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Durante muito tempo, falar de agronegócio no Brasil era falar de um setor que gerava riqueza, mas permanecia distante do debate público. Hoje, esse cenário mudou. O agro ocupa espaço nas manchetes, influencia decisões econômicas, ambientais e comerciais e passou, naturalmente, a despertar o interesse da política.
E isso faz sentido. O setor responde por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto brasileiro, gera milhões de empregos, garante o abastecimento interno e consolida o Brasil como um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Compreender o país é, necessariamente, compreender o agro.
Na Conexão Safra, sempre adotamos o conceito mais amplo de agronegócio: uma cadeia que reúne agricultura familiar, pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas, pesquisa, assistência técnica, indústria, logística, agroindústria, comércio e serviços. No Espírito Santo, onde cerca de 75% das propriedades rurais são familiares, essa visão é ainda mais representativa.
À medida que o agro ganhou relevância econômica, conquistou também protagonismo político. O setor passou a formar lideranças e a influenciar o debate público. Nacionalmente, nomes como Ronaldo Caiado, Kátia Abreu, Tereza Cristina e Blairo Maggi consolidaram suas trajetórias fortemente ligadas à defesa do agronegócio.
No Espírito Santo, essa relação também se fortaleceu. Lideranças os ex-governadores Renato Casagrande e Paulo Hartung, com gestões que valorizaram o campo, o secretário de Agricultura, Enio Bergoli, os parlamentares Julinho da Fetaes, Janete de Sá, Iriny Lopes, Helder Salomão e Toninho da Emater, além de César Colnago e Paulo Foletto, construíram parte de suas histórias políticas em diálogo permanente com o setor rural.
Também ampliaram sua presença junto ao agro o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, por meio dos Arranjos Produtivos, o governador Ricardo Ferraço, candidato à reeleição, cuja passagem pela Secretaria da Agricultura deixou marcas como o programa Caminhos do Campo, além do deputado federal Evair de Melo, candidato ao Senado, e de Franco Fiorot, candidato à Assembleia Legislativa após atuar como diretor-presidente do Incaper, secretário municipal de Agricultura e vice-prefeito de Linhares.
Essas lideranças pertencem a partidos e correntes políticas diferentes, mas compartilham um ponto em comum: reconhecem que o agronegócio ocupa hoje um espaço estratégico para o desenvolvimento do estado e do país.
Ainda assim, permanece uma pergunta que somente as urnas poderão responder: qual é, de fato, o peso eleitoral do agronegócio?
O tamanho econômico do setor não se traduz automaticamente em votos. O agro está longe de ser um bloco homogêneo. A agricultura familiar, a cafeicultura, a pecuária, a fruticultura, a silvicultura e a agroindústria possuem realidades e prioridades distintas, tornando o eleitorado rural diverso e politicamente complexo.
As eleições mostrarão se a força econômica do agronegócio também encontra correspondência na força política de quem construiu sua trajetória ao lado do campo.
Nas últimas décadas, o agro conquistou espaço na economia, na ciência, na inovação, na sustentabilidade e na comunicação. Agora, resta saber se essa mesma força será capaz de influenciar, de forma decisiva, o mapa político capixaba.
No fim das contas, permanece atual um dos slogans mais conhecidos da publicidade brasileira: o agro é tech, o agro é pop, o agro é tudo.
As urnas dirão se, além de tudo isso, o agro também é voto.

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