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Quem passou pelo estande de Marilândia durante a Feira dos Municípios teve a oportunidade de conhecer, por meio de imagens tridimensionais, a mais nova aposta do município para impulsionar o agroturismo: a implantação de um teleférico com acesso ao topo da Pedra do Cruzeiro.
Até então conhecido principalmente como um local de contemplação da paisagem e de visitação de fiéis católicos, o Cruzeiro, localizado na comunidade de Alto Liberdade, recebe todos os anos milhares de visitantes de diversas regiões do Espírito Santo. Com o novo projeto, o local poderá se transformar em um dos principais atrativos turísticos do noroeste capixaba.
O teleférico deverá ligar a base da Pedra do Cruzeiro ao seu topo, situado a cerca de 760 metros de altitude. Na área de embarque está prevista a construção de uma estrutura para receber os visitantes, com estacionamento, plataforma de embarque, banheiros e restaurante. No topo da pedra também haverá uma base de apoio com banheiros e cafeteria. Outras estruturas poderão ser implantadas futuramente, conforme o avanço do projeto.

A expectativa da prefeitura é dobrar ou até triplicar o número de visitantes. Atualmente, Marilândia recebe entre 35 mil e 40 mil pessoas por ano, considerando festas, eventos e demais atrações do município.
A proposta vai além da implantação de um equipamento turístico. Segundo o secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Gildo Alberto Buzzetti, o objetivo é impulsionar o desenvolvimento do agroturismo, estimulando novos empreendimentos, gerando renda e aumentando o tempo de permanência dos visitantes por meio de experiências ligadas ao campo, à gastronomia e à cultura local.
“Marilândia não é uma cidade consumidora, é uma cidade produtora. A gente produz muito café, mas esse café não é consumido aqui, e isso acendeu um alerta. É preciso fazer alguma coisa que traga as pessoas para cá, para consumir, se hospedar, comer, passear e conhecer o município, movimentando a economia local”, explica.
De acordo com o secretário, a iniciativa também surge em um momento de preocupação com as mudanças na distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre os municípios. Marilândia possui uma economia fortemente baseada na produção agrícola, especialmente de café conilon, e a administração municipal vê no turismo uma alternativa para diversificar a economia e ampliar a arrecadação.
Empreendedorismo rural
A expectativa é que o novo atrativo estimule o empreendedorismo rural. A região reúne atrativos que enriquecem a experiência dos visitantes, como a produção de cafés especiais e de capelete. Marilândia, reconhecida como Capital Estadual do Capelete, abriga ainda a Fazenda Experimental do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), referência nas pesquisas com café conilon.
Com o aumento do fluxo turístico, a expectativa é ampliar a oferta de cafés coloniais, hospedagens no sistema cama e café, comercialização de produtos artesanais e outras experiências ligadas ao meio rural.
Gildo destaca que, apesar do perfil tradicional da comunidade de Alto Liberdade, formada por descendentes de imigrantes italianos que preservam costumes e tradições, a receptividade ao projeto surpreendeu positivamente.
“Nós imaginávamos encontrar mais resistência, mas aconteceu exatamente o contrário. A comunidade abraçou a ideia e está participando. Já temos opções de cama e café, moradores alugando suas casas e restaurantes se preparando melhor para receber os turistas durante os eventos promovidos ao longo do ano. Isso mostra que a iniciativa privada também acredita no projeto, o que é muito positivo. O turismo só funciona quando o poder público e a iniciativa privada caminham juntos.”
Projeto
O município ainda está na fase de licenciamento e de atendimento às exigências técnicas e jurídicas necessárias para viabilizar o empreendimento. Após a conclusão dessa etapa, será definida a forma de execução das obras, que poderão ser realizadas por fases. A estimativa é de que, após o início da construção, a implantação completa do teleférico leve entre dois e três anos.
Para a administração municipal, o projeto representa uma oportunidade de consolidar Marilândia como um destino de agroturismo, valorizando a produção agrícola, a gastronomia, as tradições e a hospitalidade das famílias do campo. A expectativa é que os benefícios se estendam não apenas ao município, mas a toda a região noroeste do Espírito Santo.






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