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Um sensor que detecta no grão de café a presença da ocratoxina, uma substância cancerígena produzida por fungos, foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e universidades da Colômbia.
A tecnologia faz a detecção em apenas 30 minutos e é mais barata que o método convencional em laboratório.
Os pesquisadores estão negociando a patente com a indústria para a tecnologia chegar ao mercado.
“Essa substância é secretada por fungos que pode ser durante a plantação, mesmo no armazenamento dos grãos de café. Ela é perigosa porque ela é cancerígena e ela é nefrotóxica, então ela pode causar problemas nos rins se ela estiver em uma quantidade muito alta nas amostras de café”, disse a pesquisadora do IFSC Isabella Sampaio.
No Brasil, uma portaria do Ministério da Agricultura determina um limite de até 10 microgramas dessa toxina por quilo de café. Na Europa, a concentração não pode ultrapassar três microgramas por quilo.
“O biosensor pode ser uma alternativa promissora para a detecção rápida garantindo o monitoramento e o rastreamento rápido dessa toxina na cadeia do café, assim como garantindo a segurança alimentar”, explicou o professor da Ufes Jairo Oliveira.
Hoje com o método tradicional pra detectar a substância, os produtores de café precisam mandar amostras de grãos para um laboratório e resultado sai em até quatro dias.
Já com essa tecnologia portátil, a análise fica pronta em 30 minutos e dá pra fazer tudo aqui mesmo, sem sair do campo.

Leitor na plantação e baixo custo
O chip é uma parte da tecnologia. Os cientistas agora desenvolvem um leitor em miniatura para ser levado até a plantação.
“A ideia que nós vamos botar em prática agora na próxima etapa do desenvolvimento é produzir o dispositivo leitor, que é um dispositivo miniaturizado que tem uma eletrônica ali embarcado, que pode estar ou não acoplado com o celular. A partir do sinal do chip, esse conjunto leitor faz a medida e indica a presença [da toxina] ou não no grão de café”, afirmou o professor do IFSC, Valtencir Zucolotto.
Segundo os cientistas, outra vantagem do sensor em relação ao método convencional é o custo menor.
“O valor [em laboratórios] pode variar entre R$ 400 e R$ 600 em média. Os nossos chips têm um custo de produção muito abaixo disso, mas é a produção do chip. A gente estima que, com o equipamento final, cada medida fique aí abaixo de R$ 100, por exemplo”, ressaltou Zucolotto.
Em uma fazenda com 5.000 pés de café em Araraquara, o produtor Lucas Delpasso conta que envia amostras de grãos para um laboratório em Franca. Ele gostou da ideia de, um dia, poder fazer a análise na lavoura mesmo.
“Ter essa tecnologia facilita em custo, envio, tempo de resposta de análise, que demora um pouco. Então ter isso em portátil para a lavoura é maravilhoso”, disse.





