Mais lidas 🔥

Pesquisa científica
Estudo encontra anomalias em 60,5% dos peixes analisados no norte do ES

Cafeicultura sustentável
Estudo mostra como práticas simples podem tornar cafezais mais sustentáveis

Café especial
Família de Mimoso do Sul cria linha de cafés especiais inspirada na história dos produtores

Infraestrutura
Ibiraçu vai ganhar 8,14 km de nova pavimentação entre Pendanga e Piabas

Café 2027/2028
Colheita de café chega ao fim e atenções já se voltam para a safra 2027/28

Discreta no campo, sofisticada no mercado e cada vez mais estratégica para a diversificação agrícola do Espírito Santo, a macadâmia é uma cultura que revela seu potencial quando os números são colocados em perspectiva. Produzida integralmente em São Mateus, no norte do Estado, a oleaginosa combina estabilidade produtiva, ganhos expressivos de eficiência e forte inserção no mercado internacional, com destino praticamente exclusivo aos Estados Unidos.
Os dados mais recentes indicam que o avanço da macadâmia capixaba está associado principalmente ao aumento da produtividade, e não à expansão de área. Entre 2022 e 2024, a área cultivada permaneceu estável, em torno de 660 hectares, enquanto a produção cresceu de forma consistente. Foram 1.470 toneladas em 2022, 1.530 toneladas em 2023 e 2.055 toneladas em 2024, um salto de 39,8% em apenas dois anos, sem ampliação da área colhida.
O desempenho reflete a maturação dos pomares, a adoção de tecnologias e o aprimoramento do manejo agrícola, características típicas de culturas perenes e de sistemas produtivos que priorizam eficiência e regularidade de oferta.
Além do mercado interno, a macadâmia produzida no Espírito Santo tem forte presença no comércio exterior. Em 2023, as exportações somaram US$ 1,18 milhão, com 152,9 toneladas embarcadas. Em 2024, mesmo diante de oscilações nos preços internacionais, o volume exportado avançou para 165,4 toneladas, totalizando US$ 969,7 mil. Já em 2025, considerando o período de janeiro a novembro, as exportações alcançaram US$ 1,27 milhão, com 183 toneladas, superando os resultados dos anos anteriores antes mesmo do fechamento do ano.
O destino dessas exportações evidencia o posicionamento do produto em um nicho exigente. Cerca de 99% do valor e do volume da macadâmia capixaba têm como destino os Estados Unidos, mercado que demanda padrões rigorosos de qualidade e regularidade no fornecimento.
Em 2025, o debate em torno do chamado “tarifaço” norte-americano acendeu um alerta entre exportadores brasileiros. A macadâmia esteve entre os produtos inicialmente monitorados, mas o cenário evoluiu de forma favorável. O produto foi incluído na lista de exceções tarifárias, preservando sua competitividade no mercado dos Estados Unidos e reduzindo riscos para a cadeia produtiva capixaba.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o episódio reforça a importância do acompanhamento permanente do mercado internacional. “O mercado de alimentos de maior valor agregado exige atenção constante. No caso da macadâmia, monitoramos o debate tarifário, dialogamos com o setor e atuamos para garantir previsibilidade aos produtores e exportadores. A inclusão do produto nas exceções foi fundamental para manter o Espírito Santo competitivo nesse nicho”, avaliou.
Segundo Bergoli, a trajetória da macadâmia ilustra a relevância de políticas agrícolas que combinem inteligência de mercado, monitoramento internacional e apoio a cadeias produtivas ainda pouco conhecidas, mas com elevado potencial econômico.
Toda a produção e exportação de macadâmia do Espírito Santo têm origem em São Mateus, um único município que, mesmo com área estável, conseguiu se posicionar em um mercado global altamente especializado. O desempenho da cultura reforça o avanço da agricultura capixaba não apenas em volume, mas em qualidade, eficiência produtiva e estratégia de inserção internacional.





