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São poucas, o grupo não chega a 10, mas é o maior no cultivo de plantas medicinais e ornamentais dentro da agricultura familiar no Distrito Federal. Nove mulheres do Programa de Assentamento Dirigido (Pad-DF), no Paranoá, encontraram um novo sentido para a vida e outra forma de renda com o manuseio da terra. As mãos delicadas e detalhistas é que fazem toda a diferença. Três dessas produtoras já construíram um viveiro em suas propriedades e vendem para grandes feiras na capital.
Lázara Pereira é quem está à frente. Há quatro anos no trabalho, ela foi a primeira da região a acreditar e investir no cultivo. No ano passado, construiu uma estufa, que melhora o desenvolvimento da produção. Até o marido que duvidou do negócio no início, quando viu que funcionava, passou a trabalhar junto da mulher. Eles moram com quatro filhos em um assentamento de dois hectares e a renda com as plantas é o que sustenta a família. As ervas medicinais são o carro chefe de venda e nas últimas exposições conseguiram lucrar em torno de R$ 3 mil.
Tudo começou e foi possível com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). “Eu sempre sonhei em mexer com plantas. Quando recebemos a visita técnica da Emater, eu vi que era possível e comecei com as primeiras mudas. Eles nos direcionaram até aqui, explicando sempre o melhor caminho para cuidar da produção e vender ”, comenta ela, que se diz realizada e complementa que inclusive já conseguiu tirar carteira e comprar o carro.
Dentre as plantas medicinais comercializadas, as mais famosas são peixinho, capuxinha, boldo, carqueja, folha santa, batata yacon, capim santo e malva rosa. São procuradas para tratar infecções e inflamações variadas, como problemas nos sistemas respiratório e urinário, controlar ansiedade e estresse, cuidar de doenças cardiovasculares e crônicas. A carqueja, por exemplo, é usada por diabéticos. No ranking de vendas, os temperos são os próximos e em seguida, as plantas ornamentais.
O investimento na horta de Lázara levou a outras oportunidades. Por possuir a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP), ela tem acesso a diversas políticas oferecidas pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e outros órgãos do Governo Federal. Uma delas é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por meio do qual Lázara comercializa hortaliças.
“A DAP abre linhas para os programas do governo e a gente consegue vender nossos produtos. A agricultura familiar pra gente é tudo, envolve meu esposo e meus filhos também ajudam. Vamos continuar aqui, plantando nossas plantinhas e vendendo pra fora, ganhando nosso dinheirinho e tudo aqui dentro da nossa chácara mesmo ”, ressalta ela, sorrindo.
Há poucos quilômetros da propriedade da Lázara, mora a Francisca Ferreira, que trabalhou muitos anos fora de casa como cozinheira e agora sente-se realizada sem sair da chácara. Ela chegou até a montar um bar, mas não deu certo e há dois anos, depois da assistência técnica oferecida pela Emater-DF, começou a investir no quintal. Então fez cursos e foi se encantando cada vez mais com o cultivo de plantas medicinais e ornamentais.
“Fui tendo certeza que era aquilo eu queria. Gosto de fazer o que faço hoje. Nasci na roça, onde a gente tinha que plantar para comer. Não consigo mais me imaginar sem tudo isso, sem as plantas. Eu levanto, tomo café e vou e saio conversando com elas, andando pelo jardim ”, explica, ao dizer que fica mais tempo fora do que dentro de casa.
A técnica de agroindústria da Emater-DF que ajudou essas mulheres a se realizarem no campo, Yokohama Cabral, continua esse trabalho e, para ela não há nada mais gratificante: “Eu apostei que ia dar certo e está aí, deu certo mesmo! Elas são capazes de conseguir tudo que querem, porque são batalhadoras. É maravilhoso, sou feliz com minhas meninas. E assim a gente cumpre o papel de estimular o desenvolvimento econômico, ambiental e social ”, completa.
Fonte: Agrolink





