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Matéria publicada originalmente 22/03/2022
A realidade dos agricultores dos oito acampamentos capixabas difere de quem já está assentado. Sem energia elétrica e sem poder planejar a produção de alimentos a longo prazo – uma ordem de despejo pode chegar a qualquer momento e por tudo a perder -, os acampados priorizam o cultivo de culturas perenes e esperam a sonhada reforma agrária definir a posse de terra.
De acordo com a direção estadual do Movimento Sem Terra (MST), 1.000 famílias estão distribuídas nesses acampamentos, todos localizados no Norte do Espírito Santo (Aracruz, Montanha, Conceição da Barra, Nova Venécia e Linhares), sendo 500 só no último município. Os agricultores produzem hortaliças, aipim, banana, feijão, maracujá, abóbora e alguns acampamentos se dedicam ainda ao café conilon, cacau e pimenta-do-reino.
Para se ter ideia do quão produtivos são os acampamentos, a produção anual de aipim, abóbora, maracujá e banana chega a 800 toneladas. Boa parte dos alimentos é comercializada via atravessadores, nas feiras da agricultura familiar de Aracruz e Linhares ou para associações via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“Não temos energia elétrica ou qualquer tipo de assistência e a insegurança jurídica nos impede planejar melhor a produção. Por mais que as famílias produzam, a qualquer momento podemos ser despejados. E não é por falta de diálogo. Sem planejamento, não conseguimos expandir a consciência ambiental entre os acampados para produzir alimentos saudáveis”, afirma Rodrigo Gonçalves, desde 2005 no MST e uma das lideranças do Acampamento Índio Galdino, em Córrego Bom Jesus, distrito de Jacupemba (Aracruz).
Na localidade, os geradores são movidos à combustível e placas de energia solar garantem um mínimo de conforto às famílias. Somado a isso, a falta de saneamento adequado é o retrato da condição de quem aguarda a aquisição ou desapropriação de terras para se estabelecer e efetivar a produção agrícola.
Um exemplo de resistência é o Acampamento Produtivo João Gomes, na comunidade de Palhal, distrito de Bebedouro (Linhares), localizado em uma área de 415 hectares do Governo do Estado. Segundo Gonçalves, o terreno, que abrigaria uma fábrica de fertilizantes hidrogenados em parceria com a Petrobras, está abandonado há dez anos e é reivindicado pelo MST para fins de reforma agrária desde 2015.
“O acampamento já passou por quatro despejos e a área continua abandonada, só servindo à especulação imobiliária. Por isso, o maior sentimento é de abandono pelo poder público. O governo estadual atual só reconheceu o conflito por meio de uma portaria, mas nossa pauta é resolver o problema da terra”, diz o militante.

Rodrigo enfatiza a importância dos acampamentos no combate à fome. No ano passado, eles doaram mais de 30 toneladas de alimentos para 500 famílias carentes de Linhares, São Mateus e Grande Vitória. “Cada uma de nossas famílias tem o dever de contribuir com o combate à fome no país. A reforma agrária cumpre esse papel, e isso pode começar no próprio acampamento”.
Mais do que ocupar e tornar produtiva a terra, os acampados esperam contribuir para a recuperação de nascentes e reconstruir as comunidades através da fé e do resgate da cultura local e dos festejos. Exemplo disso foi a reconstrução recente da igrejinha do Córrego Bom Jesus. (foto acima)





