Mais lidas 🔥

Empreendedorismo rural
Enfermeira deixa a profissão para apostar nos cafés especiais e no turismo de experiência

Estudo da Nature
Floresta ao redor de “cidade perdida” da Amazônia guarda marcas de agricultura

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 20 de julho

Investigação
Operação prende suspeitos de fraude na comercialização de café no sul do ES

Piscicultura capixaba
Tilápia vira destaque na mesa dos capixabas e aquece o setor

O gengibre brasileiro e, em especial, o capixaba, consolidou sua presença no mercado internacional ao longo da última década. Quem explica esse avanço é Wanderley Stuhr, produtor e exportador com larga experiência no comércio exterior da raiz. Segundo ele, o rizoma nacional ganhou espaço à medida que a China, até então dominante, enfrentou problemas de produção.
Mas a trajetória de ascensão sofreu um baque em 2025. O aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos (uma sobretaxa de 40% aplicada a diversos itens do agronegócio brasileiro) praticamente paralisou as exportações.
“O tarifaço tornou o período um dos mais difíceis dos últimos anos. Perdemos completamente o mercado americano, não vendemos nada. A maior parte do gengibre acabou indo para a Europa, que não absorveu todo o volume. O mercado ficou saturado e, como consequência, os preços caíram”, relata Stuhr.
A tarifa adicional foi retirada no final de novembro, beneficiando não apenas o gengibre, mas também culturas como café, pimenta e cacau. Ainda assim, o impacto foi pesado, já que o setor enfrentou quase quatro meses de taxação elevada. Mesmo com o alívio, a medida veio tarde para o planejamento da safra. “O problema é que caiu quando a safra já tinha acabado. E exportar fora de época, por via marítima, é muito arriscado. O gengibre perde qualidade e estraga mais rápido”, explica o exportador.
Apesar das turbulências, o setor olha para frente com otimismo. O aumento do plantio em 2025 deve refletir em uma oferta mais robusta no ano seguinte. “A maior de produção virá em 2026, porque o plantio deste ano cresceu. Agora precisamos acompanhar o desenvolvimento das lavouras. Se tudo correr bem, teremos uma safra mais robusta. E, como as portas da exportação continuam abertas, 2026 tem potencial para ser um ano muito bom”, projeta.
O desempenho do gengibre, seus desafios, oportunidades e projeções, estará detalhado no Anuário do Agronegócio Capixaba 2025, que será lançado ainda este mês. Uma análise completa sobre a cadeia produtiva e sua importância para o Espírito Santo estará disponível para produtores, técnicos, cooperativas e leitores interessados na força do agronegócio estadual.





