Coopercitrus e Gencau

Cacau em São Paulo vira aposta para diversificar renda no campo

Projeto Cacau 4.0, apresentado pela Coopercitrus e pela Gencau, vai testar clones, sistemas de plantio e manejo hídrico para validar a produção de cacau de alta performance em solo paulista

Foto: divulgação

A diversificação de culturas como estratégia de segurança financeira e sustentabilidade no campo é um dos destaques do estande da Coopercitrus na Agrishow 2026. Em parceria com a Gencau, a cooperativa apresenta o projeto Cacau 4.0, iniciativa criada para estudar, validar e implantar o cultivo de cacau de alta performance em solo paulista.

A proposta acompanha um movimento crescente entre produtores rurais, que buscam alternativas para reduzir riscos, ampliar fontes de receita e melhorar o uso da terra. Nesse cenário, o cacau surge como uma possibilidade de diversificação com potencial de valor agregado, especialmente quando associado à tecnologia, assistência técnica e proximidade com o mercado consumidor.

A parceria une a capilaridade e o suporte técnico da Coopercitrus à experiência da Gencau na cadeia do cacau, desde o fornecimento de mudas até o processamento industrial. Segundo a cooperativa, a ideia é construir uma base técnica que permita ao produtor avaliar a entrada na cultura com mais segurança.

“O objetivo é gerar informação técnica confiável para que o produtor possa avaliar a entrada nessa cultura com mais segurança”, afirma Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus.

O CEO da Coopercitrus, Fernando Degobbi, reforça que o projeto ainda tem caráter técnico e experimental, com foco na análise de viabilidade produtiva e econômica. “Vamos apoiar, estudar a viabilidade e entender a melhor forma de apresentar essa alternativa ao cooperado, para que ele possa entrar de maneira mais segura nessa nova cultura”, destaca.

A iniciativa prevê a implantação de uma vitrine tecnológica na Fundação Coopercitrus Credicitrus (FCCC), em Bebedouro (SP). No local, serão conduzidos estudos com diferentes clones, sistemas de plantio e modelos de manejo hídrico, incluindo irrigação por gotejamento e microaspersão.

Para Adriano Sartori Pedroso, CEO da Gencau, o projeto pode abrir uma nova frente para produtores paulistas e, ao mesmo tempo, gerar conhecimento aplicável a outras regiões produtoras do país. “Os produtores de São Paulo passam a ter uma alternativa às culturas já existentes, com base técnica e profissionalismo. Ao mesmo tempo, conseguimos desenvolver tecnologias que podem ser levadas para outras regiões produtoras”, afirma.

Além da diversificação de renda, o Cacau 4.0 busca aumentar a eficiência da cadeia produtiva. Produzir cacau mais perto das indústrias do Sudeste pode reduzir custos logísticos e tornar o modelo mais competitivo, especialmente em um mercado que valoriza regularidade, qualidade e rastreabilidade.

Outro ponto central do projeto é o uso de ferramentas de agricultura de precisão. A Coopercitrus pretende aplicar sistemas já utilizados em outras culturas para modernizar o cultivo do cacau, que ainda tem desafios relacionados à mecanização, ao manejo eficiente e ao uso de tecnologias digitais.

“A proposta é gerar uma prova de conceito, desenvolver tecnologia adequada para recomendar o cultivo no estado e levar inovação inclusive para as áreas tradicionais de cacau no Brasil. Isso torna a cadeia mais eficiente e sustentável”, destaca Pedroso.

O executivo também ressalta o impacto ambiental positivo associado à cultura, especialmente em modelos que contribuem para recuperação de áreas degradadas e melhoria do equilíbrio ecológico. “O cacau traz benefícios climáticos importantes, como a recuperação de áreas degradadas e de nascentes, além do retorno da fauna local. É o movimento de alimentar o mundo reduzindo impactos climáticos”, salienta.

A proposta apresentada pela Coopercitrus e pela Gencau se apoia em quatro pilares: diversificação, eficiência logística, tecnologia e cadeia estruturada. Para o produtor, o cacau pode representar uma nova fonte de receita. Para a indústria, a produção em São Paulo pode reduzir distâncias e custos. Para a cadeia, o projeto cria uma ponte entre pesquisa, produção, assistência técnica e processamento.

Na Agrishow 2026, o estande da Coopercitrus está localizado na Rua E3A e conta com mais de 4.200 metros quadrados. O espaço reúne mais de 50 empresas globais, com soluções em insumos agrícolas, defensivos químicos e biológicos, fertilizantes, saúde e nutrição animal, máquinas, implementos, irrigação e tecnologias do Campo Digital.

Durante a feira, o local concentra atendimento técnico, oportunidades comerciais e lançamentos, funcionando como ponto de encontro e apoio para produtores interessados em novas soluções para o campo.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos