Anuário do Agro Capixaba

O camarão da malásia renasce

"A seca de 2014 atingiu em cheio a produção do crustáceo no Estado, mas a produção sem necessidade de água corrente pode ser a saída para retomada "

por Fernanda Zandonadi

em 02/03/2020 às 14h28

3 min de leitura

O camarão da malásia renasce

(Foto: *Arquivo Safra/ES)


O camarão da malásia foi uma proposta que nasceu no Espírito Santo nos anos 1990 e que teve seu ápice nos anos 2000. Entre os anos de 2010 e 2011 a produção era estável, mas a seca de 2014 foi impiedosa e praticamente dizimou a produção capixaba. O Espírito Santo foi o maior produtor de camarão da malásia antes da falta de água.

Para dar uma ideia da queda, se em 2014 foram 67,7 mil toneladas, em 2018 foram apenas 15 mil toneladas. O ponto mais baixo na produção foi em 2016, de menos de seis toneladas do crustáceo.

O principal produtor ainda é Governador Lindenberg, seguido de Santa Leopoldina, Ibiraçu, Muqui, Marilândia, Guarapari, Itaguaçu, Domingos Martins, Viana e Afonso Cláudio. O fim da água impactou diretamente na produção dos alevinos, quando o principal laboratório produtor fechou pela falta de água. Isso acabou ou, ao menos, reduziu drasticamente a cadeia produtiva.

Hoje, pequenos laboratórios produzem as larvas, ou alevinos, mas a produção ainda é pequena. “Se antes de 2014 chegávamos a produzir cinco milhões e meio de alevinos ao ano, em 2019 esse número chega a um milhão e 200 mil ”, ressalta José Alejandro Garcia Prado, gerente de pesca, aquicultura e produção animal da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

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Prado ressalta que, para retomar a produção aos níveis de antes da crise hídrica, a produção de pós-larvas deveria chegar aos oito milhões por ano.

# Novos rumos

Existe a possibilidade de retomada da cultura no Espírito Santo, segundo ele. Mas é necessário, primeiro, fechar a cadeia produtiva como um todo. Ou seja, ter uma unidade de processamento inspecionada, fomento à produção junto aos produtores que já trabalharam com o produto e a prospecção de novos produtores.

“Fizemos um levantamento no Norte e Nordeste, junto ao Incaper, e conseguimos identificar 71 interessados. Alguns, já estão produzindo um pouco e há os que querem voltar e os novos produtores. Mas isso depende dessa retomada da cadeia produtiva ”.

Tradicionalmente, o camarão da malásia é produzido em açudes ou rios. Ele tem a necessidade de água corrente e circulação constante. Mas pesquisas desenvolvidas pelo Incaper, Ifes e Seag estão trabalhando a criação do camarão com sistema de reaproveitamento de água. “Quer dizer, a produção para de depender da água corrente e só é preciso fazer a reposição dos 5% da evaporação semanal. É uma pesquisa que está pronta para ir a campo e será colocada em prática em janeiro de 2020 ”, explica Prado, ressaltando que o projeto é uma forma de fugir de outros períodos de seca.


“Fizemos um levantamento no Norte e Nordeste do estado, junto ao Incaper, e conseguimos identificar 71 interessados. Alguns, já estão produzindo um pouco e há os que querem voltar e os novos produtores. Mas isso depende dessa retomada da cadeia produtiva. ”




Esta matéria faz parte do Anuário do Agronegócio Capixaba, disponível
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