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Há 14 anos, o produtor de café Marcos Roberto Pellacani decidiu vender tudo o que tinha na cidade para se mudar para uma propriedade rural abandonada em Santa Teresa, no Espírito Santo. Hoje, a mesma terra que quase foi a leilão é responsável pelo sustento da família e pela identidade que Marcos construiu como agricultor capixaba.
Associado da Cooperativa Sicredi Aliança, Marcos mantém uma relação de confiança consolidada com a cooperativa. Ao longo da trajetória no campo, contou com linhas de crédito que ajudaram a estruturar a produção e a viabilizar novos investimentos. Essa parceria foi construída com o tempo, acompanhando cada etapa da evolução da propriedade.
Nascido em Santa Teresa, Marcos conta que sua família não vinha do campo, mas que o contato com a agricultura começou ainda na escola, por meio dos colegas que trabalhavam nas terras dos pais. “Com o tempo e a convivência tomei gosto pela coisa, inclusive trabalhando nas terras desses meus amigos, os quais preservo até hoje”, relembra. Na juventude, o produtor se afastou do campo, cursou Administração Rural e chegou a atuar em outro ramo profissional. Mesmo assim, o desejo de ter uma propriedade rural nunca desapareceu.
A virada aconteceu em 2012. Marcos e a família venderam o que tinham na cidade e compraram um terreno na zona rural de Santa Teresa. O local estava, segundo ele, “completamente abandonado, depauperado, inclusive em vias de ser leiloado”. Estruturar e legalizar a propriedade para que voltasse a produzir exigiu tempo, persistência e investimento. A certeza de que poderiam transformar aquele espaço em algo produtivo, apesar da rotina atribulada que viviam na cidade, foi o que os manteve firmes.
O início não foi recebido com credibilidade pelos vizinhos. Por vir da cidade, Marcos foi chamado de “aventureiro” e ouviu que não duraria seis meses no campo. A mudança de percepção veio com trabalho, constância e ajuda de amigos da roça, que dedicavam parte do próprio tempo para apoiá-lo na abertura do terreno. Com o passar dos anos, a propriedade se consolidou e segue em produção, com planos de expansão.
Entre os aprendizados da vida rural, Marcos destaca a relação do agricultor com o tempo da natureza. “No campo tudo tem o seu tempo: tempo de plantar, de cuidar, de florescer, colher e realizar”, afirma. A primeira colheita, segundo ele, foi um dos momentos mais marcantes de toda a trajetória, a recompensa esperada depois de anos de esforço.

Sobre o papel do agricultor na sociedade atual, Marcos faz uma distinção entre a imagem romantizada do agro, difundida por agroinfluencers e pela cultura popular, e a realidade de quem vive da terra. “Para o agricultor raiz, a realidade não é tão romântica. Se levanta cedo, se produz, se corre atrás de comercializar a produção, se corre atrás de dinheiro para viabilizar novos projetos e muito mais”, explica.
Para ele, a economia baseada na agricultura movimenta o ano inteiro, e não apenas em períodos de safra, sustentando uma cadeia inteira de comércio e serviços. Ele lembra ainda que alimentos como arroz, feijão, hortaliças, frutas e café “não brotam na prateleira do supermercado” e observa que a sociedade tem passado a enxergar o agricultor com outros olhos, em parte por conta da maior exposição da mídia ao tema.
A relação de Marcos com o cooperativismo vem desde a infância, quando acompanhava a família até a cooperativa para comprar ração para os animais criados em casa. O cooperativismo também teve papel na educação do filho, que estudou em instituição de ensino cooperativa da infância até o fim do ensino médio.
Com o Sicredi, a relação também é de confiança construída ao longo dos anos. Segundo Marcos, a cooperativa é parceira desde que chegou à região, oferecendo atendimento próximo e crédito descomplicado, que ajudou a financiar insumos e investimentos ao longo da evolução da propriedade. O apoio também esteve presente em momentos decisivos, como a compra de fertilizantes e adubos durante a Feira Agro Nater Coop em 2025.
Para o futuro, Marcos segue ampliando a propriedade. “Minha esposa costuma dizer que fui contaminado com um vírus da roça, pois todo ano faço um aumento de área aqui, ali, sempre procurando melhorar a propriedade”, conta, bem-humorado. Paralelamente à produção, o produtor tem investido na recomposição florestal das áreas da propriedade: já são mais de 1.500 árvores plantadas. Como legado, ele espera ser lembrado pela transformação que promoveu na terra e pelo compromisso com a preservação ambiental.

Parceiro do campo no ES
No Plano Safra 2026/2027, o Sicredi vai destinar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais, distribuídos em cerca de 340 mil operações — um crescimento de 4,4% sobre o ciclo anterior, quando a cooperativa havia concedido R$ 69 bilhões em mais de 320 mil operações. Com uma carteira de crédito agro que soma R$ 121 bilhões em saldo, a instituição segue como a maior financiadora privada de crédito rural do país.
Do montante previsto para o novo ciclo, R$ 27,6 bilhões devem ser liberados para custeio, R$ 15,4 bilhões para investimentos e R$ 2 bilhões para comercialização e industrialização. A cooperativa também projeta conceder R$ 18 bilhões via Cédulas de Produto Rural (CPR), além de R$ 9 bilhões em operações de crédito em moeda estrangeira — linhas dolarizadas voltadas a produtores ligados à cadeia de exportação, que oferecem alternativas competitivas de planejamento financeiro ao setor.
“Seguimos ao lado dos pequenos e médios produtores rurais, que são a base do campo. A maior parte dos recursos será destinada para fortalecer quem produz e movimenta a economia local, tanto em Minas quanto no Brasil. Para a agricultura familiar, serão R$ 13,3 bilhões, e para os produtores de médio porte, R$ 14,6 bilhões. Juntos, eles representam 88% das operações previstas”, afirma o diretor-executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste, Leandro Gindri de Lima.




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