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Geral

Cooperativa surge do fortalecimento da Associação Capixaba de Aquicultores

por Redação Conexão Safra

em 26/05/2014 às 0h00

9 min de leitura

O mercado da produção da tilápia se fortaleceu em todo o Espírito Santo. Juntos, aquicultores estão aumentando a produção. O peixe faz parte da merenda escolar e também da mesa de refinados restaurantes


Andresa Alcoforado

andresaalcoforado@gmail.com



O agricultor estava mais do que acostumado a ter um pequeno açude para a produção dos peixes, mas o que começou como diversificação da alimentação da família virou negócio sério, com mercado estável e qualificação crescente, que tem gerado centenas de empregos, do campo até a indústria.


Há 10 anos a produção de tilápia capixaba começou a ser discutida com mais seriedade. O resultado foi a formação da Associação Capixaba dos Aquicultores &ndash, ACA. A Associação cresceu e evoluiu para a Cooperativa dos Aquicultores e Agricultores Capixabas, atualmente com 74 cooperados.


A cooperativa é inteiramente dedicada à produção, manejo e filetamento das tilápias. A transformação de Associação para Cooperativa se deu especialmente para atender o mercado consumidor, também aos contratos da merenda escolar e de outras regularidades necessárias. Os cooperados estão presentes nos 16 municípios que tem produção de tilápia, mais forte na região sul do Espírito Santo, mas com início de alcance também no norte e noroeste do Estado.


A tilápia é um peixe que se adapta tanto em terras frias como quentes, quanto mais quente, mais rápida é a safra. A produção, geralmente, pode levar de cinco a oito meses. O peixe ideal para o abate tem de 600 a 750 gramas. O investimento na produção não é tão alto, 80% do custo vem da ração para o tratamento dos peixes. Só no ano passado, a ACA produziu quase 350 mil toneladas de peixe.


Mas essa virada de mercado não foi tão fácil assim, o presidente da cooperativa, Lúcio Faria Alves, produtor de Iúna, teve que investir pesado num trabalho de marketing e pesquisa “para o convencimento do poder do peixe ”, que antes não era bem visto. Vários festivais conhecidos como “Festivais da Tilápia ” foram feitos para impulsionar o setor. A empreitada deu certo, conquistou consumidores fiéis e produtores dedicados.


“A piscicultura tem se mostrado como boa forma de diversificação, vem agregar mais uma fonte de renda na propriedade em relação à área cultivada. Desde 2007, à frente da Associação Capixaba dos Aquicultores, trabalho com a produção de peixe junto a várias instituições, entre elas o Sebrae e o Governo do Estado. Enxergamos também uma oportunidade no comércio, tivemos que abrir espaço para colocação desse peixe no mercado. Hoje, o grande desafio é aumentar a produtividade por área, tamanha a divulgação do peixe ”, conta Lúcio.

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Agricultores de olho no mercado


Nesse desafio de aumentar a produção e reunir ainda mais agricultores, Edmar Azevedo, que mora na comunidade de São Felipe, em Guaçuí, voltou a enxergar a piscicultura como grande fonte de renda para a família. A produção havia parado, há mais ou menos uns dois anos, o agricultor continuou mexendo com o café e o cultivo de flores, mas com os açudes já montados ficou difícil resistir à proposta da ACA. Na safra que colheu há um mês, retirou cinco mil quilos de peixe. Foi a maior produção dos últimos anos.


“Minha área era um campo de futebol, mas recebi incentivo de alguns governos passados e consegui transformar o espaço. Aqui, tive acompanhamento com pesquisas e estou muito satisfeito com essa safra. Vou fazer as contas e ver se vou continuar investindo. Toda a minha produção foi encaminhada para a cooperativa. Se tudo der certo, vou fazer mais dois tanques e continuar investindo ”, lembra Edmar.


Merenda Escolar


O grande passo da cooperativa foi atender a merenda escolar da rede estadual, como também das redes municipais de ensino. No estado serão 84 toneladas de filé para alimentar os alunos que estudam em escolas estaduais. De todo o montante produzido pelos 76 cooperados, 50% seguem para as escolas de vários municípios capixabas e o restante para restaurantes e para milhares de casas no Espírito Santo.


“Estamos conseguindo cumprir nossos contratos de colocação no mercado. O foco não é só a merenda escolar, 50% vão atender aos editais e chamadas públicas, tanto de escolas estaduais como municipais. Pela Secretaria Estadual de Educação, são 74 municípios atendidos, praticamente todo o estado do Espírito Santo. Estamos ofertando esses peixes para os alunos, isso nos dá base porque temos um contrato de um ano, acaba nos fortalecendo. Essa segurança foi o primeiro passo para fortalecer a cooperativa ”, lembra o Presidente Lúcio.


