Anuário do Agronegócio Capixaba 2025

Evolução da borracha capixaba: estabilidade, expansão e polos fortes

Produção de borracha natural cresce 15% em dez anos no Espírito Santo, mas baixos preços e falta de mão de obra ainda limitam a expansão da atividade

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Foto: divulgação/Freepik

A produção de borracha natural (látex coagulado) no Espírito Santo mostra uma trajetória de estabilidade na área colhida e avanços moderados na produtividade ao longo dos últimos dez anos. Os dados revelam que o setor manteve resiliência mesmo diante de oscilações de mercado e clima, consolidando polos estratégicos no Norte e no litoral capixaba.

Entre 2014 e 2024, a produção estadual cresceu de 11,5 mil para 13,3 mil toneladas, um avanço de cerca de 15%. No mesmo período, a área colhida passou de 8.920 para 10.386 hectares, em expansão contínua, especialmente a partir de 2018.

O rendimento médio, porém, apresentou comportamento mais oscilante. De um pico recente de 1.494 kg/ha em 2021, a produtividade recuou para 1.283 kg/ha em 2024. O mapa da borracha capixaba revela ainda forte concentração geográfica. Em 2024, cinco municípios responderam por mais da metade de todo o látex coagulado produzido no estado. Pinheiros liderou com 2.056 toneladas (15,43%), seguido muito de perto por São Mateus, com 2.053 toneladas (15,40%). Guarapari aparece em terceiro, com 1.890 toneladas, representando 14,18% da produção estadual. Serra (10,11%) e Anchieta (5,76%) completam a lista dos principais polos.

Heveicultura

O setor da borracha natural é de grande importância para o agronegócio do Espírito Santo, gerando emprego e renda para muitas famílias. No entanto, a heveicultura brasileira vem enfrentando diversos desafios, como a falta de competitividade com o produto importado, pragas nas lavouras, volatilidade dos preços no mercado internacional (a borracha é uma commodity), e falta de mão de obra qualificada.

As primeiras mudas de seringueiras foram plantadas experimentalmente no estado na década de 1960, no município de Vila Velha. Com resultados positivos, proprietários rurais de cidades vizinhas também se interessaram pela cultura, que atualmente pode ser encontrada por várias regiões do estado.

Atualmente, o Brasil ocupa a 11ª colocação na produção mundial de borracha natural, concorrendo principalmente com países asiáticos, que fornecem aproximadamente 50% do produto consumido no país.

Crise na borracha limita expansão da maior produtora do Espírito Santo

Estimulada pelo Programa de Incentivo à Borracha Natural (Probor), do Governo Federal, na década de 1980, a família Covre, de Pinheiros, iniciou o plantio de 15 hectares de seringueira. Nos anos 1990, ampliou a área com mais 15 hectares e, atualmente, soma 3.500 hectares cultivados — o que a coloca entre as maiores, possivelmente a maior produtora do estado.

A dimensão da área, porém, não se traduz em retorno financeiro. Sócio-proprietário do Grupo Covre, Carlos Antônio Covre, o “Carlito”, afirma que dois entraves persistem: a falta de mão de obra e o baixo preço pago pelo quilo da borracha.

“Dos 3.500 hectares, a área sangrada não chega a mil. Não encontramos mão de obra. Para se ter uma ideia, hoje tiramos dois caminhões por semana de borracha; se estivéssemos sangrando tudo, sairia um caminhão por dia. O preço também não é bom. Estamos vendendo o quilo a R$ 5,20, vinte centavos mais barato do que vendíamos em 2011”, explica.

Segundo ele, a desvalorização afeta todo o sistema produtivo. “Se o preço estivesse bom, daria para valorizar mais a mão de obra, atrair pessoas para trabalhar e investir no plantio de novas áreas. Mas, da forma que está, não tem como”, afirma.

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