Mais lidas 🔥

Empreendedorismo no café
Empreendedor transforma Kombi em ponto de venda dos cafés de qualidade que ele mesmo produz

Dia do Agricultor
Do concreto ao cafezal: uma história de transformação no interior capixaba

Investigação
Operação prende suspeitos de fraude na comercialização de café no sul do ES

Política agrícola
Projeto cria preço mínimo para proteger produtores de cacau

28 de julho, Dia do Agricultor
O café que trouxe uma geração de volta ao sítio centenário

Mesmo com o grande volume de chuvas registrado nos últimos dias, o Espírito Santo e o Brasil enfrentam um quadro de crise hidroenergética. Diante desse cenário – em que o país registra a sua pior seca dos últimos 91 anos -, diversos segmentos econômicos, a exemplo da indústria, estão com um sinal de alerta aceso sobre possíveis impactos. Mais do que isso, estão se antecipando e adotando ações que contribuam para economizar água e energia.
No Espírito Santo, diversas indústrias – de pequenas a grandes – já têm iniciativas nesse sentido. Segmentos como os da construção civil, de celulose, de mineração, de confecções, de rochas ornamentais, de transformação e de alimentos já incorporaram políticas sustentáveis e têm no radar novos investimentos que aliam o cuidado com o meio ambiente e a redução de custos.
O reúso da água, a filtragem dessa fonte hídrica para o reaproveitamento, sistemas tecnológicos que demandam menos volumes, estruturas para reserva de água, entre outras ações passaram a ser implementadas por indústrias capixabas em seus processos. Além disso, cada vez mais as empresas estão utilizando fontes de geração de energia limpa, como a solar, a eólica e a biomassa.
Água e indústria
Dados de 2020 da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que o setor industrial representa 9,7% do consumo de água no Brasil. No Espírito Santo, conforme o mesmo levantamento, a Indústria responde por apenas 2,28% de toda a água consumida.
Esse percentual coloca a indústria capixaba entre as dez do país que menos consomem água. No ranking nacional, o Espírito Santo é o oitavo colocado, atrás de Amapá (0,72%), Rio de Grande do Sul (1,07%), Rondônia (1,61%), Roraima (1,8%), Bahia (1,85%), Tocantins (2%) e Acre (2,15%).
A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, destaca que esse desempenho está relacionado à preocupação que as empresas locais têm com a eficiência no uso da água, o que faz com que o tema ocupe lugar de destaque nas estratégias competitivas das indústrias.
Para ela, mesmo que já existam iniciativas para economia dos recursos naturais em curso, o momento vivido pelo Estado e pelo país requer ainda mais atenção e a mobilização conjunta para o enfrentamento do problema. Cris defende que todos os tipos de consumidores devem buscar formas de reduzir o consumo hidroenergético.
“A indústria já vem tendo esse tipo de compromisso nos últimos anos e nós da Federação vamos sempre estimular as empresas a investirem cada vez mais em iniciativas nessa direção. Ao incentivarmos a gestão mais sustentável dos recursos hidroenergéticos e a adoção de tecnologias com esse fim, estaremos cuidando melhor do meio ambiente e trazendo mais eficiência e menos custos para as atividades empresariais.”
Cris lembra que a Federação criou no início do mês de setembro um Grupo de Trabalho Técnico para debater o tema, avaliar ações de curto prazo e propor alternativas de médio e longo prazo que possam diminuir o impacto de possíveis novas crises.
“Também promovemos uma reunião com o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Christiano Vieira da Silva, que falou sobre o enfrentamento à crise hidroenergética no Brasil. Ou seja, a Findes, não está apática à situação. Vamos continuar contribuindo para apresentar soluções que beneficiem os capixabas e garantam o desenvolvimento do Espírito Santo.”
Sustentabilidade é a palavra
Entre as empresas que atuam no Estado e adotam práticas sustentáveis estão a Real Café, a Villoni Alimentos e a ArcelorMittal Tubarão. A siderúrgica, por exemplo, tem feitos investimentos contínuos na área hídrica: 97,7% da água doce utilizada são recirculadas e/ou reaproveitadas internamente. Além disso, a empresa deu início à operação, no mês de setembro, à sua planta de dessalinização de água do mar, projeto inédito no Brasil, que produzirá até 500m³/h de água industrial para o sistema de água da empresa. Também tem promovido a recuperação de nascentes da Bacia do Santa Maria da Vitória conjuntamente com o Comitê de Bacia do Santa Maria da Vitória, Incaper, Ministério Público Estadual, Seama, Prefeitura de Santa Leopoldina e agricultores da região. O projeto visa a estudar as melhores técnicas de recuperação de nascentes e realizar o cercamento de 55 nascentes na região de Crubixá.




