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Os produtores rurais capixabas enfrentam uma crise de endividamento que parece não ter solução: a seca de 2014 a 2017 e dificuldade na comercialização do café por um preço sustentável fizeram com que o pagamento de financiamentos com recursos do crédito rural se tornasse inviável para grande parte dos produtores da região.
Pra piorar ainda mais a situação, ao procurarem o gerente do banco foram informados que sim, seria possível renegociar: a operação mata-mata, como bem apelidou o professor e advogado especialista no tema, Francisco Torma.
Funciona da seguinte forma: a garantia é mantida ou transformada em alienação fiduciária, os recursos passam a ser livres &ndash, ou seja, não são mais subsidiados pelo governo, mas sim pelas instituições privadas -, os juros diminuem de 6 ou 8% para 2%: o problema é que de anuais viram mensais.
Solução aceita e o caos se instala: a lógica do financiamento para preservação da atividade agrária, básica da sobrevivência e perpetuação da raça humana, é manipulada e corrompida.
Isso não está certo – e também não é lícito.



