram antes mesmo da inauguração. Encontrar um ponto comercial adequado no interior não foi tarefa fácil. Quando finalmente conseguiram um espaço em frente à principal praça da cidade, uma reforma interditou completamente o local apenas dois meses após a abertura. A situação obrigou a família a realizar um novo investimento e transferir a cafeteria para um imóvel maior, com mais conforto e facilidade de estacionamento.

Além das dificuldades estruturais, havia também o desafio cultural. Em uma região onde o hábito mais comum é consumir café adoçado, servido em garrafas térmicas ao longo de todo o dia, apresentar o conceito dos cafés especiais exigiu paciência. Segundo Valquíria, muitos moradores questionavam o valor cobrado por uma xícara de café.

“O maior desafio foi ensinar as pessoas a apreciarem o café especial e entenderem que não estão pagando apenas pela bebida, mas por toda a experiência. Isso envolve um ambiente climatizado, atendimento acolhedor e a qualidade do produto servido”, destaca.

A cafeteria iniciou suas atividades trabalhando com café arábica e, atualmente, já realiza experiências com cafés conilon de qualidade, que vêm conquistando o paladar do público.

Mesmo após dois anos de funcionamento, o retorno financeiro ainda não ocorreu da forma esperada. Os investimentos precisaram ser refeitos após a mudança de endereço e novas adequações no segundo ponto comercial. Por isso, Valquíria e o marido ainda mantêm outras atividades profissionais paralelamente ao negócio.

Ainda assim, ela acredita que o empreendimento veio para ficar. “Aos poucos, os moradores têm aderido à proposta, e a cafeteria já se tornou um ponto de encontro para famílias e amigos.”

Firmes na decisão de manter o negócio, os proprietários estudam novas formas de agregar produtos e serviços ao local, com o objetivo de fortalecer a renda e consolidar ainda mais a cultura do café de qualidade em Ecoporanga.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos