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A produção de azeitona no Espírito Santo registrou forte retração em 2024 e expôs os limites ainda presentes para transformar a olivicultura capixaba em atividade economicamente sólida. O estado colheu apenas duas toneladas, após alcançar dez toneladas em 2023 e seis toneladas em 2022. A área colhida também diminuiu drasticamente, de 52 hectares para 11 hectares no período. O rendimento médio, em queda gradual, fechou o ano com 182 kg/ha.
A produção permanece concentrada em um único município. Em 2024, Santa Leopoldina foi o responsável pelas duas toneladas colhidas, reforçando o caráter experimental e restrito da cultura no território capixaba.
O limite do clima
Segundo o extensionista do Incaper, João Medeiros, a grande queda na produção — de dez a duas toneladas — está diretamente relacionada ao clima. “A oliveira precisa de um número significativo de horas de baixa temperatura para florir e dar frutos. Em regiões de deserto, por exemplo, a temperatura cai muito durante a noite. Aqui, isso não acontece com a frequência necessária. Sem esse frio, a planta até cresce, mas não produz como deveria”, explica.
O especialista destaca que o interesse pela cultura existe, inclusive em outros municípios, mas os desafios são consideráveis. “Até que a muda não é o maior problema, mas o custo é alto. A muda é cara. Além disso, a oliveira demora de três a quatro anos para começar a produzir. É um investimento de longo prazo, que exige planejamento e paciência”.
Ele cita o caso de um produtor que implantou oito hectares em Alfredo Chaves, apostando no potencial da cultura, mas reforça que a oliveira exige condições muito específicas para prosperar. “Ela gosta de solo arenoso, pobre. Não é toda região que oferece o ambiente ideal.”
Desafios profundos
As informações reforçam que a olivicultura no Espírito Santo ainda enfrenta desafios profundos: clima, custo elevado das mudas, ciclos longos até o início da produção e forte sensibilidade a variações ambientais. Mesmo assim, experiências pontuais demonstram que há espaço para nichos produtivos, especialmente em áreas serranas com microclimas mais amenos.





