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Desde 1º de fevereiro de 2026, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) passou a utilizar um novo critério oficial para monitorar e classificar os eventos de El Niño e La Niña. A mudança altera a forma como a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical é analisada e tem como objetivo tornar o diagnóstico do fenômeno mais preciso em um contexto de aquecimento global.
O novo método, chamado Índice Oceânico Niño Relativo, substitui o índice tradicional usado há décadas para acompanhar a Oscilação El Niño–La Niña, principal padrão de variabilidade climática de ano a ano no planeta. O fenômeno influencia regimes de chuva, temperatura, circulação atmosférica, atividade de tempestades e furacões, com impactos que se estendem da região tropical às médias latitudes.
Até agora, a identificação de El Niño ou La Niña se baseava na comparação da temperatura do oceano na região conhecida como Niño 3.4, no Pacífico central, com uma média histórica fixa. O novo índice mantém essa região como referência, mas introduz uma diferença fundamental: antes de classificar o evento, a anomalia de temperatura local é comparada com a média das anomalias de todos os oceanos tropicais no mesmo período.
Na prática, isso significa que o Pacífico passa a ser avaliado de forma relativa, considerando se está mais quente ou mais frio do que o restante dos trópicos naquele momento. Segundo os cientistas, é esse contraste que impulsiona as mudanças na circulação atmosférica e nos padrões de chuva associados ao El Niño e à La Niña.
Com o novo critério, El Niño será definido quando a anomalia relativa de temperatura atingir ou superar 0,5 grau Celsius por três meses consecutivos, enquanto La Niña será caracterizada por valores iguais ou inferiores a menos 0,5 grau Celsius. Para que um evento seja oficialmente reconhecido, será necessário que essa condição persista por pelo menos cinco períodos trimestrais sobrepostos.
De acordo com a NOAA, o índice relativo apresenta duas vantagens principais. A primeira é reduzir a influência do aquecimento global de longo prazo sobre a classificação dos eventos, permitindo comparações mais consistentes ao longo do registro histórico. A segunda é a maior correlação com alterações na chuva e no aquecimento tropical, considerados os principais motores dos impactos climáticos observados em diferentes regiões do mundo.
Apesar da mudança metodológica, a agência informa que o novo índice é visualmente semelhante ao anterior e poderá ser utilizado da mesma forma por pesquisadores, meteorologistas e usuários em geral. Os dados do índice tradicional continuarão sendo atualizados e disponibilizados, garantindo a continuidade para estudos e aplicações que dependem das séries históricas antigas.
A atualização também será incorporada aos boletins técnicos e aos sistemas de alerta relacionados ao El Niño e à La Niña, sem expectativa de impactos operacionais relevantes para o público. A NOAA avalia que a mudança representa um ajuste técnico necessário para acompanhar a evolução do sistema climático em um planeta em aquecimento.





