Anuário do Agronegócio Capixaba

Em uma década, abacate toma conta das terras capixabas

Área colhida sobe de 300 para 1.344 hectares e rendimento mais que dobra; Venda Nova do Imigrante concentra quase metade da safra estadual

Foto: divulgação/Ifes

A produção de abacate no Espírito Santo passou por uma transformação expressiva na última década. Em 2014, o estado colheu 3.474 toneladas. Em 2024, o volume chegou a 33.735 toneladas — crescimento de 871%. 

A expansão é acompanhada de aumento contínuo da área colhida. Em 2014, eram 300 hectares destinados à cultura; em 2024, o número alcança 1.344 hectares. A alta é de 348%, com avanços mais acelerados a partir de 2019, quando a área praticamente dobra em relação ao ano anterior e marca o início de um novo patamar para o cultivo.

O rendimento médio também mudou de forma marcante. Em 2014, a produtividade era de 11.580 quilos por hectare. A partir de 2022, o indicador dobra e ultrapassa os 25 mil quilos por hectare, permanecendo nesse nível em 2023 e 2024. O salto coincide com o aumento de produção, que salta de 11.657 toneladas em 2021 para 24.991 toneladas em 2022, quase o dobro em apenas um ano.

O perfil municipal mostra forte concentração territorial. Venda Nova do Imigrante lidera com ampla vantagem, respondendo por 15.600 toneladas, o equivalente a 46,24% de toda a produção estadual em 2024. Na sequência aparecem Marechal Floriano, com 4.500 toneladas (13,34%), e Vargem Alta, com 2.800 toneladas (8,30%). Castelo (7,11%) e Domingos Martins (4,45%) completam a lista dos municípios mais representativos.

Os números indicam que a cultura do abacate atravessa um ciclo de expansão inédita no Espírito Santo, marcado por aumento de área, salto de produtividade e concentração em municípios de altitude, especialmente na região Serrana Central do Estado.

Produtores pioneiros ampliam cultivo de abacate em Baixo Guandu

Em 2018, os irmãos Carlos Henrique Bugge e Ildinei Bugge, da comunidade Santa Rosa, em Patrimônio da Penha, no interior de Baixo Guandu, decidiram investir no cultivo de abacate da variedade Geada. No início, plantaram 10 hectares e, algum tempo depois, ampliaram a área com mais 215 mudas, desta vez consorciadas com café Conilon.

Irmãos Carlos Henrique e Ildinei Bugge, pioneiros na produção de abacate em Baixo Guandu. Foto: arquivo pessoal

“Na época, a gente plantava inhame e recebemos aqui na propriedade um senhor de Venda Nova do Imigrante, que comprava o nosso inhame e também produz abacate lá em Venda Nova. Ele sugeriu que plantássemos uma área de abacate. Disse que, devido ao clima mais quente de Baixo Guandu, o fruto chegaria ao ponto de colheita mais cedo do que nas demais regiões. Resolvemos investir — e deu certo”, relata Carlos.

Pioneiros no cultivo no município, os produtores afirmam que a escolha foi acertada. Além da alta produtividade, a comercialização é garantida.“Tem mercado. Nunca ficou uma fruta aqui na roça. Entregamos tudo o que vendemos na Ceasa e para um distribuidor. Para nós, está sendo um bom negócio, e recomendo o cultivo sem medo”, destaca.