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As cotações da tilápia iniciaram 2026 em patamar firme na maior parte das regiões monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A única exceção foi observada no oeste do Paraná, onde os preços apresentaram comportamento distinto. Ainda assim, o cenário nacional manteve sustentação, refletindo equilíbrio entre oferta e demanda neste começo de ano.
Além da estabilidade nos valores pagos ao produtor, outro fator contribuiu diretamente para o desempenho econômico da atividade: a redução recente nos custos da ração. Como resultado, o poder de compra do piscicultor registrou forte avanço. Em janeiro de 2026, o indicador atingiu o maior nível da série histórica do Cepea, iniciada em julho de 2021.
Esse movimento indica melhora na relação de troca para o produtor, que passou a adquirir maior volume de insumos com a mesma quantidade de peixe comercializado. Na prática, a combinação entre preço firme de venda e custo menor de alimentação elevou a rentabilidade da produção, fator considerado estratégico para a sustentabilidade financeira da piscicultura.
No entanto, enquanto o mercado doméstico apresentou desempenho positivo, o cenário externo seguiu em direção oposta. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram retração relevante nas exportações brasileiras de tilápia e produtos secundários quando comparadas ao mesmo período do ano anterior.
Em janeiro, o Brasil embarcou 916 toneladas do pescado. O volume representa crescimento de 3,6% em relação a dezembro, sinalizando leve recuperação mensal. Contudo, na comparação anual, o resultado ainda é expressivamente inferior: queda de 45,5% frente a janeiro de 2025.
A diferença evidencia desaceleração no ritmo das vendas internacionais, possivelmente influenciada por fatores como demanda global, custos logísticos e competitividade do produto brasileiro no exterior. Mesmo assim, o avanço mensal indica tentativa de recomposição dos embarques após o encerramento de 2025.
Diante desse contexto, o setor inicia o ano com sinais mistos. Por um lado, as cotações da tilápia e a queda no custo da ração fortalecem o mercado interno e ampliam o poder de compra do produtor. Por outro, o desempenho das exportações ainda impõe cautela, sobretudo para empresas com maior dependência do comércio internacional.
A tendência para os próximos meses dependerá do comportamento do consumo doméstico, da manutenção dos custos de produção e da reação da demanda externa. Enquanto isso, o início de 2026 se consolida como um período de alívio financeiro ao produtor, sustentado principalmente pela melhora nas margens dentro da porteira.





