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Geral

Das montanhas do ES para os fiordes noruegueses

por Redação Conexão Safra

em 03/02/2016 às 0h00

4 min de leitura

Depois de conquistar a realeza da noruega, cafés produzidos na região serrana capixaba abrem mercado no país.



No Palácio de Oslo, na Noruega, cafés originários das montanhas do Espírito Santo há seis anos regam as refeições matinais da família real. O café orgânico Heimen é produzido na fazenda mantida pelos nobres em Pedra Azul, no município serrano de Domingos Martins.

Em novembro, a equipe técnica da propriedade rural participou de uma missão no país nórdico para expandir os negócios para além dos aposentos reais. Afinal, a Noruega já é considerado o maior consumidor per capita do mundo, com dez quilos anuais por pessoa, contra três quilos atuais no Brasil, segundo dados da Norsk Kaffeinformasjon, entidade norueguesa que regulamenta a atividade comercial cafeeira no país.

O idealizador desse projeto de comércio exterior é o empresário norueguês radicado no Brasil Erling Sven Lorentzen, de 92 anos, viúvo da princesa Ragnhild Alexandra da Noruega. Aos pés da Pedra Azul, ele plantou 8.000 pés de café arábica, que são adubados com esterco dos cavalos da raça fjord, de origem norueguesa. Da produção anual de 500 quilos, apenas 10% vão para a realeza.

No mês passado, Lorentzen recebeu o degustador e barista Vagner José Uliana e Jorge Ichaso, gerente do Fjordland- Cavalgada Ecológica Pedra Azul, empreendimento turístico do mesmo empresário e que oferece passeios com cavalos fjord, para um roteiro de dez dias pelas mais conceituadas cafeterias da Noruega e da Escandinávia. Segundo Uliana, foi estabelecido um acordo para o Heimen Coffee aumentar sua produção e garantir comércio nos próximos anos com a terra dos vikings.

Lorentzen: influência da realeza para expandir mercado.


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A Noruega já é considerado o maior consumidor per capIta do mundo, com dez quilos anuais por pessoa

Vagner Uliana: caçador de grãos especiais.


Turistas na cafeteria em Pedra Azul.


“Nós fizemos uma apresentação para cerca de quarenta pessoas, entre representantes de várias torrefações, que são o mercado comprador de café dos produtores, além de pequenos e grandes empresários. Nosso café fez bastante sucesso ”, destaca Jorge Ichaso.

O degustador e barista Vagner Uliana avalia que a boa aceitação dos noruegueses aponta que a produção do Heimen Coffee está no caminho certo. “Nossos procedimentos na plantação e no pós-colheita estão resultando num produto de qualidade superior. Nós temos um modelo de produção orgânica que pode ser reproduzido por qualquer produtor. Estamos sempre à disposição dos produtores, especialmente os menores, para dividir nossa experiência, fortalecer o setor e divulgar a qualidade do café das montanhas capixabas. ”

Para alcançar sabores superiores, a produção aposta no “terroir ” local, o alcance de notas frutadas devido à presença de outras culturas próximo às plantações e o clima considerado um dos melhores do mundo. “O carinho e a dedicação de todos os envolvidos são outros ingredientes ”, completa o degustador e barista.

Só para se ter uma ideia, o café preferido da família real norueguesa alcançou nota máxima de 92,3 ao paladar de um especialista. Pela classificação mundial, bebidas com nota acima de 80 já são considerados de qualidade. “Na torra, a acidez do nosso café garante um sabor frutado superior ”, diz Uliana.

Uma história de amor pelo Brasil

Lorentzen com a mulher, a princesa Ragnhild…

O norueguês Erling Sven Lorentzen conta que conheceu o Brasil na década de 1950, quando se mudou com a família para o país. “Naquela época não se falava em cafés especiais, mas sempre notei que o produto nos supermercados brasileiros eram inferiores aos vendidos na Noruega ”, destaca o empresário.

Lorentzen conta que chegou a Pedra Azul no final dos anos 80. “Eu e minha mulher ficamos apaixonados pelas belezas naturais da região, os moradores e a cultura local e por isso adquirimos a propriedade. ”
Não demorou muito para começarem a produzir café, com a adoção de medidas sustentáveis e favorecidos pelas sombras das florestas, que garantem sabores raros aos grãos. Os trabalhos são coordenados pelo engenheiro agrônomo Edimar Binotti Júnior.

“Sempre que íamos para a Noruega levávamos café para presentear os meus familiares e os dela, no palácio real ”, diz o norueguês.

Lorentzen conta com apoio dos três filhos para tocar os empreendimentos em Pedra Azul, entre eles a cafeteria que fica no coração do Fjordland, na Rota do Lagarto. E se você ficou com vontade de experimentar o café favorito da família real norueguesa, a única oportunidade dos “plebeus ” é aproveitar as férias e dar uma passadinha nesse pedaço da Noruega no Espírito Santo.




…E entre Uliana e Ichaso durante missão na Noruega.


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