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Recomendado desde o lançamento do Programa Morango Mais Saudável, em 2011, o uso de controle biológico para conter o ácaro rajado (Tetranychus urticae), principal praga da fruta, aos poucos cresce no Estado. O Espírito Santo tem, segundo dados do Anuário do Agronegócio Capixaba, de 2022, 293 hectares de área plantada da frutífera e uma produção de 14.500 toneladas.
Wellington Casagrande, de Forno Grande, Castelo, produtor de morango desde a década de 1990, é um exemplo. Com problemas para controlar o ácaro rajado dos morangais, procurou o doutor em Entomologia, José Salazar Zanuncio Junior.
“Ele não queria mais utilizar os acaricidas químicos, então indiquei para ele o produto comercial a base de ácaros predadores, auxiliei no manejo, e recomendei as formas e cuidados na liberação para garantir a eficácia do produto”, disse Salazar.
A busca por uma solução biológica, segundo Wellington, veio depois que perdeu toda lavoura em 2010. “Não consegui controlar a praga e tivemos uma perda muito grande. Nessa época desisti dos produtos químicos e resolvi estudar o ácaro rajado para tentar o controle do mesmo sem o uso de químicos. Descobri que existiam predadores que se alimentam do ácaro rajado e não causam danos a cultura”, conta.

Após a experiência de Wellington, outros produtores da região começaram a procurar informações com ele para fazer a transição do produto químico para o biológico. É o caso do Jefferson Barbosa Kuster, também de Forno Grande.
“O ácaro sempre foi um problema principalmente nos meses mais secos, quando ataca mais. Ouvimos falar dos predadores, que poderiam comprar e soltar na roça. Fomos conhecer e vimos que o resultado é muito positivo. O ácaro predador, solto na roça, consegue sobreviver e continua fazer o controle do ácaro rajado, ele se mantém. Além disso, é saudável para quem come e quem colhe morango”, explica Jefferson
Salazar explica as vantagens do uso do predador natural. “O ácaro predador tem a vantagem de não deixar resíduos no morango, além de se estabelecer no cultivo, o que reduz a necessidade de muitas liberações do ácaro. O que recomendamos é que os produtores tenham cuidado no uso de pesticidas para não afetar o ácaro predador. Assim, ele faz o controle do ácaro rajado de forma satisfatória”.
Mas, o que impede que mais produtores façam uso dos produtos biológicos mesmo diante das vantagens dos mesmos e dos bons resultados apontados porque quem já aderiu aos biológicos
Para Salazar, que também é pesquisador e gerente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a explicação está na falta de conhecimento e nos cuidados que exige o uso dos biológicos.
“Acredito que essa resistência por parte dos produtores está associada à falta de conhecimento sobre o uso dos biológicos, bem como dos produtos disponíveis no mercado. Outros fatores são os cuidados extras e um manejo mais adequado que o uso de controle biológico exige. A utilização do controle biológico demanda alguns cuidados extras e um manejo mais adequado. O que demanda maior conhecimento e mudança de algumas estratégias de manejo, por parte dos produtores”, salienta o especialista.
Salazar disse ainda que é esse trabalho que buscam fazer enquanto pesquisadores do Incaper, juntamente com os extensionistas e os resultados estão aparecendo. “Vejo que essa é uma área em expansão. Atualmente muitos produtores utilizam o ácaro predador e já dispensaram o uso de acaricidas. Acredito que aproximadamente metade dos produtores de morango já adotaram esse recurso”.
O especialista acrescentou que os acaricidas reduziram sua eficiência, com o tempo, devido seu uso intensivo, o que acarreta o aumento na população de ácaro rajado resistente aos principais princípios ativos do produto.