O presidente do Incaper, Maxwel Assis de Souza, analisa que a produção e o mercado podem se fortalecer ainda com mais estudos e equipamentos por parte do Governo do Estado. Tanto a Seag como o Incaper, tem planos para a aquicultura e piscicultura estadual. “Tenho acompanhado algumas conversas sobre a atividade, e nós do Incaper estamos fortalecendo junto com a Seag a atividade. Queremos dar mais visibilidade ao estado do Espírito Santo. Um bom passo é a criação dos polos de aquicultura. A ideia é criar 10 polos no estado, assim a política de aq&uuml,icultura e pesca será discutida dentro desses polos. Em todas as regiões, vamos fazer encontros para analisar, junto com os agricultores, as ações que precisam ser desenvolvidas. É importante ouvir o maior interessado, que é o pescador. Novos equipamentos estão sendo adquiridos para acompanhar o cultivo, ter uma produção com qualidade para dar rentabilidade ”, conta Maxwel.



As tilápias das montanhas


O mito do peixe com muito espinho e gosto de barro, ficou totalmente pra trás dando lugar a diversificados pratos, cursos sobre a produção do pescado e qualificação para a família inteira. O peixe alimentado apenas com ração, o controle da água do tanque, o abate cuidadoso e as informações para os agricultores fizeram toda a diferença nesse longo processo, mas que já começa a produzir resultados. O município que hoje colhe mais frutos é Domingos Martins, na região serrana, tendo o maior número de produtores e a maior produção do peixe. O município também foi o pioneiro no Festival de Tilápia.


De acordo com o extensionista do Incaper de Domingos Martins, João Miranda dos Santos, a filetadora de Muniz Freire que fica praticamente às margens da BR 262, e que também funciona como sede da ACA, impulsionou bastante o setor. Muitos produtores entregam o produto na filetadora, mas também conseguem vender o peixe direto em quiosques no litoral.


“São 50 produtores no mínimo que se dedicam à produção de tilápia na região, uma atividade muito promissora. A tilápia está substituindo facilmente o peroá nos quiosques do litoral capixaba. Muitos produtores de Venda Nova aproveitam os tanques também para a criação de camarão da Malásia, sem contar os restaurantes e as pousadas que cresceram impulsionados com esse turismo ”, conta João.


Foi exatamente Domingos Martins com o Festival que impulsionou os demais municípios. Para o presidente da cooperativa, depois da cidade serrana, foi em Iúna no Caparaó, que a tilápia ganhou força. “Em Iúna, coloquei uma barraquinha no Parque de Exposições. Foram muitas receitas como quibe, tilápia frita e outros pratos. Chamei os conhecidos. Quem passava, via o prato pronto e provava o peixe comia a primeira vez e não deixa de repetir. Desse contato, surgiu a migração dos pratos para bares e restaurantes ”, lembra Lúcio.


Todo esse processo o agricultor Delimar Endringer, de 32 anos, presenciou muito bem. Os primeiros tanques foram realmente para ocupar áreas ociosas na propriedade dele. Isso foi há 10 anos. Hoje, a visão de negócio é totalmente diferente. A produção do peixe representa a segunda maior renda para a família, perdendo apenas para a produção do café arábica. Ele vive no distrito de Parajú, com cinco lagoas. A média de produção gira em torno de 20 mil peixes por safra.

“Penso em ampliar a produção colocando pouco peixe por metro quadrado, o objetivo é aumentar em 40% a produção atual. Acredito nessa valorização do peixe, sendo minha segunda renda da propriedade e também no apoio da cooperativa que vai auxiliar na expansão ”, afirma Delimar.




Produção que cresce no Brasil


O Brasil tem potencial para atingir, até 2030, uma produção anual de 20 milhões de toneladas de peixe, assumindo assim um papel importante no aproveitamento do pescado mundial. Atualmente, o país contabiliza 1, 3 milhão de toneladas por ano, dado que revela não só o potencial existente como também a necessidade de mais investimentos e atenção ao setor. Focados no potencial desse segmento, o Sebrae e o Ministério da Pesca e Aquicultura assinaram um acordo de cooperação para fomentar de forma sustentável a produção de peixes e dinamizar a aquicultura e a pesca no país. A proposta é implementar projetos e programas relacionados à produção do setor, priorizando os pequenos piscicultores, pescadores artesanais.


Saiba mais sobre a tilápia:


– A unidade de filetadora foi fundada em abril de 2004, hoje são 20 funcionárias registradas.

– A Cooperativa foi criada no final de 2013, tendo 74 cooperados e atuando em 16 municípios capixabas.



Dados da tilápia no Espírito Santo:


– O estado tem 19,78% de participação da produção de tilápia na região Sudeste

– É o 3&ordf, produtor da região Sudeste

– No Espírito Santo são 387 unidades produtivas de tilápias

– Diversidade presente em 73 municípios

– A estrutura de produção acontece com viveiros escavados,
açudes, tanques e redes

– No sistema de produção, o monocultivo representa 67,18% e policultivo 32,82%


Fonte: Seag


Serviço:


– O agricultor que ficou interessando em produzir tilápia, pode entrar em contato com a secretaria de agricultura do seu município e também com o Incaper.

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