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Pode parecer improvável, mas a pioneira no turismo de experiência com foco no café, em Santa Teresa, é uma enfermeira. Filha da quarta geração de produtores de café do Sítio Sagrado Coração de Jesus, no Vale do Tabocas, Ana Paula Zanotti, de 29 anos, trocou a estabilidade da profissão pelos cafés especiais e já comemora as primeiras conquistas.
Para se graduar, Ana Paula deixou o interior e se mudou para Vitória aos 16 anos. Depois de formada, atuou por cinco anos em Vitória e em Santa Teresa, até que a realização de um sonho construído desde a infância falou mais alto.
Durante um ano e meio, ela conciliou o trabalho no hospital com o beneficiamento do café, mas, em maio deste ano, deixou definitivamente a profissão para se dedicar integralmente ao Café Zanotti.
“Eu sempre fui apaixonada pelo café desde criança e sonhava em fazer algo nessa área. No final de 2024, comecei a provar cafés e a me envolver cada vez mais nesse universo. Fiquei um ano e meio trabalhando à noite no hospital e, durante o dia, no sítio, me estruturando. Fiz as primeiras torras em um fogão a lenha, na antiga casa da minha avó, que depois transformei em um espaço para torrefação. Comecei com um pequeno torrador artesanal e não parei mais”, conta a jovem empreendedora, que também presta serviços de torra para outros produtores.
A decisão de abandonar a profissão que ama não foi fácil, mas Ana Paula buscou conhecimento e apoio técnico. “Foi um divisor de águas. Deixei a segurança da CLT porque percebi que era capaz de construir algo maior, desde que tivesse planejamento, força e coragem”, afirma.
Com orientação técnica do Sebrae, ela regularizou a torrefação, registrou a marca, desenvolveu uma nova identidade visual e adequou a rotulagem às exigências sanitárias. Também fez cursos de torra, de barista e de degustação.
A produção do Café Zanotti é baseada principalmente na matéria-prima cultivada pelo pai, principal fornecedor da marca. Enquanto os pais seguem responsáveis pela produção na propriedade, Ana Paula conduz o beneficiamento, a torrefação e a comercialização dos cafés.

Durante a colheita deste ano, a primeira em tempo integral na propriedade, ela também acompanha de perto as etapas de pós-colheita, identifica os talhões com os melhores perfis sensoriais e realiza testes para desenvolver novos produtos, entre eles um conilon fermentado.
“Este está sendo um ano de aprendizado, de observar o que funciona e o que precisa ser melhorado para a próxima colheita. Quero ajudar meu pai a produzir cafés cada vez melhores para que eu possa comprar sempre dele.”

Turismo de experiência
A iniciativa de abrir as portas do sítio para o turismo de experiência surgiu após um convite do Sebrae para falar sobre cafés durante o Festival da Primavera Teresense, em 2025. Depois do evento, ela recebeu na propriedade um representante da instituição, que fez uma pergunta capaz de mudar sua trajetória: “O que você está esperando para transformar isso em uma experiência?”.
A partir de então, ela começou a receber visitantes. A proposta vai além da degustação. Os turistas percorrem a lavoura, conhecem a história da família, acompanham uma torra ao vivo e participam de uma mesa de harmonização com cafés arábica e conilon, acompanhados de bolos, pães, geleias e outras receitas preparadas pela mãe, dona Aparecida Ortelan Zanotti.
Entre os planos para o futuro estão ampliar e aprimorar o espaço destinado ao turismo de experiência, dar continuidade à formação como Q-Grader e investir ainda mais em qualidade, sustentabilidade e inovação.
“Nunca pensei em empreender. Tudo o que comecei foi uma forma de agradecer aos meus pais, Paulo Sérgio e Aparecida. Foi com o café que eles sempre sustentaram a família e também me deram a oportunidade de estudar. Eu queria fazer algo com o café do meu pai, levar esse café para mais pessoas como forma de gratidão e mostrar o valor do nosso café.”
Mais do que fortalecer a marca, Ana Paula quer transformar sua história em inspiração para outras pessoas, especialmente para as mulheres. “Hoje estou vivendo o melhor momento da minha vida e quero levar isso para outras pessoas. Quero dar continuidade ao legado da quarta geração da minha família. Estou abrindo portas para que outras pessoas se inspirem na minha história e para que mais mulheres ocupem esses espaços com coragem, assim como eu tive.”






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