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Muitas das vezes, quando falamos sobre meio ambiente, visualizamos imagens exuberantes das florestas, lagos, rios e dos seres que vivem dentro dela. Porém, esquecemos do ser humano interagindo e agindo neste meio, com todas as suas consequências. As nossas casas, as cidades e tudo que nelas há e é produzido, também fazem parte deste meio ambiente.
A partir do momento em que o ser humano se sentir inserido no meio ambiente, ficará mais fácil compreender os problemas advindos da ação antrópica sobre o ambiente em que vivemos. Hoje, nos sentimos felizes a partir do momento que conseguimos consumir cada vez mais. Assim estamos sendo moldados.
Somos induzidos a consumir cada vez mais, para que os produtores de bens consumíveis possam produzir cada vez mais. Por um lado, estamos extrapolando a capacidade do meio ambiente de depurar os nossos rejeitos descartados após consumo. Por outro lado, estamos superando a capacidade deste mesmo meio ambiente de disponibilizar a matéria prima para produção destes insumos, levando ao esgotamento destes.
A produção indiscriminada leva ao esgotamento e em muitas das vezes à contaminação dos recursos naturais. O incentivo ao consumo, nos leva a gerar cada vez mais resíduos o que chamamos de lixo.
Para a produção dos resíduos, é preciso investir em reciclagem e outras tecnologias que possam retirá-los do ambiente ou dispô-los de forma correta. Mas quanto ao esgotamento e à contaminação dos recursos naturais, torna-se ainda mais preocupante, pois ao retirar mais recursos do que o meio ambiente nos disponibiliza, é seguir rumo à insustentabilidade ambiental.
Assim, quando se fala em desenvolvimento sustentável, envolve-se uma série de fatores de extrema complexidade. Desenvolvimento sustentável é aquele que “satisfaz as necessidades da geração atual sem, contudo, afetar as necessidades das gerações futuras ”. Desta forma, como será garantido o atendimento das gerações futuras se hoje estamos ultrapassando a capacidade de sustentação do meio ambiente? Se estamos extraindo mais do que a natureza é capaz de nos fornecer?
Nos processos produtivos dos alimentos, os solos estão atingindo a exaustão pelo depauperamento dos nutrientes, pela erosão, entre outros fatores ocasionados pelo uso incorreto do solo. Em muitos casos, os solos estão sendo contaminados pelo uso indiscriminado de insumos necessários à produção agrícola.
Não se pode deixar de falar do uso da água na produção de alimentos. É notório que, para produzir alimentos, precisa-se de muita água. Mas tem-se observado, em muitos casos, o uso incorreto das práticas de irrigação, o que compromete a quantidade de água disponível para consumo. Isto, além de gerar conflito pelo uso deste importante insumo, pode produzir a contaminação do mesmo pelos resíduos dos agroquímicos que podem ser carreados para o lençol freático, e impactam de forma negativa a qualidade da água e, consequentemente, da produção agrícola.
No Espírito Santo, segundo um levantamento realizado pelo CEDAGRO, existem 393 mil hectares de áreas degradas: isto equivale a 16,65% das áreas agrícolas capixabas. Ainda segundo o CEDAGRO, 238 mil hectares são de pastagens degradadas, e 118 mil hectares, estão em áreas de cafeicultura. Além deste fato, precisamos nos atentar para as águas poluídas e contaminadas, situação que vem sendo observada com muita frequência nos mananciais.
Muitas vezes, estes problemas de degradação do solo, poluição e contaminação das águas, ocorrem na agricultura por falta de conhecimento. Mas, em muitos casos, por falta da consciência e responsabilidade. Assim, para produzir alimentos precisamos investir em tecnologia capazes de maximizar a produtividade, sem contudo exaurir os recursos naturais, em especial o solo e a água.
É preciso pensar numa agricultura sustentável, na qual seja possível obter altas produtividades com qualidade, em um ambiente saudável e por um longo período de tempo.
Ser sustentável no campo é garantir boa produtividade, mas com produtos de qualidade, livres de contaminação, mantendo também o ambiente em que se produz saudável, ou seja mantendo o solo produtivo por longos períodos, aplicando as tecnologias disponíveis, com uso racional dos insumos, assim como também, proporcionando um uso racional da água, não permitindo desperdícios e nem sua contaminação com os insumos utilizado para a produção agrícola.





