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Em meados de 2024, o Espírito Santo fez história no cultivo do gengibre ao registrar a cultivar Imigrante, a primeira cultivar brasileira da cultura. Até então, o país não possuía o Registro de Proteção de Cultivar (RPC) no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Agora, o estado sai na frente mais uma vez.
No próximo dia 15, durante um Dia de Campo, será inaugurado o primeiro viveiro certificado de mudas de gengibre do Brasil, juntamente com o lançamento da cultivar Imigrante. O evento acontece das 7h30 às 11h, no Sítio Hort Belz, na comunidade de Rio das Pedras, em Santa Leopoldina.
Professora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – Campus Alegre, e coordenadora do estudo que culminou no registro e agora no lançamento da cultivar Imigrante, Ana Paula Candido Gabriel Berilli destaca a importância do viveiro e da nova cultivar para a produção capixaba e nacional de gengibre.
“Esse viveiro certificado dá ao produtor rural a oportunidade de adquirir mudas de qualidade, uniformes, produtivas e com procedência genética. Isso é fundamental para o setor produtivo. A base da cadeia produtiva é ter um material genético caracterizado, superior e certificado. Isso vai colaborar para alavancar ainda mais a economia regional e nacional. Será disponibilizado material genético melhorado, caracterizado e com alto potencial produtivo.”
Ainda de acordo com a pesquisadora, a demora de quase dois anos entre o registro e o lançamento da cultivar se deveu à falta de diretrizes para a criação de viveiros.
“Quando uma cultivar é registrada, como foi a nossa em 2024, é muito importante que ela se torne comercializável. Porém, não existia no Ministério da Agricultura nenhum direcionamento para viveiros de gengibre. Não havia nada no Brasil. Uma coisa é ter o material registrado, que autoriza a venda; outra é estruturar o setor produtivo para disponibilizá-lo aos produtores — e foi o que fizemos. Ajudamos a estruturar a criação e toda a documentação para a abertura do primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre do país”, explicou Ana Paula.
Durante o Dia de Campo, também será ministrada a palestra “Expectativa para o mercado externo de gengibre”, com a presidente da Cooperativa dos Produtores de Gengibre da Região Serrana do Espírito Santo (Cooperginger), Leonarda Maria Plaster. Para participar, os interessados devem se inscrever pelo link. A previsão é de que cerca de 200 agricultores participem do evento.
O Ifes Campus Alegre está realizando a transferência de tecnologia da cultivar para o produtor, que será responsável por manter as plantas em sua propriedade, juntamente com seu responsável técnico, com apoio do Ifes Campus Santa Teresa, do Incaper e de empresa consultora.
Como adquirir as mudas
O engenheiro agrônomo Arildo Sebastião Silva, responsável técnico pelo viveiro, informa que as primeiras mudas estarão disponíveis para venda a partir de 15 de junho. Segundo ele, no dia do evento serão apresentadas as orientações para um pré-cadastro, no qual os interessados deverão indicar a quantidade de mudas desejada.
“Como se trata de um lançamento, não teremos grande volume de mudas. Por isso, cada produtor terá um limite máximo neste primeiro momento. Nossa intenção é atender o maior número possível de produtores com essa nova variedade.”
O viveiro funcionará no Sítio Hort Belz, do agricultor Alexandre Lemke, detentor do material genético e responsável pela criação do espaço. Foi a partir da caracterização genética de diferentes plantas de gengibre, selecionadas ao longo dos anos por Alexandre, que o estudo da cultivar foi desenvolvido.
O Ifes Campus Alegre segue realizando a transferência de tecnologia, com apoio do Ifes Campus Santa Teresa, do Incaper e de empresa consultora.






