Arte e memória

A paixão pelo cacau que virou arte e agora chega às telas

Filme resgata a trajetória de Nice Avanza, artista capixaba que transformou o cacau, a vida rural e a cultura do Espírito Santo em inspiração para suas obras

Foto: divulgação produção do filme

A vida e a arte da pintora capixaba Nice Avanza, autora de obras que levaram o cacau capixaba a diferentes lugares do Brasil e do mundo, estão sendo transformadas em filme. Casada com o cacauicultor José Augusto Avanza, Nice, que ficou conhecida nacionalmente como a “Pintora do Cacau”, encontrou nas plantações, nos trabalhadores rurais e nos frutos a principal fonte de inspiração para suas obras.

O projeto, intitulado Nice Avanza – A Pintora do Cacau, é inspirado na vida, no legado artístico e na contribuição da artista para a cultura capixaba. A produção nasceu a partir do trabalho de pesquisa realizado por Renata Sônia Furtado. Após cinco anos atuando no Centro Cultural Nice Avanza, no centro de Linhares, Renata realizou um amplo levantamento histórico com base em documentos, fotografias, pinturas, entrevistas e relatos de pessoas que conviveram com a artista.

A princípio, a pesquisa deu origem ao livro Cacau, fruto de Nice Avanza. Durante o processo, porém, surgiu a percepção de que a história poderia alcançar um público ainda maior.

Renata Sônia Furtado, idealizadora do projeto, produtora, figurinista e apoio fotográfico.

“Achei necessário e incrível contar a história de Nice Avanza. Ela foi uma extraordinária pintora primitivista, reconhecida no Brasil e em outros países, que soube transformar a arte em uma forma de divulgar a história e a cultura do cacau”, afirma Renata.

Para ela, contar essa história exigia mostrar mais do que as obras produzidas pela artista. Era necessário revelar também a mulher por trás das telas, sua personalidade, sensibilidade, força e a história de amor que marcou sua trajetória.

“Assim como Nice Avanza levou esse fruto ao mundo por meio de sua arte, acreditamos que seria uma combinação perfeita mostrar ao público todo o seu percurso, desde o fruto colhido na fazenda até sua transformação no chocolate que todos conhecemos”, explica.

O filme vai além da biografia. A produção também aborda a história da cacauicultura, os desafios enfrentados pelos produtores e a importância econômica e cultural do fruto para o Espírito Santo e para o Brasil.

A construção da personagem foi resultado de um intenso processo de pesquisa. Além dos registros históricos, foram estudados os hábitos, a personalidade, a maneira de se vestir, os gestos e a forma de falar de Nice Avanza. A paixão pela arte e pelo cacau também foi um dos elementos centrais analisados durante o trabalho.

No elenco principal, Marlinda Suim interpreta Nice Avanza, enquanto Robson Calil dá vida a José Augusto Avanza, esposo da artista. Renata Sônia Furtado é responsável pela produção, pelo figurino e pelo apoio fotográfico. Isaque Snarski responde pela direção, pela cinematografia e pela atuação. Rubens Castro atua no apoio técnico e também é responsável pela empresa que fornece iluminação, drone e outros equipamentos utilizados nas filmagens.

Gravações percorrem diferentes cenários

Gravações percorrem diferentes cenários.

A escolha das locações ajudou a recriar os ambientes onde Nice viveu e produziu parte de sua obra. As gravações, internas e externas, foram realizadas em diferentes cidades e locais do Espírito Santo.

Entre os cenários estão uma fazenda no interior de Linhares, ambientada na década de 1940; o Centro Histórico de Vitória, com sua tradicional escadaria antiga; a Fazenda São Luís; e a Fazenda Santo Antônio, no Pontal do Ipiranga, litoral de Linhares, onde funcionaram o antigo restaurante e a pousada ecológica que pertenceram a Nice Avanza. Foi nesse local que a artista viveu com o esposo e os filhos a partir de 1971.

Ao final da produção, o público também poderá acompanhar um minidocumentário sobre a relevância do cacau nos cenários nacional e internacional. O produtor de cacau Emir de Macedo Gomes aborda a importância da cacauicultura, relembra os impactos provocados pela vassoura-de-bruxa e comenta os desafios enfrentados pelos produtores para manter a cultura viva e produtiva.

“A proposta é mostrar que a história de Nice Avanza está diretamente ligada à história do cacau. A artista encontrou no fruto e no cotidiano das fazendas a inspiração para uma obra que ajudou a projetar a cultura cacaueira”, explica Renata.

Projeto busca recursos para ser concluído

Realizado com recursos próprios e por meio de parcerias com pessoas e proprietários das locações, além do empréstimo de equipamentos de filmagem, o projeto aguarda a liberação de recursos solicitados por meio do Fundo a Fundo do Conselho Municipal de Cultura de Linhares para a finalização técnica e o lançamento do filme.

“Mais do que contar a história de uma artista, a produção pretende preservar a memória de Nice Avanza e destacar a importância do cacau para o Espírito Santo e para o Brasil. É uma homenagem a uma mulher que encontrou no fruto, nas plantações e na vida rural a inspiração para transformar o cacau em arte”, conclui.

Fotos: divulgação produção do filme

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos

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