Café especial

Das mãos para a xícara: o trabalho artesanal que revelou um café campeão

Conheça o trabalho artesanal, da colheita ao preparo, que transformou grãos selecionados em um café campeão e reconhecido pela qualidade

Foto: arquivo pessoal

Em Água Doce do Norte, no noroeste do Espírito Santo, um café de qualidade nasce do jeito que o produtor Adilson Batista da Silva, de 58 anos, aprendeu ainda menino. Morador do Sítio da Felicidade, no Córrego da Pratinha, distrito de Governador Lacerda de Aguiar, ele preserva uma tradição passada pela mãe, Dona Dejanira Maria de Jesus, de 108 anos, e transformou um método totalmente artesanal em um café premiado.

Durante décadas, o café beneficiado manualmente era destinado apenas ao consumo da família. Em vez de máquinas, Adilson utiliza o conhecimento herdado da mãe: seleciona os grãos um a um, lava o café, faz a secagem ao sol, pila os grãos em um pilão de madeira e, por fim, faz a moagem.

Conhecido por todos como Nenezão, o cafeicultor cultiva cerca de seis mil pés de café conilon, além de arroz e feijão. Ao aceitar o convite para participar do primeiro Concurso de Cafés de Qualidade de Água Doce do Norte, em 2025, viu sua rotina mudar. Sem imaginar o potencial do café produzido e beneficiado por ele, Adilson inscreveu uma amostra e foi surpreendido pelo resultado: a bebida alcançou 85 pontos e conquistou o primeiro lugar na competição.

“O concurso foi uma coisa muito boa para a gente. Sempre produzimos um café bom, mas nunca tivemos a oportunidade de saber o valor que ele tinha. Não conhecíamos a pontuação. Quando vimos que o café alcançou uma nota especial, ficamos muito felizes. Hoje podemos oferecer para a população da nossa própria cidade um café de qualidade”, afirma.

A certeza de que o café produzido e beneficiado por suas próprias mãos tem qualidade despertou em Adilson a vontade de trabalhar de forma diferente. Depois da conquista, o café deixou de ser destinado apenas ao consumo da família e passou a ser comercializado na feira do município.

“É um trabalho que aprendi com a minha mãe. Tudo é manual. Fizemos uma quantidade pequena porque não conhecíamos o potencial do nosso café, mas valeu a pena. “Conseguimos ter a certeza de que vale a pena investir, porque existe retorno”, destaca.

Ao lado da esposa, Lídia Custódio da Silva, de 55 anos, Adilson sonha em dar o próximo passo. O cafeicultor pretende adquirir equipamentos que permitam melhorar o processamento do café. O primeiro investimento foi a compra de um moedor, que substituiu a moagem manual.

“Vamos lutar para conseguir comprar o maquinário. Não é barato, talvez seja preciso um financiamento, mas queremos melhorar cada vez mais. Também pensamos em criar uma marca própria para o nosso café.”

Sem abandonar as técnicas que aprendeu na infância, Nenezão descobriu que o trabalho manual, passado de geração em geração, também pode conquistar reconhecimento e abrir novos caminhos para a agricultura familiar.

Fotos: arquivo pessoal

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos

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